DISCOS
Black Dirt Oak
Wawayanda Patent
· 07 Jan 2014 · 18:35 ·
Black Dirt Oak
Wawayanda Patent
2014
MIE Music


Sítios oficiais:
- MIE Music
Black Dirt Oak
Wawayanda Patent
2014
MIE Music


Sítios oficiais:
- MIE Music
Psicadelismo rural.
O que acontece quando membros dos Pelt, No Neck Blues Band e Desert Heat, entre muitas outras bandas com propensão para a experimentação e para o psicadelismo, se juntam num só colectivo, se refugiam num estúdio campestre a oeste de Nova Iorque e se dedicam - imaginamos nós - a conversas intermináveis sobre a vida, o cosmos, as drogas, a música que admiram e as filosofias que cada um leva para a almofada no conforto de suas casas? Acontece Wawayanda Patent, disco creditado aos Black Dirt Oak, que para todos os efeitos são um supergrupo. Pois bem, também este é um superdisco...

Sem nunca perder o seu norte psicadélico, Wawayanda Patent soa-nos a um compêndio de muitas das boas coisas que os últimos cinquenta anos nos ofereceram, da folk pastoral à country, do kraut à electrónica, do blues às importações orientais. Nove faixas escritas por quem sabe exactamente a estrada que quer percorrer, nem que seja por uma vez só, e como lá chegar: através de banjos, através de drum machines, através de um fio de electricidade a escorrer da guitarra, através de vozes xamânicas cheirando a chá de folhas desconhecidas. O fantasma dos Master Musicians of Bukkake paira de vez em quando, mas os Black Dirt Oak parecem-nos ter algo de ainda mais especial, uma subtileza divina que se entranha após horas e horas a apreciar esta viagem, cara colada ao vidro do comboio enquanto os choupos dizem adeus impulsionados pela brisa calma do campo. Belo, sim, apaziguador, ainda mais.

Desengane-se quem ouça os primeiros segundos de "The Real Crow" e pense que a chonice está omnipresente no disco. Minutos depois serão bombardeados com "Demon Directive", propulsão funk e os Suicide menos virados para a cidade e mais para a alegria de correrem nus entre os arbustos, e no final a cacofonia contida de "Crowning The Bard", violinos e ritmos chocando entre si para terminar a viagem com um misto de alívio e de receio, o mesmo que surge quando damos por nós num lugar inteiramente novo. Wawayanda Patent pode não o ser, mas soa como se o fosse. Por vezes é só isso que nos basta.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net
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