DISCOS
Ladytron
Gravity The Seducer
· 10 Out 2011 · 09:48 ·
Ladytron
Gravity The Seducer
2011
Nettwerk


Sítios oficiais:
- Ladytron
- Nettwerk
Ladytron
Gravity The Seducer
2011
Nettwerk


Sítios oficiais:
- Ladytron
- Nettwerk
A synth-pop depende do final dos parágrafos. Estes fazem page breaks como ninguém.
Tudo ramifica em “West End Girls”, o single que encarreirou os Pet Shop Boys para uma ilustre carreira que já ultrapassou as bodas de prata. Recordemos o som de sopros sintetizados dessa música, o ambiente de espionagem à 80s, o modo como Neil Tennant completava cada verso, como mudava o tom da voz do pré-refrão para o pronunciar do título da canção propriamente dita. Nessa obra-prima concentrava-se tudo o que interessa na synth-pop. Por mais que bandas como os Metronomy tentem fazer crer que tudo se pode resumir a um equivalente lo-fi, é nas obras como os meios ou a mania das grandezas que este género atinge o seu zénite.

Têm os Ladytron os meios após 12 anos de carreira? Deviam, mas não têm. Têm a mania? Muito provavelmente. E assim, continuam a fazer discos que passam despercebidos quando deviam ocupar os lugares cimeiros das tabelas ao lado de gente talentosa como os La Roux. Merecem-no porque aprenderam a lição certa dos Professores Tennant e Lowe. Tudo gira à volta de como se torce o botão da melodia aquele niquinho mais para o lado. Helen Marnie e Mira Aroyo sabem fazê-lo tão bem, que aquilo que devia ser linear, ou seja, a saída de ar da boca, parece não ter limites e funcionar num modo côncavo. Não se está a falar em melismas nem nada parecido. Fala-se de dar à música exactamente o que ela precisa. O equivalente a uma guitarra e voz numa canção de blues.

De exemplos está “Gravity The Seduc er” cheio. Por exemplo, nos arranjos à John Barry de “White Elephant”, no falso épico de “White Gold”, na perfeição reluzente de “Ace Of Hz” (ao nível de uma “International Dateline”), na marcha de “Ah aaaaahs” de “Ambulance”, ou na dançável “Melting Ice”. Cada uma destas canções contem fraseados melódicos que, tal como uma boa “punchline” no hiphop, abrem os olhos para que repitamos na nossa cabeça aquilo por que acabámos de passar. A acompanhar as vozes, os sintetizadores, ocasionalmente acompanhados de bateria, de Reuben Wu e Daniel Hunt, ora caminham por pontes suspensas, ora fazem de prisma, de espelho, de cristal ou se distorcem. Mesmo quando sabemos que não são os instrumentos a que pretendem soar perdoamos-lhes, porque encaixam lindamente na música.

E agora a parte confessional. “Gravity The Seducer” não é o melhor álbum dos Ladytron. Essa honra continuará a pertencer a “Witching Hour”. Existem falhas no disco, como a instrumental “Transparent Days”, ou a semi-declamada “Altitude Blues”. É nos pontos altos que me quis focar por uma razão simples. São pontos pelos quais esta banda merece todo o destaque do mundo. Na próxima chuva de estrelas cadentas, estejam atentos. Quem sabe se entre a queda de duas, não se ouvirá algo tão simples como “The East End boys and West End Girls”, ou então “My iceberg of trust”.
Nuno Proença
nunoproenca@gmail.com
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