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Tortoise
Standards
· 29 Jul 2002 · 08:00 ·
Tortoise
Standards
2000
Thrill Jockey


Sítios oficiais:
- Tortoise
- Thrill Jockey
Tortoise
Standards
2000
Thrill Jockey


Sítios oficiais:
- Tortoise
- Thrill Jockey
Falar nos Tortoise é falar da ponta mais visível de um imenso iceberg de músicos de Chicago rotulados como ícones do post-rock. Com efeito, embora os Tortoise se centrem na figura do genial baterista John McEntire, à sua volta gravita um sound-system que proporcionou experiências tão interessantes como os Isotope 217 ou os The Sea And Cake.

Standards representa todas as investigações sonoras alcançadas ao longo dos doze anos de existência dos Tortoise, percorrendo atmosferas sempre inquietantes e nunca nos deixando respirar, e sempre com o travo dissonante que os caracteriza. Definir este álbum como jazz ou electrónica seria castrador, devido à imensidão de estilos e recursos usados.

Começando com um prolongado zénite de bateria e guitarra quase a fazer lembrar qualquer jam session de Jimi Hendrix, Standars parte para um jogo sonoro muito tenso, sempre evitando batidas simples ou melodias catchy. Pelo contrário, existe uma aproximação ao free jazz, ao improviso conjugado com a repetição, quase obsessiva, de motivos melódicos, à dissonância, e que afasta os Tortoise da especulação de um rumo tomado em direcção à electrónica europeia de índole mais experimental, como os Mouse on Mars ou Autechre.

No entanto aparecem momentos soberbos de acalmia (Firefly - não esquecendo a referência ambígua ao Rock Progressivo e ao Jazz de Fusão no final), pontuados por notas soltas da guitarra de Jeff Parker, em perfeita sintonia com o resto dos Tortoise. Impressionam as subtilezas melódicas subjacentes principalmente à relação baixo/ guitarra/ vibraphone, e a riqueza de texturas do álbum, sem no entanto perder um sentimento de tensão sempre evidente. A música dos Tortoise não nos deixa pensar (porque já é ela própria um fio de pensamento), infiltra-se lentamente e mergulha-nos num estado de hipnose(Eden 2- tão próxima dos Massive Attack de Mezzanine). Aparecem também momentos de delicada descontracção - sempre entrecortadas por sons obscuros e dissonantes - mais próprios de um álbum de The Sea and Cake (Six Pack), mas sem qualquer vestígio da alegria realmente contagiante destes - quase como se essa descontracção fosse terrivelmente cínica, quase sarcástica, como contraponto à frieza do resto de Standards.

É igualmente essencial referir BlackJack e Monica, devido à surpresa parcial que elas representam. A primeira basicamente pelo elevadíssimo tempo e pela fantástica linha de baixo, que seduzem imediatamente... Mais estranha é a entrada de Monica, que soa a tudo menos Tortoise, parecendo mais um sintetizador de um Top Hit dos anos 80, convertendo-se porém, à medida que a música evolui, para um momento algo singular em Standards...

Speakeasy é um momento de introspecção sonora, onde se deixam os instrumentos falar - aliás, num álbum puramente instrumental, é crucial a expressividade dos instrumentos, e é aí que Standards é tão essencial...na linguagem tão clara da guitarra ou da bateria, e como cada nota representa uma palavra...

Para quem quiser saber mais:
Mogwai - "Young Team"
Massive Attack - "Mezzanine"
Mouse on Mars - "Ideology"
Stereolab - "Sound-Dust"
Nuno Cruz
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