DISCOS
The Right Moves
The End of the Empire
· 29 Jun 2009 · 21:21 ·
The Right Moves
The End of the Empire
2009
Ultramarine Records


Sítios oficiais:
- The Right Moves
- Ultramarine Records
The Right Moves
The End of the Empire
2009
Ultramarine Records


Sítios oficiais:
- The Right Moves
- Ultramarine Records
Freak Out italo-americano revela-se pronto para amedrontar patriotas ianques.
Por onde andam os bons discos de freak out autêntico? Os últimos dois anos não foram particularmente generosos em termos de guitarras desorientadas ou baterias sovadas com a violência de uma besta que assimilou o jazz a partir de folhas soltas. Não desesperemos (os CAVEIRA continuam no activo), porque de Itália sopram ventos de esperança para quem não passa sem a dose mensal de freak out parido à bruta: a Ultramarine Records estreia-se nas edições com The End of the Empire, o segundo cocktail molotov dos Right Moves, a cruzada de ruído que une a esgana de Ninni Morgia, Stuart Popejoy e Kevin Shea.

As autoridades alfandegárias conhecem bem os envolvidos: o guitarrista italiano Ninni Morgia, tantas vezes solicitado como improvisador, personifica o fervor da Catania onde nasceu; Kevin Shea semeia estardalhaço por onde passa e maldiz ex-colaboradores em cada entrevista que dá (pontos para ele). Gravado em Brooklyn, The End of the Empire recupera, como pode, a bravura que levou Jimi Hendrix a questionar o patriotismo americano interpretando um dos seus principais símbolos, o hino “The Star Spangled Banner”. The End of the Empire adivinha males para a América quando deixa uma guitarra eloquente (quase Ted Nugent) ser constantemente trucidada pela bateria de Kevin Shea (habituado à demolição dos Talibam!).

Embora não fossem os mais óbvios suspeitos para citação num contexto de freak out, os Yo La Tengo atreveram-se recentemente a um brilhante momento psicadélico que passou algo despercebido. Na música que compuseram para os filmes de Jean Painlevé, conhecida, no seu conjunto, como The Sounds of Science, o trio de Nova Jérsia descolou da calmaria indie para, através de um duradouro espasmo psicadélico, acompanhar as imagens da multiplicação de cristais líquidos. Freak out cientifico, talvez. The End of the Empire reproduz momentos igualmente epidémicos, em que a guitarra e bateria alinham num despique cego que não respeita qualquer progressão ou coesão – transforma tudo em cinza. Até a América.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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