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KTL
IV
· 05 Mar 2009 · 11:06 ·
KTL
IV
2009
Editions Mego


Sítios oficiais:
- KTL
- Editions Mego
KTL
IV
2009
Editions Mego


Sítios oficiais:
- KTL
- Editions Mego
Em modo heavy mental, Stephen O’ Malley dos Sunn o))) e Pita provam que os filmes de catástrofe são todos iguais e todos diferentes
Falar de Sunn o))), e dos extremos que roçam com a suspensão dos acordes de guitarra, resvala muitas vezes para a citação da Vida e da Morte como termos comparativos para um corpo sonoro, que, de tão imensurável, reduz a eficácia de todas as metáforas. Continua em aberto o concurso para a expressão concludente na definição da estética dos Sunn o))) (“Cabrito ao nascer” é apenas uma hipótese). Ainda que seja uma arma temível, na tortura que exerce nos Sunn O))), tal como nos avanços mais espaciais obtidos na dupla KTL, a guitarra de Stephen O’ Malley não deve, mesmo assim, estar sujeita a generalizações ou exageros. Como quem procura evitar o aprisionamento a uma só faceta, O’ Malley aliou-se a Pita (a malvadez digital em pessoa) nestes KTL, onde, desde 2006, tem provado que a guitarra, sem recalcar a sua natureza intimidante, pode também ser um recurso ambivalente na criação de cenários de ficção-cientifica minimamente frequentados pela espécie humana. Depois de arrumada a trilogia Kindertotenlieder,IV inicia uma renovada campanha negra, organizada pela guitarra de Stephen O’ Malley e pelo computador e sintetizadores de Pita, e com o flanco aberto para a participação do imprevisível génio Jim O’ Rourke, na produção, e de Atsuo dos Boris, na bateria e gongo.

Estranhamente, estudar o perfil dos envolvidos pouco contribui para ter uma ideia concreta do que aqui se passa. Obrigado a abandonar algumas das marcas da primeira trilogia, entre quais a agressividade ilimitada dos seus loops, IVadmite em si uma placidez que era apenas miragem nos capítulos anteriores. Quando a via passa a ser finalmente láctea em “Natural Trouble”, com a chegada de um gongo que repercute os aeroportos de Brian Eno, sobra a vontade de revisitar IV dedicando especial atenção às suas manobras de expurgação. Isto porque IV desintoxica-se, de facto, entre a sua primeira e sexta faixa: seja através do pus libertado, quando Pita agita o balanço dos graves, ou pelo desgaste infligido nos mantos assombrosos do mesmo, à medida que são arrastados na cauda do cortejo fúnebre que tem a guitarra circular como autoridade. Fosse necessário encontrar um antecedente para todo o ruminar experimental que se manifesta em IV e bastaria apontar para “FX” dos Black Sabbath, momento revelador de Vol.4 que, sem aviso, desrespeitava a fórmula “riff e ritmo”, como componentes obrigatórias no despoletar de um exercício heavy. Heavy mental, nesse caso.

IV não anda longe de ser um disco de heavy mental, por mais descabida que a etiqueta seja. Quem já assistiu a um concerto de KTL, ataque de ruído bem capaz de rivalizar o abuso que representam os Borbetomagus em palco, saberá de antemão que confiar os ouvidos àquele big bang é proibitivo para quem ainda quer escutar a palavra “avô” dirigida a si. Marcando a diferença, IV exige mais da mente do que dos ouvidos.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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