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Toy
Toy
· 09 Abr 2006 · 08:00 ·
Toy
Toy
2006
Smalltown Supersound


Sítios oficiais:
- Smalltown Supersound
Toy
Toy
2006
Smalltown Supersound


Sítios oficiais:
- Smalltown Supersound
Não seja feita qualquer confusão entre os homónimos, apesar de ao arauto da canção popular portuguesa se conhecerem refrões prontinhos a serem entoados por crianças traquinas com menos de 8 anos ("Aguenta-te com esta / A culpa não foi minha, tu é que querias festa" é tão apetecivelmente primário quanto um tufo de algodão doce). Além de esclarecer por si só a intencionalidade lúdica do projecto a que serve de nome, Toy descreve o resultado de um feliz encontro numa loja de discos entre o inglês Alisdair Stirling e o norueguês Jorgen Traeen, ambos habituados à movida musical das cidades em que residem e aqui empenhados em aplicar uma sagaz sensibilidade catchy à emulação de temas para séries infantis imaginárias. Não foi ao acaso que atribuí a este um lugar junto de dois discos editados no Japão que cata a pop mundial a partir de Shibuya-Kei - Toy conta com a referencialidade cosmopolita própria do bairro de Tóquio que aprendeu a catalizar a sua devoção pela pop internacional para os discos de Pizzicato Five ou Fantastic Plastic Machine. Mesmo assim, por imposição da premissa a que se propõe, apresenta-se adaptado à variante de ser um disco que capta fórmulas pop clássicas e diamantinas (“Rabbit pushing Mower” soa a ABBA à mercê da vontade animada do lendário Vasco Granja) para limá-las até adquirirem um perfil cartoonesco. Além disso, atirar pérolas a um personagem tão simpático quanto Porky Pig não parece assim tão descabido. Imaginemos que era eliminada toda a heresia e características rock a Suspended Animation, disco que os Fantômas conceptualizaram em torno de Abril e dos desenhos de Yoshitomo Nara, e sobrava apenas o slapstick e alguma perversão. Uma versão Daft Punkiana desse – com a insuflação de eficácia que isso implica - não distaria muito deste Toy. Apesar de depender do tal pacto nostálgico que já foi mencionado, Toy exibe níveis de produção por si só capazes de “pescar” a atenção de ídolos pop que dependam o sucesso de um próximo hit para continuarem em jogo mediático. É quase cruel não ceder a um disco que termina com um crepúsculo pintado a cera e as notas musicais desavergonhadamente infantis no lugar dos sapatos de Fred Astaire. Toy representa um apontamento curioso a registar ao primeiro semestre de 2006.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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