DISCOS
Atari Teenage Riot
Is This Hyperreal?
· 31 Mai 2011 · 17:47 ·

Atari Teenage Riot
Is This Hyperreal?
2011
Dim Mak
Sítios oficiais:
- Atari Teenage Riot
- Dim Mak
Is This Hyperreal?
2011
Dim Mak
Sítios oficiais:
- Atari Teenage Riot
- Dim Mak

Atari Teenage Riot
Is This Hyperreal?
2011
Dim Mak
Sítios oficiais:
- Atari Teenage Riot
- Dim Mak
Is This Hyperreal?
2011
Dim Mak
Sítios oficiais:
- Atari Teenage Riot
- Dim Mak
O monstro criado por Alec Empire regressa e nós voltamos a acreditar que é possível vencer o sistema.
Um bom tema para um sociólogo ou aspirante a tal será tentar perceber porque é que de um momento para o outro se tornou "mau" ou "fora de moda" criar música com uma forte componente política. Nos últimos anos tem-se assistido a um certo estado de alienação que, salvo algumas excepções consignadas ao punk ou àqueles que já o faziam antes (os Muse não são para aqui chamados), atinge todos os espectros do umbrella term que é a música pop, longe de qualquer discussão em torno do underground/mainstream, já que a falta de Bob Dylans ou Ian MacKayes atinge tanto o top 40 como o campo alternativo. E não há como não negar a estranheza de tudo isto, principalmente quando os tempos são precisamente de crise e da revolta que vem sempre por detrás. Em contraponto, poder-se-à argumentar que no chillwave existe na verdade uma forte componente política, pois que é música pop feita por quem não tem acesso aos meios de produção das grandes estrelas - a.k.a., as classes desfavorecidas a querer fazer valer a sua voz. Mas em termos da mensagem, a não ser que tal se faça subtilmente, a política deixou de ter o seu espaço na canção.
E então regressam os Atari Teenage Riot. Uma banda que jamais teve vergonha de se assumir politizada, resvalando até por vezes para o terreno do anarco-juvenil, mas nunca negando que os seus ideais eram parte inseparável da sua música - música que nasceu, inclusive, após os célebres conflitos que opuseram os ravers ao sistema instituído. E começamos desde já por afirmar: Is This Hyperreal? é um álbum com um som datado. Felizmente que nenhum dicionário nos dará a definição de "datado" como "péssimo". Aquilo que nos levou primeiro aos ATR - a batida forte, os sintetizadores retro-futuristas na melhor tradição cyberpunk e as guitarras gamadas ao thrash soam tão bem hoje como soavam em 1995. O que é sempre de salutar, e que os coloca num patamar bastante superior ao daquelas bandas que enceta um regresso anos depois de se terem retirado e acabam sempre por cheirar a mofo; a música e, principalmente, a mensagem dos germânicos acaba por ser tão relevante agora como foi ontem. E isto não é hype, são factos reais.
A mensagem, então, para se ouvir bebendo um cocktail molotov: a luta incessante contra a corrupção, a favor de um sistema sem líderes e, principalmente, contra a falta de liberdade que se quer impôr à internet - ou não se ouvisse, ao início de "Black Flags", uma bonita referência a um certo "grupo" tornado famoso por um fórum pouco recomendável que é talvez a prova maior de como a internet pode gerar uma revolução ou no mínimo uma bandeira. Não podemos deixar de salientar uma certa contradição com o que se disse anteriormente sobre alienação quando temos em conta que se aliaram à Dim Mak de Steve Aoki, cuja marca de electro house hedonista será igualmente responsável pela mesma. Mas é um mero acaso que não faz dos alemães hipócritas, e qualquer pensamento nesse sentido é de imediato abafado pelo mote de "Activate!": Music is a weapon, sounds like a threat / Let the bass terrorise there’s no turning back!. Não será a revolução uma festa?
