Milhões de Festa
Barcelos
21-24 Jul 2016
21 Julho

O Milhões de Festa regressou a Barcelos no pico do calor do Verão e arrancou com o habitual “dia zero”, no dia 21 de Junho, apresentando concertos apenas no palco Taina - os concertos na Piscina, palco principal AKA Milhões e palco Lovers só arrancariam no dia seguinte. O palco Taina, que este ano se mudou para o recinto do festival, esteve colocado ao lado do palco principal e, nesse primeiro dia de actuações contou com um total de oito actuações. O palco abriu às 18h00 e pelas 19h00 actuou MADA TREKU, da Favela Discos. Já não chegámos a tempo de o ouvir, mas ainda vimos o rock sujo dos Vozzyow, galegos que conseguiram reunir ao redor do Taina uma pequena aglomeração de público atento. Entre concertos ouviu-se um interessante diálogo entre electrónica e trompete (a informação não constava no programa oficial) e seguiu-se depois o projecto nacional PO+AL. Este é um duo que junta Pedro Oliveira na bateria (ex-Green Machine, peixe:avião e Dear Telephone) e Alexandre Soares na guitarra eléctrica (sim, esse mesmo, o histórico que passou pelos GNR, Três Tristes Tigres e Osso Vaidoso). A dupla desenvolveu uma longa exploração dialogante, assente na improvisação, entre os riffs da guitarra de Soares e a bateria de Oliveira, ambos adjuvados por efeitos electrónicos. A proposta prometia muito, o resultado não soou muito interessante, ganhando forma de rock genérico – também o público se mostrou globalmente desinteressado. Entre os concertos ouviu-se um ensemble numa exploração “new age” irónica (também não estava no programa e aquilo também era pessoal Favela Discos, certo?).

Seguiu-se depois uma das actuações mais esperadas da noite, com os americanos Eat the Turnbuckle. A sua música assenta num clássico rock pesado com letras sempre à volta de uma temática muito específica, essa magnífica instituição americana que é o “wrestling”. Se o seu hard rock não é memorável, a sua actuação é: entre as músicas os membros fazem breves combates encenados, simulando algumas cenas típicas da luta livre americana. O público divertiu-se, até houve um breve “mosh”. Voltando a música, actuaram seguidamente os portugueses 10.000 Russos. O trocadilho com o nome de Demis Roussos é divertido, sim, mas é bom lembrar que a sua música também vale a escuta, especialmente nos Aphrodite’s Child. Tal como essa banda de Roussos e Vangelis, também o trio português desenvolve uma música psicadélica, mas pratica um rock mais bruto, guitarra, baixo e bateria em confronto, desenhando espirais sónicas. Essa avalanche sónica foi um dos pontos altos desse dia inaugural do Milhões. A música continuaria pela noite fora, com actuações de Aggrenation, Jibóia e DJs da Casa, mas já não ficámos para ouvir esses sons mais tardios. Nuno Catarino
· 03 Ago 2016 · 00:58 ·

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