DISCOS
Xiu Xiu
Dear God, I Hate Myself
· 04 Mar 2010 · 13:24 ·
Xiu Xiu
Dear God, I Hate Myself
2010
Kill Rock Stars


Sítios oficiais:
- Xiu Xiu
- Kill Rock Stars
Xiu Xiu
Dear God, I Hate Myself
2010
Kill Rock Stars


Sítios oficiais:
- Xiu Xiu
- Kill Rock Stars
O mais enérgico e alucinado dos últimos álbuns de Xiu Xiu revalida um compromisso neurótico cada vez mais presente.
São cada vez menos as dúvidas quanto ao facto de cada novo disco de Xiu Xiu aumentar o peso do compromisso na música de Jamie Stewart. Era esse, enfim, o preço a pagar por toda uma década preenchida por esta saga reconhecidamente triste no tratamento da trindade “família, política e sexo”. Depois de explorar exaustivamente esses temas, recorrendo a electrónica de choque e a música de câmara distorcida, Jamie Stewart atraiçoaria a companhia que adora miséria caso decidisse cantar as maravilhas da vida com uma guitarra acústica. Diante desse cenário, o fã típico de Xiu Xiu teria até legitimidade para pensar: ”andei eu todos estes anos a rastejar ao lado deste cabrão para agora ter de apanhar com o “disco alegre”…”. Dear God, I Hate Myself ainda não comporta esse tipo de traição, mas é o mais animado e impetuoso disco de Xiu Xiu até aqui, apesar de tudo o que se esconde além da superfície indicar precisamente o contrário.

Dear God, I Hate Myself não é, de facto, o tal “disco alegre”, até porque o índice de desgostos de Jamie Stewart parece ter dilatado desde que lhe medimos o pulso em Women As Lovers (que até abria com uma canção de amor). Nesse âmbito dos desgostos, somos, desta vez, obrigados a descobrir que efeitos teve a saída de Caralee McElroy (a prima determinante nos últimos três discos) na vitalidade e orientação da banda. E a verdade é que o (des)equilíbrio hormonal destes Xiu Xiu não é o mesmo sem aqueles momentos em que Caralee podia teatralizar o seu feminino com significante liberdade (como esquecer a marcha de emancipação “Hello from Eau Claire”?). Os próprios vídeos de estúdio mais recentes revelam um Jamie Stewart mais solitário e abatido. A essa fobia acresce outra imposta por um disco que o coloca de novo à prova. Jamie Stewart é ou não suficiente para manter a pertinência dos Xiu Xiu?

A necessidade de fugir a tudo isso leva a que Dear God, I Hate Myself seja um disco guiado a uma velocidade anormal (trava apenas na aproximação aos Joy Division com “Falkland Rd.”). Enquanto tantos outros álbuns alternavam entre a hi-nrg genética e algumas passagens compenetradas (próximas da oração), Dear God, I Hate Myself nunca chega a parar para reflectir sobre a sua tristeza. Se La Forêt passava às vezes por disco “pastilhado” para gente atormentada (além disso, é excelente para guiar de noite), Dear God, I Hate Myself parece desesperado em desfazer tópicos de angústia com a velocidade-luz das suas canções. Xiu Xiu clássico.

À semelhança do anterior Women as Lovers, a nova desventura de Xiu Xiu sofre com algumas decisões: Jamie Stewart parece ter apostado na estratégia do exagero (mil gongos e efeitos sonoros de Nintendo encapsulados em 3 minutos) a desfavor dos arranjos simples que fizeram de “Clowne Towne” e “Save Me Save Me” grandes canções intemporais. Mesmo assim, os méritos de Jamie Stewart como arranjista voltaram a estar salientes em faixas como “Hyunhye's Theme” ou “This Too Shall Pass Away (for Freddy)”. Dear God, I Hate Myself tem um valor próprio apto a crescer com o tempo. Há que saber suportar a megalomania e tentar a adaptação possível ao andamento destes Xiu Xiu. O rapaz odeia-se e seria quase imoral abandoná-lo agora.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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