DISCOS
Jessica Lea Mayfield
With Blasphemy So Heartfelt
· 04 Fev 2010 · 21:20 ·
Jessica Lea Mayfield
With Blasphemy So Heartfelt
2009
Munich Records BV / Nuevos Medios


Sítios oficiais:
- Jessica Lea Mayfield
- Munich Records BV
- Nuevos Medios
Jessica Lea Mayfield
With Blasphemy So Heartfelt
2009
Munich Records BV / Nuevos Medios


Sítios oficiais:
- Jessica Lea Mayfield
- Munich Records BV
- Nuevos Medios
Será pecado achar que as canções fofas de uma jovem americana saíram favorecidas pela experiência de Dan Auerbach, dos Black Keys?
Apesar do esforço, Courtney Love nunca deixou de ser uma compositora altamente beneficiada pela proximidade de Kurt Cobain e Billy Corgan (não me atrevo a incluir Evan Dando), que, segundo os rumores, davam um jeitinho nas canções das Hole sempre que possível. Neste imbróglio, especular sobre o papel de Kurt Cobain em Live Through This, o único álbum das Hole que ainda se aguenta, passou a ser visto como um ataque ao valor individual de Courtney. Ataque esse de que a viúva se dizia vítima apenas porque ousou ser mulher num universo (rock) supostamente reservado aos homens (por força da viciação dos jornalistas, imagine-se). Há que reconhecer o mérito do álibi e a mestria com que Courtney Love o manipulou. O próprio Everett True, na sua extensa biografia sobre os Nirvana, reforça muitas vezes que a sua amiga Courtney merecia maior aclamação. Descreve depois longas conversas ao telefone e "amassos" que não foram mais longe só por acaso. O nome do homem é True - logo deve ser verdade.

Com isto, sinto-me prestes a cometer um pecado por achar que, numa escala menor e salvaguardadas as diferenças, Jessica Lea Mayfield muito depende da colaboração de Dan Auerbach, metade dos honrosos Black Keys, para que este seu segundo álbum acumule interesse. Não quer isto dizer que estes esboços de country e folk sejam comprometedores para a linda jovem de 20 anos. A verdade é que não seriam os mesmos sem os instrumentos e a produção que Dan Auerbach empresta a With Blasphemy So Heartfelt. No fundo, Dan Auerbach consegue prolongar a inspiração e o charme de Keep It Hid (a sua impressionante estreia a solo) nas atmosferas de bar americano que atribuem um valioso tom néon a canções sobre telefonemas que tardam e outros dramas.

Algumas destas tentativas ficam a meio caminho entre "Wonderwall", a super-balada dos Oasis, e aquilo que poderia ser um disco a solo de Meg White imaginado a partir de "In the Cold, Cold Night" (a súplica nocturna de Elephant, dos White Stripes). Outras relembram o intimismo de Leonor Correia (ex-Can’t Sing for Shit e agora Malaise) pelos melhores motivos ou a pieguice de Lisa Loeb (um êxito e um par de óculos reconhecível) pelos piores.

Para o bem e para o mal, With Blasphemy So Hearfelt vive consumido por um sentimento de vem brincar com a minha bichana que faz frio (um bocado como “In the Cold, Cold Night”, dos White Stripes). A culpa aqui é da K Records e de todos aqueles discos em que a promiscuidade e o ímpeto juvenil funcionam a favor de uma pop natural e livre de embaraços. Jessica Lea Mayfield está no bom caminho. Inversamente, Courtney Love pode apenas culpar-se a si mesma por nunca ter prestado a devida atenção aos Beat Happening.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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