Antes de irmos de férias deixamos as novidades para a reentré. O Teatro Maria Matos já apresentou a programação para o Outono e, entre os meses de Setembro e Outubro, vão passar por aquela sala os icónicos Faust, o duo anbb, Jóhann Jóhannsson e Hauschka. Os anbb, duo de Alva Noto e Blixa Bargeld, estreiam-se em Portugal no dia 21 de Setembro. Também em estreia nacional, Jóhann Jóhannsson apresenta-se acompanhado pelo Iskra String Quartet, no dia 28 de Setembro. No dia 6 de Outubro é a vez dos velhinhos Faust, lendas do krautrock que continuam a sua impecável caminhada na procura da subversão sonora. Mais para o final do mês, no dia 22 de Outubro, actua o alemão Hauschka (senhor que gosta de pianos pouco convencionais), acompanhado por um ensemble de músicos nacionais. Este espectáculo está enquadrado nas celebrações do 41º aniversário do Teatro Maria Matos e promete muito. Agora já podemos ir de férias descansados.
Quando se fala da música da Jamaica, não é o primeiro nome a vir à cabeça. Mas Dadawah (também conhecido como Ras Michael) é um nome seminal da história da música da pequena ilha das Caraíbas. E a nova reedição de Peace & Love – editado originalmente em 1974 e depois reeditado em 75 pela Trojan – comprova-o de forma bastante evidente: primeiro porque eleva a doutrina rastafari para um patamar espiritual mais profundo; segundo porque mergulha profundamente no lamaçal ancestral de África e de lá trás, não só a essência do ritmo, como alma de toda uma música cerimonial dedicada ao reverendo deus Niyabinghi. São quatro longos temas quase todos de dez minutos. Quatro longas divagações místicas e incorpóreas que nunca se perdem no tempo nem no espaço, mesmo que a janela para o cosmos esteja amiúde aberta.
Depois de vários anos a ser considerado uma raridade, este disco merece finalmente esta reedição. Agora pela mão Mark Ernestus, uma das faces dos Rhythm & Sound e dos Basic Channel, associado com a recém criada Dug Out, este novo Peace & Love - Wadadasow (com uma nova capa) é um documento precioso que ilustra bem a face mais delirante e psicadélica do reggae, dando ainda coordenadas indispensáveis para algumas das fontes primordiais do dub-techno – que hoje o caracteriza parte do som minimal de Berlim – ou algum dubstep com aspirações roots – como, por exemplo, o som dos Digital Mystik. Um disco já disponível em Portugal (por exemplo na Flur) para descobrir ou redescobrir. Peace & Love - Wadadasow é música essencial na colecção de qualquer devoto do bom som. Mas cuidado para não se perderem, tudo isto é espiritualmente muito vicioso.
Sim, ele é escriba do Bodyspace. E a APAV apresenta um concerto dele no dia 30 de Julho, pelas 19h00, O concerto acontece no Espaço APAV & Cultura, na Rua José Estêvão 135-A (ao Jardim Constantino), em Lisboa, e tem entrada livre. Para que não nos acusem de favoritismo, transcrevemos integralmente o press release que apresenta o concerto: "Bruno Silva é membro dos projectos Osso, Ninjas!, Somália e Brisa Panaca e tem vindo ainda a apresentar-se ao vivo sob diversos pseudónimos. A adopção [eish, que coça no acordo ortográfico, tau] do nome próprio prende-se com o regresso ao seu instrumento primordial: a guitarra eléctrica. Ao longo dos últimos meses tem vindo a redescobrir este instrumento, na senda de uma linguagem de experimentação, que poderá encontrar paralelo com o trabalho de Donald Miller, guitarrista dos Borbetomagus, em aproximação a determinadas latitudes noise". Vai um bocadinho de noise antes das férias, meus meninos?
O sexteto sueco Angles, que acaba de editar um novo disco através da Clean Feed, apresenta-se esta noite (quinta feira, 22h30) no Lux, num espectáculo com entrada livre. Martin Küchen, Magnus Broo, Johan Berthling (fila de cima), Mattias Ståhl, Kjell Nordeson e Mats Äleklint (fila de baixo) formam os Angles, grupo que pratica um jazz resultante da combinação de elementos “bebop”, “groove” e “free”, entrelaçados com incrível coerência - o disco novo tem por título Epileptical West e foi gravado ao vivo no Jazz Ao Centro 2009, em Coimbra. Este concerto servirá também de apresentação do programa do festival jazz.pt, que vai decorrer de 8 a 12 de Setembro de 2010 no Cais da Pedra (Santa Apolónia, Lisboa), estendendo-se a vários espaços da zona: Lux, Loja da Atalaia, Bica do Sapato, Nord, Flur, Casa Nova, Delidelux e Odessa/FactoLab. A programação deste ano inclui 8 concertos, 8 lançamentos de álbuns de editoras europeias, debates, uma feira do disco, acções didácticas e vários showcases. Recapitulando, Angles, Lux, de borla. Se alguém ainda tem dúvidas, espreite ali as canções do MySpace - “My world of mines” é clássico instantâneo.
