All Points West Music & Arts Festival
Liberty State Park, New Jersey
8-10 Ago 2008

Não havia nada que enganar. No segundo dia a melhor forma de começar era com os Animal Collective que às 5 da tarde começavam um set não demasiado extenso, não demasiado curto. O suficiente e necessário para fazer daquele quase fim de tarde o melhor quase fim de tarde que podíamos imaginar. Não só porque Strawberry Jam, não sendo o melhor disco da banda, tem meia dúzia de grandes canções, mas também porque Feels anda ali perto e porque com os Animal Collective nunca se sabe muito bem o que esperar. A improvisação continua a ser um elemento central, o baralhar e voltar a dar é um prato forte da casa. É verdade que Panda Bear parece cada vez mais o líder dos Animal Collective (Person Pitch voltou a ser opção tal como aconteceu no concerto do Porto), mas as tarefas estão bem distribuídas por todos. E Avey Tare, à frente nas vozes, continua a dar aos Animal Collective um certo swing que estes precisam para levar as canções para outros territórios.

Animal Collective © Angela Costa

As novas explorações valem momentos muito interessantes. A constante necessidade de progressão e evolução faz com que um concerto dos Animal Collective seja uma espécie de ensaio ao vivo – com os riscos inerentes. Mas quando entram em material conhecido traçam-se laços sentimentais. “Fireworks”, com percussão imensa e vozes animalescas, foi um dos bons momentos dos Animal Collective. E como vai sendo habitual, o momento em que os Animal Collective trazem a palco um quase-samba fugidio – a explodir em mil ritmos – é uma excelente oportunidade para confirmar a importância nos Animal Collective nos dias que correm. Podem nunca mais voltar a dar ao mundo um álbum como Feels mas continuam a oportunidade a cada qual de manifestar o seu lado mais animalesco – socialmente aceitável – entre tantos outros seres humanos.

Em territórios um pouco mais comuns e formatados estão os Kings of Leon, um caso épico da banda com 2 ou 3 canções interessantes e bastante filler. Há muito rock, e muita energia e muita energia e o diabo a sete mas às tantas a coisa parece estar sempre em loop. Saltam à vista alguns singles, sente-se algum ímpeto e poder nas guitarras mas a coisa fica ali um pouco em águas de bacalhau. Não evolui e aquilo que não evolui, eventualmente, definha. Não terá sido propriamente mal do concerto, mas sim o reflexo da discografia pouco interessante dos Kings of Leon.

Kings of Leon © Angela Costa

À hora marcada, a mesma do dia anterior, os Radiohead não desiludiram os fãs que esgotaram por completo – com dias de antecedência – todos os bilhetes para o segundo dia do festival. Por respeito a si mesmos e aos que assistiram ao concerto do dia anterior, os Radiohead optaram por um alinhamento significativamente diferente. Abriram de uma das melhores formas possíveis: com “Reckoner”, uma das canções que melhor servem de prova para quem afirma que In Rainbows é um grande disco. “15 Steps” chegou logo a seguir como que a querer provar a mesma teoria. Mas pouco depois rumavam a Kid A para duas novidades no fim-de-semana: a sempre poderosa “The National Anthem” e a sempre delicada “Kid A”, numa belíssima sequência contrastante.

Radiohead © Angela Costa

Foi sempre - e mais uma vez – In Rainboys o actor principal mas toda a discografia dos Radiohead teve mais uma vez a oportunidade de espreitar. Uma das surpresas foi “Where I End And You Begin” de Hail to the Thief - emotiva e urgente como a conhecemos. “The Bends” saltou para evidenciar o estado de paz da banda com o seu passado, “Exit Music (For A Film)” apareceu de forma gentil para gelar e silenciar o público. No primeiro encore uma sequência memorável: “Pyramid Song” hipnótica como sempre, “Videotape” a mostrar como acaba e bem In Rainbows, “Airbag“ a lembrar um dos melhores discos dos 90 (e dedicada aos Kings of Leon), “Fake Plastic Trees” a despertar reacções nas vozes do público e “There There” a reafirmar-se como um bom single desta década. O segundo encore serviu apenas para confirmar – como se ainda restassem duvidas disso – que os Radiohead são uma das melhores bandas ao vivo da actualidade e que a sua discografia da banda assinou um pacto de não agressão consigo mesma. Em duas noites e mais de quatro horas de canções, os Radiohead tiveram dezenas de milhares de pessoas nas suas mãos.

Radiohead © Angela Costa
· 08 Ago 2008 · 08:00 ·
André Gomes
andregomes@bodyspace.net
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