ENTREVISTAS
Vetiver
A arte da ausência
· 11 Set 2006 · 08:00 ·
© Andrew Paynter
Desde o início, os Vetiver foram alinhados com o freak folk, e não se pode dizer que tenha acontecido à toa. Como se já não bastasse o tema que surge na compilação The Golden Apples of the Sun, da responsabilidade de Devendra Banhart, os Vetiver contam ainda nas suas fileiras (de forma mais ou menos declarada) com o rei da freak folk: o mesmo Devendra Banhart. Com o segundo disco, o belíssimo To Find Me Gone, Andy Cabic e os Vetiver parecem separar-se definitivamente da categoria que lhes atiraram para cima, retirando o freak para ficarem ‘apenas’ com o folk. Apenas como quem diz. É que i>To Find Me Gone é apenas um dos melhores discos folk do ano. Agora os Vetiver marcam presença em Portugal para dois concertos: o primeiro na Galeria Zé dos Bois, no dia 16 de Setembro; o segundo, no dia seguinte, na Casa da Música, no Porto. Em entrevista ao Bodyspace, Andy Cabic abre o livro dos Vetiver e lê-nos as melhores páginas.

O que nos podes dizer sobre os dias em que a tua relação com a música começou e sobre os dias em que os Vetiver nasceram?

Eu tenho tocado música desde os dias em que aprendi a tocar canções dos REM na minha guitarra durante a escola secundária. Comecei a apresentar canções com o nome Vetiver há quatro anos atrás, primeiro tocando com o Devendra Banhart e gradualmente adicionando outras pessoas ao grupo.

Nos anos que se seguiram ao lançamento do primeiro disco andaste pelo mundo em digressão intensivamente tanto com os Vetiver como com as várias incarnações do emsemble de digressão do Devendra. O que é que nos podes contar acerca dessa experiência?

A comida de avião é horrível, aprendi a dormir adequadamente numa posição em pé, aprendi que Kyoto é uma das cidades mais bonitas do mundo, a nunca verificar a guitarra acústica num voo com uma mala merdosa, e que andar em digressão é muito “despacha-te e espera”, mas há sempre momentos pelos quais vale a pena esperar.

© Noa Azoulay

To Find Me Gone, o teu Segundo disco, chega dois anos depois do álbum de estreia. O que é que mudou desde o primeiro disco com os Vetiver? Parece-me que To Find Me Gone, de certa forma encapsula os dois últimos anos da banda de uma forma muito especial…

Encapsula alguma coisa, de certa forma, mas eu não tenho a certeza se sei o que é. Os arranjos e os performers no novo disco são diferentes, e eu estava a puxar por um som mais cheio e desenvlvido. As canções vêm mais ou menos do mesmo período daquelas do primeiro disco, por isso é aí que reside alguma da continuidade.

Gravaste To Find Me Gone com uma enorme quantidade de amigos e musicos, um procedimento comum nas bandas que gravitam em redor dos Vetiver. O que é que procuravas com esta variedade especifica de contributos?

Bons tempos, bons amigos, uma sessão divertida, memórias apreciáveis.

Qual é a posição actual do Devendra Banhart nos Vetiver?

Pose de camelo… ustrasana [pose de Yoga].

© Noa Azoulay

Como é para ti viver em São Francisco? Como vês a música que tem vindo a ser feita nessa área?

Eu vejo a música com os meus ouvidos, e parece-me óptima dessa forma. Existe muita gente talentosa aqui, seguindo as suas musas e a tocar pelo prazer de tocar e os amigos deles pelo mesmo caminho. Por isso é um óptimo sítio para viver e uma inspiração.

Vens a Portugal para dois concertos, um na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, e o outro na Casa da Música, no Porto. O que é que esperas desses dois concertos?

Cortiça à borla? Muito vinho do Porto? Caras sorridentes e amigas e os ventos impetuosos da história a soprarem sobre mim.

André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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