Rock In Rio 2016
Parque da Belavista, Lisboa
19-20 e 27-29 Maio 2016
Dia Quatro

Quem diria que no Rock In Rio também se descobrem coisas bonitas? Tínhamos vindo a adiar a escuta dos Mighty Sands, e eis que o grupo vem ao festival mostrar grande mestria nessa coisa maravilhosa que é o rock jangly, ideal para fins de tarde e caipirinha na mão. Isto sim, é música de sunsets, sem tirar o mérito às compilações do Café Del Mar. Calminha e saborosa como se quer. Queremos ouvir mais, muito mais: mandem promos. (PAC)

No intervalo entre os Mighty Sands e a tempestade, o Palco Vodafone foi prematuramente inundado pelos Capitão Fausto. Ali, o vocalista que lembrou-me muito Joseph Mount (vocalista dos Metronomy), fez-me perceber que às vezes é melhor não olhar para o céu em dias de mau tempo. Principalmente quando se tem uma banda desta qualidade à frente. Capitão Fausto Têm Os Dias Contados foi arrebatador naquela tarde, e acredito que seria em muitas outras. De certeza que o público concorda, a julgar pela energia que ali era desperdiçada em cada salto. E de facto, os temas tocados tornaram impossível a inércia de quem ali estava. Muitos jovens a sorrir, a compreenderem que este novo álbum é como um gerador de cenários cool, com banda sonora impecável. Onde os dias são mais cantados que contados.

O Palco EDP Rock Street era, sem dúvidas, o mais brasileiro desta edição. Simoninha, filho do gigante Wilson Simonal, foi quem trouxe mais um generoso pedaço de Brasil para o Rock in Rio. E o público se deu conta disto. A rua do rock rapidamente se encheu de quem sabe bem o que é batuque. E soube mesmo bem ouvir os clássicos de Jorge Ben Jor: o rei do samba sem sambar e o especialista em riso sem motivo. Os temas mais conhecidos eram acompanhados instantaneamente pelo público. Os que não conheciam “Chove, Chuva”, passaram a conhecer naquela hora. Como festa nenhuma se faz sozinho, convidados especiais subiram para completar. O primeiro, um amigo do cantor subiu ao palco para dar um contributo. Depois, o sambista Carlinhos de Jesus mostrou como se dança à sério. E a banda, claro, foi absolutamente incrível. Acompanharam quase todos os artistas deste palco durante o festival, e brilharam sempre. Juntos de Simoninha, me trouxeram de volta um concerto de Jorge Ben que eu nunca tive. (MM)

Assomados pela saída de Matt Mondanile e entrada de Julian Lynch, apenas dois dias antes do concerto no Rock In Rio, os Real Estate trouxeram consigo a chuva; foram poucos aqueles que se posicionaram em frente ao palco, outros tantos recostados nas árvores. E, mesmo esses, estavam munidos de lençóis, sofás, chapéus, o que tivessem à mão, enfim, o que os fizesse esquecer que aquela era uma tarde imprópria a primaveras. Os Real Estate agradeceram o gesto e assinalaram um concerto impecável, entre canções como "Had To Hear" e "It's Real", entre piadas mais ou menos engraçadas sobre o estado do tempo e entre a correria da malta que procurou alcançar uma de muitas capas impermeáveis que foram atiradas do palco, a meio do concerto. Como prenda aos resistentes, apresentaram um tema novo - mas, mais do que isso, deram um concerto "real"; e proporcionaram um daqueles momentos que só acontecem em festivais a sério. (PAC)
· 12 Jun 2016 · 10:23 ·

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