Ainda que do original só reste mesmo o cabecilha Empire, Nic Endo encontra aqui um papel deixado em branco pela saída de Hanin Elias: o da riot grrl enérgica e carregada de espírito, como em "Blood In My Eyes", onde a faixa é toda sua, ou no refrão gritado em conjunto de "Black Flags". Mas será no peso de "Re-Arrange Your Synapses", que se destaca por ser uma diatribe contra a própria internet que querem resgatar das mãos burocráticas e corporativistas, que Is This Hyperreal? encontra o seu tema de maior expressão. "The Collapse Of History" encerra o disco de forma épica e com o domínio final da máquina, ecoando ao mesmo tempo a enorme "Destroy 2000 Years Of Culture" de The Future Of War". O regresso dos ATR, que talvez até se tenha receado pelos motivos expostos, não é então nada de insatisfatório. Continuam a lançar frases para se escreverem em cartazes e/ou grafitarem nas paredes, continuam a compôr malhas raise-your-fist-in-the-fucking-air próprias para se reclamarem as ruas, e continuam a soar a eles mesmos - nada mais, nada menos. Que comecem os motins!
Paulo CecílioE então regressam os Atari Teenage Riot. Uma banda que jamais teve vergonha de se assumir politizada, resvalando até por vezes para o terreno do anarco-juvenil, mas nunca negando que os seus ideais eram parte inseparável da sua música - música que nasceu, inclusive, após os célebres conflitos que opuseram os ravers ao sistema instituído. E começamos desde já por afirmar: Is This Hyperreal? é um álbum com um som datado. Felizmente que nenhum dicionário nos dará a definição de "datado" como "péssimo". Aquilo que nos levou primeiro aos ATR - a batida forte, os sintetizadores retro-futuristas na melhor tradição cyberpunk e as guitarras gamadas ao thrash soam tão bem hoje como soavam em 1995. O que é sempre de salutar, e que os coloca num patamar bastante superior ao daquelas bandas que enceta um regresso anos depois de se terem retirado e acabam sempre por cheirar a mofo; a música e, principalmente, a mensagem dos germânicos acaba por ser tão relevante agora como foi ontem. E isto não é hype, são factos reais.
A mensagem, então, para se ouvir bebendo um cocktail molotov: a luta incessante contra a corrupção, a favor de um sistema sem líderes e, principalmente, contra a falta de liberdade que se quer impôr à internet - ou não se ouvisse, ao início de "Black Flags", uma bonita referência a um certo "grupo" tornado famoso por um fórum pouco recomendável que é talvez a prova maior de como a internet pode gerar uma revolução ou no mínimo uma bandeira. Não podemos deixar de salientar uma certa contradição com o que se disse anteriormente sobre alienação quando temos em conta que se aliaram à Dim Mak de Steve Aoki, cuja marca de electro house hedonista será igualmente responsável pela mesma. Mas é um mero acaso que não faz dos alemães hipócritas, e qualquer pensamento nesse sentido é de imediato abafado pelo mote de "Activate!": Music is a weapon, sounds like a threat / Let the bass terrorise there’s no turning back!. Não será a revolução uma festa?
Ainda que do original só reste mesmo o cabecilha Empire, Nic Endo encontra aqui um papel deixado em branco pela saída de Hanin Elias: o da riot grrl enérgica e carregada de espírito, como em "Blood In My Eyes", onde a faixa é toda sua, ou no refrão gritado em conjunto de "Black Flags". Mas será no peso de "Re-Arrange Your Synapses", que se destaca por ser uma diatribe contra a própria internet que querem resgatar das mãos burocráticas e corporativistas, que Is This Hyperreal? encontra o seu tema de maior expressão. "The Collapse Of History" encerra o disco de forma épica e com o domínio final da máquina, ecoando ao mesmo tempo a enorme "Destroy 2000 Years Of Culture" de The Future Of War". O regresso dos ATR, que talvez até se tenha receado pelos motivos expostos, não é então nada de insatisfatório. Continuam a lançar frases para se escreverem em cartazes e/ou grafitarem nas paredes, continuam a compôr malhas raise-your-fist-in-the-fucking-air próprias para se reclamarem as ruas, e continuam a soar a eles mesmos - nada mais, nada menos. Que comecem os motins!
pauloandrececilio@gmail.com
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