DISCOS
The Youths
The First Two Years (1976-1978)
· 19 Jan 2018 · 16:36 ·
The Youths
The First Two Years (1976-1978)
2017
Regulator Records


Sítios oficiais:
- The Youths
- Regulator Records
The Youths
The First Two Years (1976-1978)
2017
Regulator Records


Sítios oficiais:
- The Youths
- Regulator Records
The kids were alright.
Em 2006, o mundo era ainda uma bomba-relógio e não a sua explosão. A crise já havia chegado a Portugal, coisa estranha para um país que praticamente se gaba de receber as modas com atraso. Cavaco Silva era eleito Presidente da República, sucedendo a Ramsés III. A selecção de Scolari era uma vez mais vergada nas meias-finais de uma competição internacional de futebol pela França, uma malapata que parecia ser um dado adquirido para a eternidade. A palavra "Simplex" entrou no léxico de todos nós. E o período mais fértil da música portuguesa começava, ainda a dar os primeiros passos.

Dentro desse meio e querendo alhear-se desse meio nasciam os The Youths, banda formada a partir de elementos dos Vicious Five, ZxExDx e Day Of The Dead. O intuito? Enfiar uma dose generosa de alienação adolescente em canções punk rock de um ou dois minutos, que espelhassem o marasmo que se fazia sentir em Lisboa e seus subúrbios (e, por arrasto, no país inteiro). Em dois anos, lançaram dois 7'', obtiveram excelentes críticas - especializadas e não tanto - e tocaram não só em Portugal como também em Espanha e na Alemanha. Desapareceram pouco depois, sem rodeios ou choradeira.

Ei-los que regressam agora aos palcos, já o mundo que os viu nascer ficou para trás: a Geringonça funciona, Portugal é campeão europeu e Salvador Sobral conquistou o maior prémio de sempre da música portuguesa. Faz sentido uma reunião destas? Um cínico dirá que não. Um realista continuará a ver nas canções dos The Youths toda a raiva que ora por ora é libertada por gente aborrecida com guitarras e acesso a uma garagem. The First Two Years (1976-1978), compilação cujo título é ao mesmo tempo uma piada e uma forma de dar conta das influências da banda (sobretudo punk, porque o punk não morre nunca), reúne os discos que os The Youths lançaram nesse período em que queriam fazer coisas, por oposição a vê-las acontecer. Não é um acontecimento nostálgico, é um lembrete: de que a banda existiu, de que já estivemos muito na merda, de que nunca se deve sobrevalorizar um grupo de gajos com vontade de partir tudo.

Foi o que fizeram durante uns tempos e é o que continuam a fazer numa compilação que não chega nem aos vinte minutos - porque estas canções não precisam de muitos mais para ser cruas e directas, porque a "Generationless" basta-lhes as guitarras para que a malha continue a fazer sentido década após década para dezenas de putos nascidos em alturas diferentes, porque as bandeiras continuarão a ser pretas enquanto houver gente que defende até à morte as coloridas, porque "Zombie Youth" é uma descrição tão boa como qualquer outra para definir quem nada faz e só se queixa. Por breves instantes, a adolescência está de volta. Que se mantenha intacta.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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