DISCOS
Jorge Palma
No Tempo dos Assassinos
· 09 Out 2002 · 08:00 ·
Jorge Palma
No Tempo dos Assassinos
2002
EMI - Valentim de Carvalho


Sítios oficiais:
- EMI - Valentim de Carvalho
Jorge Palma
No Tempo dos Assassinos
2002
EMI - Valentim de Carvalho


Sítios oficiais:
- EMI - Valentim de Carvalho
“No tempo dos assassinos, o tempo de todos os hinos, quem mais jura quem mais mente(...)”. Foi exactamente desta música (a última do segundo CD) que foi retirado o título deste disco ao vivo. “No Tempo dos Assassinos” é um olhar singular e único da obra de Jorge Palma, interpretado ao vivo e quase sempre com Palma sozinho, no piano ou na viola.

Jorge palma estreou-se em disco no já distante ano de 1975, mas o seu primeiro single (“The nine billion names of God”) foi lançado em 1972. “No Tempo dos Assasinos” serve portanto como comemoração dos trinta anos de carreira daquele que é um dos melhores músicos nacionais. Apesar de já longínqua carreira, Palma apenas lançou até 2002 oito discos de originais. Este CD tem portanto uma grande parte da obra de Palma. São exactamente 33 canções distribuídas por dois discos, que contêm algumas pérolas que já teimavam cair no esquecimento, mas que são agora oportunamente relembradas.

Jorge Palma tem à sua volta uma certa aura muito característica dos artistas boémios, para quem viver a vida bem vivida sem condições ou restrições é um lema a seguir e uma forma de estar. Podia muito bem estar neste momento descansado, caso tivesse seguido os conselhos de sua mãe e fosse um pianista de fato e gravata a dar concertos na Gulbenkian e no Centro Cultural de Belém. Mas não, nunca foi isso quis (e tinha condições para tal). Sempre achou a música pop/rock mais interessante que a clássica, e até era essa música que tocava pelas estações metropolitanas por essa Europa.

Neste concerto é nos mostrado um repertório de músicas invejável, que certamente muitos artistas do nosso pequeno burgo gostariam de ter. Canções de luta e de inconformidade, tal e qual um reflexo do próprio Palma, sempre contrabalançadas pelo outro lado, o amor. Uma capacidade única de escrever e compor, que resulta em temas de uma qualidade muito acima da média. Canções do fora-da-lei e do bairro do amor, da Senhora da Solidão e do Zé, sempre cantadas e escutadas com um brilhozinho nos olhos. “Tempo dos Assasinos”, “Duas Amigas” ou “Acorda Menina Linda” são alguns temas pouco conhecidos de Palma, mas que são agora relembrados e revividos. Sem este disco, ficariam certamente nas prateleiras cheias de pó por entre discos de vinil e CD’s.

Foram poucos os que tiveram a oportunidade de assistir aos concertos (eu não tive), mas todos quantos o fizeram saírem do Teatro Villaret diferentes. Diz-se que foram diferentes de tudo aquelas noites, e isso passa claramente no CD. O ambiente transbordava a energia, as canções estavam no formato que lhes é mais favorável, e Palma é por si só único, e um excelente instrumentista. Como dizia bem David Ferreira no inlay do disco, é cada vez mais desviada a atenção dos ouvintes dos concertos para um sem número de aparatos e efeitos cénicos. Aquelas noites não foram assim. Esteve quase sempre apenas uma pessoa em palco com uma guitarra e um piano. Isso não se “vê” no disco, mas mais que importante que isso, sente-se.
Tiago Gonçalves
tgoncalves@bodyspace.net
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