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Future of the Left
Travels With Myself and Another
· 05 Out 2009 · 01:06 ·
Future of the Left
Travels With Myself and Another
2009
4AD / Popstock


Sítios oficiais:
- Future of the Left
- 4AD
- Popstock
Future of the Left
Travels With Myself and Another
2009
4AD / Popstock


Sítios oficiais:
- Future of the Left
- 4AD
- Popstock
Canções inspiradas pela pior casa-de-banho do País de Gales cortam nas mãos de quadrilha pós-hardcore impressionantemente fiável.
Alguém perfeitamente embriagado entra num bar com a intenção exclusiva de armar porrada com um dos três clientes presentes: o Sr. Les Savy Fav, o Sr. Shellac e o Sr. Future of the Left (todos mal encarados). O que alguém não sabia é que minutos antes o Sr. Future of the Left já tinha procurado um lugar privilegiado com vontade de partir a cara do primeiro a entrar no bar. A cegueira rock que afecta o Sr. Future of the Left é a de quem reclama o direito a aplicar a primeira chapada. Faz isso com que o golpe em Travels With Myself and Another surja nos riffs e ímpeto das canções servidas como anedotas porcas (próximas de imaginárias versões, mais distorcidas e hostis, do clássico “Big Balls”, dos AC/DC).

Não é de estranhar tal natureza agressiva, quando a explicação reside na árvore genealógica do arruaceiro: os Future of the Left herdaram dos Mclusky o vocalista e guitarrista Andy “Falko” Falkous e o baterista Jack Egglestone, e dos Jarcrew o baixista Kelson Mathias, após ruptura de ambas as bandas. Se a presente década não passou em vão, o nome dos Mclusky deve por esta altura eriçar uns quantos pêlos no rego de quem ama o rock que aponta ao estômago. Assim foram os Mclusky, gloriosamente despretensiosos, muito por culpa da associação com o “produtor” Steve Albini, que sempre fez por salientar a eminência e provocação na banda de Cardiff, em vez de adequá-los a qualquer tara brit passageira.

Travels With Myself and Another, o segundo a cabo dos Future of the Left, é tão eficaz e pujante, na chama que transporta da dinastia Mclusky, que, em pouco tempo, gera saudades dos tempos em que Nick Oliveri dinamizava os Queens of the Stone Age com a tusa do demónio e uma perversão desmedida (perto dos seus extremos, a voz de Andy Falkous relembra a de Oliveri). Tematicamente, os Future of the Left não andam longe dos mesmos universos, onde o consumo de álcool é essencial e a alma só tem utilidade quando vendida ao diabo (“You Need Satan More Than He Needs You” tem uma machadada de sintetizador com o pentagrama invertido tatuado na testa).

Através de uma lógica retroactiva, Travels With Myself and Another serve até para repor o bom nome da 4AD, que recentemente abrigou um disco vergonhoso dos Big Pink (repetidamente validado pelo mais exagerado hype deste ano). Serve, além disso, como excelente lenha para a fogueira onde ardem as diferenças entre Shooting at Unarmed Men (o drama, o horror, a tragédia) e Future of the Left, as duas metades que sobraram do átomo Mclusky. Ardemos então na chama obtida por um dos discos do ano que os tem bem no sítio.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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