Os nomes grandes da programação já tinham sido desvendados, mas agora que o grande festival português de jazz & etc. (elogio) se aproxima a passos largos, deixamos o programa completo. Além do duo John Surman /Jack DeJohnette, do novo projecto de Louis Sclavis e do Electro-Acoustic Ensemble liderado por Evan Parker, a programação do festival de verão da Gulbenkian apresenta a grande Circulasione Totale Orchestra (big band "free" que reúne Louis Moholo, Frode Gjerstad, Sabir Mateen e Paal Nilssen-Love, entre outros nomes lendários), o projecto Sol 6 (grupo que junta gente dos The Ex e dos The Necks, entre outros, e trabalha covers de Burt Bacharach e Charles Ives), o "power trio" Steamboat Switzerland (Dominik Blum no órgão hammond, Marino Pliakas no baixo eléctrico e Lucas Niggli na bateria), o duo Guus Janssen & Han Bennink e o trio Pat Thomas / Raymond Strid / Clayton Thomas. Do cartaz fazem também parte dois trios nacionais: Open Speech Trio (Carlos Bechegas, Ulrich Mitzlaff e Miguel Cabral) e RED Trio (Rodrigo Pinheiro, Hernâni Faustino e Gabriel Ferrandini). A programação é diversificada, há propostas para todos os gostos, basta ter vontade de descobrir "o outro lado do jazz". Aqui fica o trailer/teaser oficial.
Não, ainda não estamos de férias (Agosto querido Agosto!). Mas para lá caminhamos. Enquanto não estamos mesmo, tempo ainda para a divulgação de mais um vídeo de mais um projecto que se estreia no formato de longa duração. São eles os Mount Kimbie. Com Crooks & Lovers ainda recém nascido, a dupla Dominic Maker e Kai Campos apresenta pela mão do realizador Tyrone Lebon a primeira amostra visual do disco, chama-se "Would Know". Conotados com a linha da frente de uma coisa a que já chamam pós-dubstep, os Mount Kimbie estrearam-se no ano passado com o EP Maybes e desde então têm vindo a captar atenções pelo cruzamento pouco usual das linguagens lo-fi da pop, do hip-hop, do r&b e do dubstep. Escutem e vejam "Would Know" e comprovem até que ponto estes rapazes se dão à pura especulação sonora.
A Filho Único apresenta na próxima quinta-feira, dia 29 pelas 19h30, o duo Zul Zelub no Museu do Chiado.
Os Zul Zelub são o mais recente projecto de Jorge Lima Barreto, o histórico experimentalista que editou há dois anos um disco na Clean Feed com o mesmo nome. Esse disco registava um conjunto de improvisações ao piano acompanhadas por rádio ondas-curtas (gravado ao vivo no Jazz Em Agosto 2005), mas este projecto vai além desse disco; Zul Zelub é agora um duo de Barreto (piano eléctrico) e Jonas Runa ("computer music & kima x"). O concerto terá lugar no Jardim de Esculturas e tem entrada livre, como já é habitual.
O festival minhoto arranca já na próxima quarta-feira, 28 de Julho, mas diz-nos a organização há já pessoas a usufruir do campismo gratuito que abriu hoje e está disponível até dia 1 de Agosto. Para quem se deslocar de carro, existe também estacionamento gratuito com capacidade suficiente para todos.
Em 2010 o Festival Paredes de Coura celebra 18 anos e para ajudar a apagar as velas conta com 18 estreias absolutas em Portugal. Não fomos contar mas não duvidamos. A organização sublinha a "estreia de veteranos", como The Specials e Peter Hook performing "Unknown Pleasures", mas também de alguns novatos, como White Lies, Jamie T, Vivian Girls (no vídeo acima) ou Memory Tapes, entre muitos outros. O passe de 4 dias com campismo gratuito custa 70 euros.
