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Led Zeppelin
Led Zeppelin
· 31 Mar 2004 · 09:00 ·
Led Zeppelin
Led Zeppelin
1969
Atlantic


Sítios oficiais:
- Led Zeppelin
- Atlantic
Led Zeppelin
Led Zeppelin
1969
Atlantic


Sítios oficiais:
- Led Zeppelin
- Atlantic
Decorria o décimo segundo dia do primeiro mês de 1969 quando o disco homónimo dos Led Zeppelin foi editado numa Inglaterra que recebia, ao mesmo tempo, Let It Bleed dos Rolling Stones e Yellow Submarine e Abbey Road dos Beatles, por entre outras conquistas musicais. Depois da transformação dos Yardbirds em cinzas, Jimmy Page, que até então tinha alinhado pela banda conhecida pelo trio Clapton, Beck e Page, convida John Paul Jones para o baixo, Robert Plant (um jovem que cantava em bares para ganhar dinheiro para comer e tinha passado por algumas, poucas, bandas antes de se juntar ao seu projecto de sempre) para a voz, e, por último, John Bonham, que até chegou a receber um convite para se juntar a Joe Cocker. O nome Led Zeppelin, sugerido por Keith Moon, baterista dos The Who que, e em jeito de piada, se referiu à banda como um possível desastre de zepelim, já não era estranho para muita gente, pois a banda tinha vindo a dar alguns concertos pela Inglaterra (especialmente em universidades e em pavilhões) ainda com o nome de New Yardbirds. Na capa do disco, mostra-se um zepelim em chamas pronto a embater no solo. Talvez isso fosse o prenúncio que alguma coisa de marcante se preparava para acontecer.

O motivo? O hard-rock. Mas não é só. Led Zeppelin é um misto de blues, folk, rock psicadélico e até - pasme-se - punk. Apesar de tudo, quase todas as canções do primeiro registo da banda têm por base o blues embora revestido, pois, pelo heavy rock. Os riffs de Jimmy Page são viciantes e coloridas viagens pelos mais diversos territórios musicais. A voz de Robert Plant é incendiária e deflagradora de letras alusivas a sexo, amor ou adolescência. A forma de John Paul Jones tocar o baixo é atrevida, excitante e nova: embora fosse uma pessoa reservada (não são quase todos os baixistas pessoas discretas?), o baixo, nas suas mãos, parecia envolto em raiva, delirante. John Bonham completava o quarteto com a sua distinta e destrutiva forma de tocar bateria - nunca mais alguém soou assim.

“Good Times Bad Times” abre o disco e logo aí se nota que é maioritariamente de rock que se fala neste disco. Quando Robert Plant diz “in the days of my youth, I was told what it means to be a man, now I've reached that age, I've tried to do all those things the best I can” fazia já antever as famosas e selváticas festas com as groupies e todo o rock'n'roll way of life que marcariam os próximos anos. “Babe I’m Gonna Leave You”, que até começa com um arpeggio acústico, rapidamente se transforma em fúria. É a canção mais confessional dos nove temas que compõem o disco e prova a diversidade estilística que a banda tinha para oferecer. “You Shook Me” e “I Can’t Quit You Babe”, dois originais de Willie Dixon, são revistos pelos Led Zeppelin em versões cruas e fumarentas deixando no ar uma névoa espessa de blues. Em “Dazed and Confused” tudo é demoníaco. Se é verdade que os Led Zeppelin praticavam culto ao demónio, este é hino de agradecimento, o mais profundo acto de veneração. É uma canção cheia de mistério, envolta no mais profundo culto secreto: o baixo comunica com a bateria, a guitarra (tocada com um arco de violino e com um som arrastado e profundo) com a voz. Repetem-se as coordenadas, e cria-se a ansiedade até à manifestação súbita de raiva que é a explosão relampejante que se pode ouvir na canção. "Dazed and Confused" é conhecida, ainda hoje, como uma das melhores canções que os Led Zeppelin alguma vez fizeram. E com toda a razão.

A maior surpresa do disco será, facilmente, “Communication Breakdown”. É um motim, um espasmo, uma investida punk que dura dois minutos e vinte e sete segundos: começa, destrói tudo e deixa as cinzas no chão, espalhadas pelo triunfante solo de guitarra de Page. Para terminar em beleza, “How Many More Times”, exercício rock em forma de jam que conta mais uma vez com o arco de violino na guitarra de Jimmy Page e com ambientes marcadamente psicadélicos. O baixo de John Paul Jones, saltitante, guia toda a canção e arrasta consigo a guitarra electrizante de Page até uma parte mais dada ao improviso, cheia de alma e misticismo: os breaks de Bonham sucedem-se uns aos outros; junta-se depois a guitarra dilacerante de Page e as letras inflamatórias de Plant: “oh, Rosie, oh, girl. Steal away now, steal away. Little Robert Anthony wants to come and play”.

Embora a crítica tenha ficado dividida com o álbum de estreia, os mais atentos sabiam que os Led Zeppelin tinham chegado para ficar. Era notória a magia que havia entre os quatro músicos quer em disco, quer nos concertos ao vivo. Para o bem ou para o mal, os Led Zeppelin tiveram uma notória influência no que ao hard-rock e ao heavy metal diz respeito. O resto, bem, o resto é história.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net
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