DISCOS
Panda Bear
Tomboy
· 15 Abr 2011 · 15:47 ·
Panda Bear
Tomboy
2011
Paw Tracks / Flur


Sítios oficiais:
- Panda Bear
- Paw Tracks
- Flur
Panda Bear
Tomboy
2011
Paw Tracks / Flur


Sítios oficiais:
- Panda Bear
- Paw Tracks
- Flur
Panda Bear, és a nossa fé.
O que poderíamos esperar depois do brilhante/alucinante Person Pitch? Tratando-se de Panda Bear, figura tutelar da música criativa do início do século XXI, membro dos Animal Collective (AC), a mais importante banda - pop-rock/tudo à volta - da década 00, a expectativa era enorme. E o sucessivo adiamento da edição foi aumentando essa expectativa, cada vez mais perigosa. Já sabíamos que vinha aí material substancialmente diferente: foram os singles, saindo às pinguinhas; foram os youtubes das músicas ao vivo, vistos repetidas vezes. E foram, sobretudo, aqueles dois concertos: primeiro, no Lux em Fevereiro do ano passado, aquela completa estranheza/desilusão; depois, no Out.Fest em Outubro, a reconciliação, a familiaridade com algumas daquelas canções.

Apesar das novas misturas e dos temas inéditos, nem à primeira audição Tomboy soa desconhecido, desde logo parece muito cá de casa. O disco nasce no arranque lento de “You can count on me”: a voz embrulhada num efeito fantasma, às voltas, estranhamente viciante. Entramos depois numa impressionante sequência de quatro temas incríveis. “Tomboy”/“Slow Motion”, dupla desvendada logo ao primeiro single: o primeiro a deixar o coração aos pulos; o segundo a abrandar um pouco (não muito); segue-se “Surfers Hymn”, mais próxima do universo AC, irrequieta, trepidante. Aquele início de disco diabólico culmina com “Last Night at the Jetty”, que cresce devagar mas vai desembocar no intenso refrão “I know, I know, I know, I know...” - talvez a mais brilhante do disco, uma daquelas que dá vontade de cantar ao vivo.

Os cinco temas iniciais já chegavam para justificar a existência do disco, mas Tomboynão se fica por aí. Há uma pausa com “Drone” (o nome é auto-explicativo) e a animação regressa com “Alsatian Darn” e o seu refrão que parece, novamente, roubado a AC – outro dos temas mais memoráveis do álbum. O ritmo desce com “Scheherezade”, momento introspectivo, voz sobre um piano soturno. Voltamos a subir com “Friendship Bracelet”, primeiro mais devagar, depois acelerando com “Afterburner”, coisa que (quase) daria para dançar em qualquer lado.

O final chega com o épico “Benfica”. Valeu a espera: “some might say that to win is not all that it's about (...) but there is nothing more true or natural than wanting to win”. Apesar da lentidão, a melodia tem a grandiosidade épica de um hino, apoiada pelas vozes dos adeptos em fundo, em perfeita fusão. Podíamos evocar milhares de metáforas, mas a música vale por si só. Em havendo justiça no mundo esta maravilhosa canção merecia passar nos altifalantes do Estádio da Luz, antes dos jogos.

Intrépido, Noah Lennox arriscou, mudou a táctica. Muito longe vão os tempos do iniciático disco homónimo, de 1998 editado na sua editora Soccer Star (belo nome), longe já vai Young Prayer (muito colado à fase folk-experimental dos AC) e também já passaram quatro anos desde o bem sucedido Person Pitch. Na verdade, apesar de não o ser oficialmente, este Tomboy sofre da “síndrome do segundo disco”, uma vez que Person Pitch consistiu no verdadeiro momento de revelação e popularidade (relativa). Onde esse foi disco de Verão, colorido, intenso, alegre, Tomboy é disco de meia-estação, por vezes mais próximo da Primavera, outras vezes no Outono, sempre difícil de catalogar. Menos directo, menos imediato, este é também um disco mais diverso, mais cheio.

Aqui não há canções tão fáceis, não há um clássico imediato como “Bros”. O método de produção foi diferente, agora não temos uma avalanche de samples, o material foi sendo criado e trabalhado de raíz. Se o processo mudou, o mesmo aconteceu com o resultado. Apesar de todas as mudanças, continuam as características que moldam a intemporalidade da música de Panda Bear: a inevitável associação às harmonias Beach Boys, a sobreposição de múltiplas camadas de som, trabalhadas como quem manobra filigrana. E, acima de tudo aquilo que se possa definir, a música vive numa indescritível irresistibilidade. Tomboy é um disco diferente, um conjunto coerente de canções que, parecendo de início discretas, crescem, se agigantam. Mesmo mudando a direcção, Noah Lennox não perde o rumo. Sabemos que podemos sempre contar com o nosso Panda.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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