Super Bock em Stock
Lisboa
03-04 Dez 2008
Teatro Tivoli The Walkmen


The Walkmen © Vera Marmelo

A seu favor, os Walkmen contam com algumas qualidades que os descolam de muito subproduto vendido como a mais representativa entidade do rock nova-iorquino desde os Velvet Underground. Em primeiro lugar, tal como se percebe no Tivoli, os rapazes privilegiam o entrosamento e condensação de energia acima de uma pose que os saliente como banda elegante preparada para noite de gala. Como em poucos casos deste campeonato, há por aqui alguma fibra Dischord (adquirida na gestação em Washington) e uma amostra credível do caule que só pode ser adquirido na rua. Há também um single chamado “The Rat”, que é o “Creep” dos Walkmen. Noah Lennox, cidadão lisboeta mais conhecido por Panda Bear, reaproveitaria o termo usado para os Xutos & Pontapés e Guided By Voices e diria que são basicamente dudes a tocar rock (o vocalista parece-se um pouco com Dennis Quaid, o guitarrista principal não anda longe de um Keanu Reeeves aluado). Sim, tipos que alternam entre o aperfeiçoamento e a distorção de fábulas de angústia e contos de coração fracturado, em palco intensificados por uma formação variável que chega a ter duas guitarras, clavas e um órgão que se alastra. Os Walkmen precipitam-se no aumento da temperatura, até um ponto insuperável, quando jogam os seus principais trunfos de popularidade demasiado cedo: em segundos, “The Rat” virou a casa do avesso e o público passou de diagonal a fervorosamente vertical, “In the New Year”, tema de expectativas exacerbadas surgido no último You & Me, reclamou o seu lugar como alicerce obrigatório dos concertos de Walkmen daqui em diante. Com a estabilização de um fulgor que esmoreceu em “Canadian Girl” e noutros pontos menos cativantes, foi-se instalando um ambiente de baile de finalistas sofisticado propício a reencontros e a anedotas segredadas ao ouvido (O gajo às vezes não parece um bocado o Rod Stewart a cantar?!). Alguém, evidentemente confuso, reclamava um encore gritando:Interpol! Interpol! A decisão dos Walkmen foi, contudo, inflexível. Deve ser lindo perder uma namorada lá no Brooklyn. MA
· 08 Dez 2008 · 04:15 ·
Miguel Arsénio / Rodrigo Nogueira

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