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Nadja
Touched
· 17 Jul 2007 · 08:00 ·
Nadja
Touched
2007
Altern8


Sítios oficiais:
- Altern8
Nadja
Touched
2007
Altern8


Sítios oficiais:
- Altern8
Nasceram os dentes do siso ao Adasmator em disco de metal mortificado e com a assinatura do sempre fiável Aidan Baker.
Surpreendem as sensações de voos altos e experiências astronómicas que proporciona o metal lentamente arrastado que mais habitualmente se associa a um plano térreo. De certa forma, assim acontece porque a limitação da superfície terrestre é incompatível com a massa sonora que adensam instituições – ou exemplos óbvios - como os Earth ou os Sunn o))). Como quase sempre acontece no peculiar âmbito das sonoridades de dimensões mais titânicas, uma movimentação declarada em determinado sentido merece invariavelmente uma resistência arqui-rival, uma oposição quase física oferecida por uma anti-matéria. Serve isto para colocar à esquerda e à direita de um mesmo versus, os nomes de Jesu e o seu mais recente Conqueror e o de Nadja ladeado por este Touched.

Agora que Justin Broadrick transformou os fabulosos Jesu numa sonda em busca de lucidez e revelações espirituais (antídotos de experiências mais tóxicas), Aidan Baker e Leah Buckareff antagonizam esse clarear com um disco que maximiza todas as sensações garantidas por uma viagem pelo subsolo que, neste caso, vais sendo perfurado por uma guitarra e baixo, e todo o turbilhão de distorção circundante que faz com que soem os primeiros como os dentes do siso mais indesejados pelo Adamastor.

Para triunfar na execução de tão hercúlea tarefa, tem de ser volumoso o caule acumulado na gestão moribunda do drone que fende crateras e no ampliar de ruído branco efervescente. Galactus, o vilão Marvel que devora planetas, tem em alguém tão prolífico e sábio como Aidan Baker o seu Surfista Prateado que necessita apenas de uma guitarra para anunciar a vontade cósmica do seu mestre. A julgar pelo que se escuta em Touched, a vontade de uma qualquer entidade maior é mesmo interromper a oxigenação do cérebro com riffs circulares que progridem apenas no feedback, manifestar dolência através de guturais e altamente manipulada vozes doom e, até mesmo, ameaçar clausura indeterminada na programação inalterada de uma drum machine que marca os pés da besta na areia.

O transe imposto por um disco que nada faz por declarar a sua progressão (quase imperceptível ao longo de uma hora) impede que lhe sejam dedicados pensamentos finais muito elaborados. Aidan Baker persiste em não falhar e, com Touched, ameaça conquistar parte do território transcendentalmente negro que Justin Broadrick tornou terra de ninguém com o rumo mais melódico de Conqueror.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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