DISCOS
Kenneth Kirschner
Filaments & Voids
· 03 Nov 2009 · 13:56 ·
Kenneth Kirschner
Filaments & Voids
2008
12 k


Sítios oficiais:
- Kenneth Kirschner
- 12 k
Kenneth Kirschner
Filaments & Voids
2008
12 k


Sítios oficiais:
- Kenneth Kirschner
- 12 k
De quantos silêncios se faz a existência do drone? O piano tratado de Kirschner confere resposta exaustiva.
Quiseram os aficionados e as enciclopédias estabelecer o drone como nome para aquilo que, na música, representa a perpetuação contínua de uma nota ou de um acorde, não deixando o termo de albergar também o ruído mais amorfo. Além disso, o drone permanece, desde sempre, associado a experiências de imersão em som puro e ao que isso tem de transcendental. A introdução (básica) é necessária, quando em mãos se encontra Filaments & Voids, tese armazenada em disco duplo dedicada à influência do silêncio no drone, e vice-versa. Um destemido Kenneth Kirschner opta uma vez mais pelo piano, que é, desde há muito, o seu instrumento-laboratório, para questionar e até subverter o drone.

Submisso a um dos muitos mecanismos pendulares, o piano “vai e vem” em duas das etapas de Filaments & Voids. Com isso, o drone passa a ser intermitente e sensível a transformações a cada vez que esconde o rosto. Na prática, a rotatividade, verificada nos 73 minutos de “March 16, 2006”, forma um quarto escuro, em que as diferentes transfigurações do piano pairam como pirilampos. Nada é garantido. Nem sequer a tendência benigna ou maligna de um piano, que tantas vezes oscila entre a melancolia desfalecente de William Basinski e outras incursões mais negras.

Por outro lado, quando o silêncio é apenas sugestão, Filaments & Voids fica suspenso. A segunda peça (“September 11, 1996”), por exemplo, nunca deixa que o silêncio assente por completo, pois esmorece deixando cauda e ergue-se novamente antes de interromper as nuances de piano adulterado.

E é assim que dois discos físicos contribuem para a formação de dois discos mentais distintos: um formado pelo silêncio, como estímulo para um drone imaginário, e outro composto pelo drone concreto perturbado pela omissão. Embora tudo isto pareça chato em palavras, Kenneth Kirschner conseguiu salientar quatro perspectivas diferentes para quebrar com o dogma do drone. Filaments & Voids não deixará, mesmo assim, de ser um disco facultativo, mas um daqueles que abre espaços no preconceito, um pouco como o silêncio no murmúrio do drone.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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