bodyspace.net


Vetiver
A arte da ausência


Desde o in√≠cio, os Vetiver foram alinhados com o freak folk, e n√£o se pode dizer que tenha acontecido √† toa. Como se j√° n√£o bastasse o tema que surge na compila√ß√£o The Golden Apples of the Sun, da responsabilidade de Devendra Banhart, os Vetiver contam ainda nas suas fileiras (de forma mais ou menos declarada) com o rei da freak folk: o mesmo Devendra Banhart. Com o segundo disco, o bel√≠ssimo To Find Me Gone, Andy Cabic e os Vetiver parecem separar-se definitivamente da categoria que lhes atiraram para cima, retirando o freak para ficarem ‚Äėapenas‚Äô com o folk. Apenas como quem diz. √Č que i>To Find Me Gone √© apenas um dos melhores discos folk do ano. Agora os Vetiver marcam presen√ßa em Portugal para dois concertos: o primeiro na Galeria Z√© dos Bois, no dia 16 de Setembro; o segundo, no dia seguinte, na Casa da M√ļsica, no Porto. Em entrevista ao Bodyspace, Andy Cabic abre o livro dos Vetiver e l√™-nos as melhores p√°ginas.

O que nos podes dizer sobre os dias em que a tua rela√ß√£o com a m√ļsica come√ßou e sobre os dias em que os Vetiver nasceram?

Eu tenho tocado m√ļsica desde os dias em que aprendi a tocar can√ß√Ķes dos REM na minha guitarra durante a escola secund√°ria. Comecei a apresentar can√ß√Ķes com o nome Vetiver h√° quatro anos atr√°s, primeiro tocando com o Devendra Banhart e gradualmente adicionando outras pessoas ao grupo.

Nos anos que se seguiram ao lan√ßamento do primeiro disco andaste pelo mundo em digress√£o intensivamente tanto com os Vetiver como com as v√°rias incarna√ß√Ķes do emsemble de digress√£o do Devendra. O que √© que nos podes contar acerca dessa experi√™ncia?

A comida de avi√£o √© horr√≠vel, aprendi a dormir adequadamente numa posi√ß√£o em p√©, aprendi que Kyoto √© uma das cidades mais bonitas do mundo, a nunca verificar a guitarra ac√ļstica num voo com uma mala merdosa, e que andar em digress√£o √© muito ‚Äúdespacha-te e espera‚ÄĚ, mas h√° sempre momentos pelos quais vale a pena esperar.

© Noa Azoulay

To Find Me Gone, o teu Segundo disco, chega dois anos depois do √°lbum de estreia. O que √© que mudou desde o primeiro disco com os Vetiver? Parece-me que To Find Me Gone, de certa forma encapsula os dois √ļltimos anos da banda de uma forma muito especial‚Ķ

Encapsula alguma coisa, de certa forma, mas eu n√£o tenho a certeza se sei o que √©. Os arranjos e os performers no novo disco s√£o diferentes, e eu estava a puxar por um som mais cheio e desenvlvido. As can√ß√Ķes v√™m mais ou menos do mesmo per√≠odo daquelas do primeiro disco, por isso √© a√≠ que reside alguma da continuidade.

Gravaste To Find Me Gone com uma enorme quantidade de amigos e musicos, um procedimento comum nas bandas que gravitam em redor dos Vetiver. O que é que procuravas com esta variedade especifica de contributos?

Bons tempos, bons amigos, uma sessão divertida, memórias apreciáveis.

Qual é a posição actual do Devendra Banhart nos Vetiver?

Pose de camelo… ustrasana [pose de Yoga].

© Noa Azoulay

Como √© para ti viver em S√£o Francisco? Como v√™s a m√ļsica que tem vindo a ser feita nessa √°rea?

Eu vejo a m√ļsica com os meus ouvidos, e parece-me √≥ptima dessa forma. Existe muita gente talentosa aqui, seguindo as suas musas e a tocar pelo prazer de tocar e os amigos deles pelo mesmo caminho. Por isso √© um √≥ptimo s√≠tio para viver e uma inspira√ß√£o.

Vens a Portugal para dois concertos, um na Galeria Z√© dos Bois, em Lisboa, e o outro na Casa da M√ļsica, no Porto. O que √© que esperas desses dois concertos?

Cortiça à borla? Muito vinho do Porto? Caras sorridentes e amigas e os ventos impetuosos da história a soprarem sobre mim.


André Gomes
andregomes@bodyspace.net
11/09/2006