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Moomin
A Minor Thought
· 04 Abr 2016 · 12:34 ·
Moomin
A Minor Thought
2016
Smallville Records


Sítios oficiais:
- Moomin
- Smallville Records
Moomin
A Minor Thought
2016
Smallville Records


Sítios oficiais:
- Moomin
- Smallville Records
Não há pragmatismo. Ou austeridade. Apenas uma calorosa democracia.
Da Alemanha não vem só technocracia. Ou pragmatismo. Ou austeridade. Por lá também existem sonhadores descomprometidos com aquela espécie de identidade nacional. A cena techno é por onde os alemães mais se distinguem: em Berlim, Ostgut Ton; ou em Colónia, a Kompakt. Mas existem outros distritos, menos óbvios – mas presentes: a Smallville Records é um desses lugares onde (demoradamente) acontecem coisas interessantes; ela não tem uma regularidade como a Ostgut Ton ou a Kompakt; emergência/ urgência não são estados que importem na Hein Hoyer Strasse, em Hamburgo: o último grande disco da Smallville saiu em 2008: Songs From The Beehive, e juntou os colossos Move D e Benjamin Brunn.

Fazer pouco, mas fazer bem. E acima de tudo, saber sonhar de olhos abertos. Entre Christopher Rau ou STL, a Smallville também acolheu Moomin: ele chama-se Sebastian Gen. A sua estreia em longo formato foi em 2011: The Story About You viu a luz do dia poucos meses volvidos sobre a edição do seu primeiro EP – um facto inusual já que muitos produtores passam anos e anos a abusar do formato 12” em busca de identidade estética.

Cinco anos depois de The Story About You, Moomin mantém-se fiel às suas linhas orientadoras: deep-house com partituras rítmicas marteladas no Roland 808 em contraste com melodias planantes e exóticas entremeadas com samplers smoth-jazz, pop e soul de origens duvidosas. Não há muito a distinguir The Story About You do novo A minor Thougth a não ser a (relativa) maturidade.

Este novo disco é um esforço de coerência. É deep-house que não quer ter nada a ver com o que se faz na América neste momento – não quer ter nada a ver com o que Moodyman ou Theo Parish fizeram nos últimos anos. E mesmo assim é Detroit. É Chicago. É Larry Heard. Também é um pouco de Nova Iorque, via Blue Six – numa lamecha reminiscência. E numa realidade paralela, o mui consistente "Woman to Woman" (o tema seis do alinhamento) é uma espécie de remistura duma qualquer aventura pueril que os Lemon Jelly tiveram em 2000.

Estamos – absolutamente – a vários quilómetros dos pólos que caracterizam a technocracia alemã – amiúde distópica. Mas também separados da espiritualidade da soul norte-americana. Falamos, basicamente, de um som que navega divertido entre as margens cosmopolitas do rio Elba em busca de um porto seguro onde atracar com confiança. Com isto não dizemos que a música esteja de todo desorientada, mas, e com honestidade, já será justo afirmar que ela ainda padece de alguma insegurança narrativa.

A textura de A minor Thougth é repetitiva – um claro eufemismo para teimosa. Para além do sentimento de alguma programação em quase piloto-automático, o alinhamento vale pela doçura das ambiências, pela candura melódica: o disco é num ambíguo empilhamento de trejeitos soul, funk, pop e filosofia balearica – em que há muito, mas ao mesmo tempo não há nada de muito concreto. É um disco reconfortante, sonhador – apesar dos lugares comuns que replica aqui e ali. Ouve-se com gosto enquanto se aguardam outras deambulações mais provocantes. Democraticamente, aceitável.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
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