O cartaz é este:
28 de Julho - Dia da Recepção ao Campista: Los Campesinos!, Memory Tapes, Best Coast, Cosmo Jarvis e Isidro LX
29 de Julho: The Cult, Caribou, Enter Shikari, Gallows, Eli Paperboy Reed e Vivian Girls. Palco After-Hours: We Have Band e DJ Coco. Palco Iberosounds by Coruna: Lost Park e Nouvelle Cuisine. Jazz na Relva: José Valente e Experiences of Today
30 de Julho: Klaxons, White Lies, Peter Hook performing "Unknown Pleasures", The Courteeners, Plan B e The Tallest Man on Earth. Palco After-Hours: Plus Ultra e Mega Bass. Palco Iberosounds by Coruna: Boat Beam e Madame Godard. Jazz na Relva: Zelig
31 de Julho: The Prodigy, The Specials, Mão Morta, Jamie T, The Dandy Warhols e Os Dias de Raiva. Palco After-Hours: Dum Dum Girls e Os Yeah. Palco Ibersounds by Coruna: Triangulo de Amor Bizarro e Samuel Úria. Palco Jazz na Relva: Barbez
O grupo Trigon, formação que ao longo das últimas duas décadas tem desenvolvido uma síntese entre as tradições musicais romenas e a liberdade do jazz, apresenta-se ao vivo em dois concertos em Lisboa. Numa iniciativa do Instituto Cultural Romeno, o grupo de Anatol Stefanet (violeta), Dorel Burlacu (teclados, harmónica), Alexandru Arcuş (saxofones, flauta) e Gari Tverdohleb (bateria, percussão) apresenta-se no dia 28 de Julho, quarta-feira pelas 22h30, no Onda Jazz, num concerto com entrada livre. No dia seguinte o grupo actua no Museu do Oriente, desta vez às 21h30 (os bilhetes para este concerto encontram-se à venda no Museu do Oriente, FNAC, Worten, Lojas Viagens Abreu, BLISS, Liv. Bulhosa (Oeiras Parque) e pontos Megarede). Este é um regresso do grupo de "etno-jazz" a Portugal, depois de em 2007 o grupo ter efectuado uma bem sucedida digressão nacional.
O duo de Mick Flower e Chris Corsano, responsável pelos soberbos The Radiant Mirror (2007) e The Four Aims (2009), vai apresentar-se ao vivo em três concertos no nosso país. No próximo sábado, dia 24 de Julho, Flower e Corsano actuam na Galeria ZDB (Lisboa), na mesma noite de Z'EV & David Maranha - o início está marcado para as 23h. No dia seguinte, domingo, o duo actua no Porto, no campo de ténis de Serralves ao final da tarde (18h30). Esta pequena tour nacional termina na segunda feira, dia 26, em Leiria - o Teatro Miguel Franco acolhe o concerto que se inicia às 22h. O drone psicadélico de Flower encontra-se com a bateria genialmente imprevisível de Corsano (que há uns tempos foi entrevistado por aqui) e o resultado é imperdível. O vídeo ali em baixo dá uma ideia daquilo que nos espera.
É verdade que os anos 80 não lhe fizeram nada bem, mas os 90s (ei, Fate of Nations é um belo disco) e sobretudo os 00s foram muito diferentes para o outrora vocalista dos Led Zeppelin. Assimiu gostar de coisas tão boas como DJ Shadow, e lançou dois discos muito muito interessantes: Dreamland e Mighty Rearranger. Com Alison Krauss lançou ainda o muito elogiado Raising Sand by Robert Plant and E agora chega Band Of Joy. " a 13 de Setembro
Diz-se que este disco retoma o caminho deixado em aberto pelo rock de raiz de Raising Sand, e que foi gravado em Nashville por uma "constelação de estrelas da música".
O álbum foi co-produzido por Plant e pelo guitarrista Buddy Miller, de Nashville. "Buddy está presente em todo o álbum; podem ouvir-se os seu gostos em toda a instrumentação", disse Plant com entusiasmo. "O universo musical de Buddy é lindíssimo, com influências do rockabilly de meados dos anos 50, o canto dos pescadores e a melhor música country, para além da soul e R&B de Detroit".
Ao lado de Miller, a Band of Joy integra o multi-instrumentista Darrell Scott, que toca bandolim, guitarra, acordeão, banjo, pedal e lap-steel guitars; a cantora e compositora country Patty Griffin, que dá apoio à voz principal de Plant; Byron House no baixo e Marco Giovino nas percussões.
Neste disco há uma versão de "Angel Dance", de Los Lobos e, surpresa das surpresas, covers para "Silver Rider" e "Monkey", dos nossos queridos Low. Dá-lhe Robert. Diz-se que Robert Plant e a Band Of Joy estão em digressão no sul dos Estados Unidos durante o mês de Julho, e que serão anunciadas novas datas brevemente. Resta esperar que Portugal esteja nos planos dele.
