ENTREVISTAS
Best Coast
Amores de Verão
· 15 Fev 2010 · 16:16 ·

Li algures que foste abordada por multinacionais quando eras adolescente. O que te fez recusar uma oferta, que se supõe, tão tentadora?
Era demasiado nova e não queria fazer da música a minha vida. Queria andar com os meus amigos e ser apenas uma adolescente normal. Além disso, as multinacionais querem sempre fazer de ti algo que não és, e eu não queria que alguém chegasse e me moldasse numa estrela adolescente.
Já existia algum interesse por sons mais experimentais na altura? Qual foi o trajecto desses primeiros tempos como Bethany Sharaya até Pochaunted?
Não, nunca na minha vida me interessei por música experimental, especialmente quando era nova e fazia de Bethany Sharaya. Estava muito focada em Rilo Kiley e discos da Saddle Creek nessa altura, além de ouvir muito Bob Dylan, Joan Baez e merdas dessa género. Pocahaunted aconteceu. O nosso som nunca foi pensado, apenas nos sentávamos a tocar o quer que nos “aparecesse” na altura.
Foi uma progressão natural dos sons mais exploratórios de Pocahaunted até às melodias resplandecentes de Best Coast?
Como disse, nunca ouvi música experimental. Nos bastidores, vinha de tocar um set drone de 15 minutos e ia ouvir o “Born in the USA” no meu ipod. Best Coast é algo extremamente natural para mim. É a primeira vez que escrevo e toco música da qual estou verdadeiramente orgulhosa.
Considerando o nome, pode-se dizer que Best Coast é uma “carta de amor” à Califórnia? Na medida em que inspirou decisivamente a creatividade depois de um deprimente período em Nova Iorque?
Sim, adoro a Califórnia. Tudo nela. Está sempre Sol por aqui, como poderia não gostar e sentir-me constantemente inspirada? (risos)
Best Coast começou por ser um projecto a solo. Como apareceu o Bobb Bruno?
Bem, decidi que queria voltar a fazer música, e falei ao Bobb antes de regressar a Los Angeles que estava a planear este projecto e que gostaria de ter a ajuda dele. Ele aceitou ainda antes de ouvir a música. Basicamente, escrevi cinco ou seis canções e enviei-lhe por e-mail, explicando-lhe quais as minhas ideias para as canções e para a banda em geral. Ele ficou logo numa e eu sabia, no fundo, que não haveria mais ninguém em quem eu confiasse para fazer isto comigo. O Bobb e eu trabalhamos na perfeição.
Quanto ao processo de composição, manténs-te enquanto compositora, sendo o Bobb uma espécie de arrangista, ou é um processo simbiótico desde o início?
Eu sou a escritora principal. Escrevo as canções e gravo-as no meu computador. Posteriormente envio-as ao Bobb a dizer “bla bla quero que a canção soe desta maneira”, para que ele construa algo sobre ela. O Bobb toca toda a bateria, guitarra solo e baixo em grande parte das gravações. Eu estou encarregue de escrever sobre rapazes, tocar guitarra ritmo e gravar 900 camadas de vozes. (risos)
Até agora, como tem sido a experiência de tocar ao vivo como Best Coast?
É muito divertido. Vamos começar uma digressão e estou ansiosa. Tudo gira em torno da diversão. Ao final do dia, se não te estás a divertir não vale a pena.
Existem algumas comparações óbvias a fazer, mas quais são as principais influências para Best Coast?
Beach Boys, Beatles dos primódios, as girl groups do Phil Spector, as raparigas do Joe Meek, low rider oldies dos anos 50, doo-wop, Motown.
Excluindo a cassete na Blackest Rainbow (Where the Boys Are), até agora só têm lançado singles. É algum tipo de manifesto artístico em consonância com muitas dessas bandas que os influenciam e que editavam nesse formato ou estão a planear um álbum?
De certo modo, gosto muito dessa ideia das bandas dos anos 50 e 60 que editavam apenas em single, mas não foi propriamente essa razão para termos editado vários ao longo do ano passado. Principalmente, foi por causa das ofertas que tivemos da parte de amigos e pequenas editoras que decidimos editar esses 7”. Tínhamos já tantas canções gravadas que nos pareceu um óptimo meio. Os 7” são muito divertidos, de qualquer das formas. Acabámos de gravar o nosso álbum, por isso não vão ser apenas singles para sempre. (risos)
Pegando neste ponto, quais serão os vossos próximos lançamentos?
Temos um 7” para sair na PPM nas próximas semanas, e um outro 7” também já planeado para sair em parceria com uma empresa de headphones chamada Eskuche. O 7” na PPM tem canções mais antigas, enquanto o da Eskuche tem material mais recente que gravámos no Black Iris. São como lados b do When I'm With You. Canções que gravámos na mesma altura, mas não chegaram ao disco. Depois disso será o álbum. Sweeeeet.
