DISCOS
Pareidolia
Selon le vent
· 05 Jun 2019 · 11:47 ·
Pareidolia
Selon le vent
2018
JACC


Sítios oficiais:
- JACC
Pareidolia
Selon le vent
2018
JACC


Sítios oficiais:
- JACC
Improvisação que surpreende.
“A pareidolia é um fenómeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia.”

É esta a primeira explicação que surge na internet e é esse o nome do novo grupo que trabalha a improvisação livre. Este trio é formado pelo português João Camões (viola) e os franceses Gabriel Lemaire (saxofones alto e barítono e clarinete alto) e Yves Arques (piano). Camões é um jovem músico português que utiliza a viola d’arco e tem trabalhado no campo da improvisação livre, onde se destaca a sua participação nos grupos Open Field String Trio (Marcelo dos Reis e José Miguel Pereira), Earnear (com Rodrigo Pinheiro e Miguel Mira) e Nuova Camerata (com Carlos Zíngaro, Ulrich Mitzlaff, Miguel Leiria Pereira e Pedro Carneiro).

Nos últimos anos João Camões desenvolveu contactos com a cena improvisada francesa, incluindo uma estadia em Paris, um trabalho que foi documentado em vários registos, destacando-se o disco “Autres Paysages” - gravado em trio com Jean-Marc Foussat e Jean-Luc Cappozzo (edição Clean Feed, 2017). Os franceses Lemaire e Arques já tinham colaborado em duo, parceria que foi registada no disco “De L'eau La Nuit” (Tricollection, 2015). A adição do português acaba de condicionar a música e orientá-la para uma vertente de improvisação de câmara.

Este disco é o resultado de uma residência artística promovida pelo Jazz ao Centro em Coimbra, no ano de 2016, que culminou num concerto no Convento de S. Francisco. O disco é constituído por duas faixas, de aproximadamente quinze minutos cada. No primeiro tema, “Himmelskino”, o trio arranca numa exploração textural, combinando o som dos instrumentos numa massa una que vai evoluindo com tranquilidade, com contenção, injectando e cruzando ideias de forma sóbria – com excepção da interessante convulsão sónica nos minutos finais. Na segunda faixa, “Herzkino”, o trio transforma-se em quarteto, com a adição do contrabaixo de Alvaro Rosso, músico uruguaio a residir em Lisboa. O ambiente é diferente, há mais confronto e reação, tensão e explosão; em contraste, o final desta segunda faixa acaba por soar surpreendentemente lírico, sobretudo pela intervenção do piano. Neste seu disco de estreia o grupo Pareidolia apresenta uma música aberta que nunca deixa de surpreender.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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