"Hello? Is this thing on"? Ah, pronto, já estamos em directo para todo o país. A ocasião serve para informar que a banda furacão da Califórnia vai voltar a pisar solo nacional em Novembro. Dia 9 e 10 de Novembro, no Lux e Teatro Sá da Bandeira, em Lisboa e no Porto, respectivamente, os Chk Chk Chk vêm pôr a malta a dançar naquela que deverá consagrar a apresentação do novo disco Strange Weather, Isn't It? em Portugal. Por enquanto, "AM/FM" já anda a rodar pelos ouvidos da malta e, depois de actuações absolutamente contagiantes em Paredes de Coura - corriam os anos de 2005 e 2006 -, podemos dizer que estamos prontos para os ouvir, para dançar e delirar num concerto em nome próprio. 25 euros, por favor!!!
Will Holland não desiste. Poderia ser teimosia, casmurra e sem sentido de responsabilidade. Mas nada disso. Quantic é um verdadeiro animal sem trela, mas nunca vadio. Fiel ao ideal de ter o mundo na palma da sua mão, este homem, ano após ano, não degenera. Especialmente nestes últimos anos em que se instalou na Colômbia e daí tem operado com muita persistência, virando e revirando a tradição da música local (cumbia), integrando-a numa matriz que também contempla as coordenadas da música das Caraíbas, o jazz e, o seu velho amor, o funk. É a forma singular e coerente como compõe e produz (com o recurso frequente de músicos da américa-latina) que Quantic consegue fazer soar como suas sonoridades como a rumba, a cumbia, o reggae ou o dub. E o preparado está longe do instantâneo, apesar de tudo começar a ser cada vez mais natural para britânico. É como se todos sons lhe fossem ingénitos e lhe corressem no sangue desde sempre.
A comprovar uma vez mais a proficiência e a versatilidade de Quantic está o novo trabalho em que apresenta uma vez mais o projecto Flowering Inferno. O novo registo chama-se Dog With a Rope e é mais um excelente exemplo da habilidade de Holland em integrar os mais diversos sons com as mais diversas proveniências numa única e coesa massa. Indo mais além que Death Of The Revolution de 2008 (leia-se menos chato), Dog With a Rope prova inequivocamente que há mais pontos em comum entre a rumba, a cumbia ou o dub (o grande King Tubby continua vivo!) que as diferenças que os separam. Por ter uma visão universal da música abdicando de fronteiras que apenas restringem o olhar, este disco já merece a mais lisonjeira vénia do melómano.
Deixamos aqui como aperitivo dois temas do alinhamento do excelente Dog With a Rope:
A contagem decrescente já havia começado assim que se anunciou nova edição em Barcelos; agora que estamos a menos de dois dias, a altura em que o coração começa a palpitar, o corpo treme e sua, e os minutos contam-se lentamente como no 24, não há maneira de não nos sentirmos como putos em noite de Natal. A pergunta que se impõe: conseguirá a cidade que se tornou num dos grandes pólos do rock em Portugal aguentar com tanta pujança eléctrica? Vamos por partes; para além dos filhos da terra - Black Bombaim, Glockenwise ou Alto!, há ainda os reunidos Karma To Burn, Monotonix ou o heavy metal drogado dos Electric Wizard (Nuclear warheads ready to strike!). Isto para fãs da riffalhada, claro. Para os mariquinhas (brincadeira...) existe a feira tropical de El Guincho, o chillwave/hypnagogic pop/não interessa: é bom de Toro Y Moi, ou a pop balear dos Delorean, cujo recente Subiza se apresenta como um dos salvadores deste verão. Não chega? Então a isto tudo junte-se o carismático Mark E. Smith e os seus The Fall, o que só por si é razão suficiente para fugir cinco dias ao trabalho e fazer 350km para ouvir os resultados da última jornada da Premier League (sem esquecer Your Future Our Clutter, o mais recente - e fantástico - trabalho). E entre tantos nomes conhecidos, aqueles que um dia o serão: Dreams, Sizo, PAUS, Long Way To Alaska. Três dias, três palcos, trêsecinco euros. Milhões de Festões garantidos.
São um objecto musical não totalmente identificado e a piada está no aparente disparate de unir sons aparentados aos de gente como Excepter, Black Dice ou Gang Gang Dance ao hip-hop mais exibicionista. Interessados no lado mais poser do hip-hop, aquele que se orgulha de mostrar folhas de erva, e na alienação hedonista da malta de Brooklyn, os Hype Williams, trio que se divide entre Londres e Nova Iorque, estão entre nós. Amanhã tocam no Lounge, em Lisboa, sexta no Bambi, na Praia de S. Pedro de Moel, na Marinha Grande, e sábado em Barcelos, no festival Milhões de Festa.