Ultimamente tem aparecido um número considerável de bandas na Costa Oeste próximas desta estética lo-fi de canções pop. Qual é a vossa relação com bandas como Dunes ou Pearl Harbor? Acham que se está a criar uma “cena” em torno disso?
Acho que estamos todos a fazer as nossas próprias coisas. Creio que sejam tempos inspiradores, e estamos todos numa idade em que nos é permitido fazer aquilo que queremos. A Costa Oeste é um sítio inspirador. Quando estão 20 graus a uma Quinta-feira de Janeiro, ficamos todos entusiasmados e só queremos fazer coisas espectaculares. (risos)
O que andas a ouvir, neste momento?
Muito Fleetwood Mac (especialmente o Tusk), também o On the Beach e o After the Gold Rush do Neil Young e o Greatest Hits de Peter & Gordon.
Com tudo isto, depreendo que a Costa Oeste seja decididamente a Best Coast (melhor costa).
A Costa Oeste é a melhor costa. Para sempre.
Bruno SilvaEra demasiado nova e não queria fazer da música a minha vida. Queria andar com os meus amigos e ser apenas uma adolescente normal. Além disso, as multinacionais querem sempre fazer de ti algo que não és, e eu não queria que alguém chegasse e me moldasse numa estrela adolescente.
Já existia algum interesse por sons mais experimentais na altura? Qual foi o trajecto desses primeiros tempos como Bethany Sharaya até Pochaunted?
Não, nunca na minha vida me interessei por música experimental, especialmente quando era nova e fazia de Bethany Sharaya. Estava muito focada em Rilo Kiley e discos da Saddle Creek nessa altura, além de ouvir muito Bob Dylan, Joan Baez e merdas dessa género. Pocahaunted aconteceu. O nosso som nunca foi pensado, apenas nos sentávamos a tocar o quer que nos “aparecesse” na altura.
Foi uma progressão natural dos sons mais exploratórios de Pocahaunted até às melodias resplandecentes de Best Coast?
Como disse, nunca ouvi música experimental. Nos bastidores, vinha de tocar um set drone de 15 minutos e ia ouvir o “Born in the USA” no meu ipod. Best Coast é algo extremamente natural para mim. É a primeira vez que escrevo e toco música da qual estou verdadeiramente orgulhosa.
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Considerando o nome, pode-se dizer que Best Coast é uma “carta de amor” à Califórnia? Na medida em que inspirou decisivamente a creatividade depois de um deprimente período em Nova Iorque?
Sim, adoro a Califórnia. Tudo nela. Está sempre Sol por aqui, como poderia não gostar e sentir-me constantemente inspirada? (risos)
Best Coast começou por ser um projecto a solo. Como apareceu o Bobb Bruno?
Bem, decidi que queria voltar a fazer música, e falei ao Bobb antes de regressar a Los Angeles que estava a planear este projecto e que gostaria de ter a ajuda dele. Ele aceitou ainda antes de ouvir a música. Basicamente, escrevi cinco ou seis canções e enviei-lhe por e-mail, explicando-lhe quais as minhas ideias para as canções e para a banda em geral. Ele ficou logo numa e eu sabia, no fundo, que não haveria mais ninguém em quem eu confiasse para fazer isto comigo. O Bobb e eu trabalhamos na perfeição.
Quanto ao processo de composição, manténs-te enquanto compositora, sendo o Bobb uma espécie de arrangista, ou é um processo simbiótico desde o início?
Eu sou a escritora principal. Escrevo as canções e gravo-as no meu computador. Posteriormente envio-as ao Bobb a dizer “bla bla quero que a canção soe desta maneira”, para que ele construa algo sobre ela. O Bobb toca toda a bateria, guitarra solo e baixo em grande parte das gravações. Eu estou encarregue de escrever sobre rapazes, tocar guitarra ritmo e gravar 900 camadas de vozes. (risos)
Até agora, como tem sido a experiência de tocar ao vivo como Best Coast?
É muito divertido. Vamos começar uma digressão e estou ansiosa. Tudo gira em torno da diversão. Ao final do dia, se não te estás a divertir não vale a pena.
Existem algumas comparações óbvias a fazer, mas quais são as principais influências para Best Coast?
Beach Boys, Beatles dos primódios, as girl groups do Phil Spector, as raparigas do Joe Meek, low rider oldies dos anos 50, doo-wop, Motown.
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Excluindo a cassete na Blackest Rainbow (Where the Boys Are), até agora só têm lançado singles. É algum tipo de manifesto artístico em consonância com muitas dessas bandas que os influenciam e que editavam nesse formato ou estão a planear um álbum?
De certo modo, gosto muito dessa ideia das bandas dos anos 50 e 60 que editavam apenas em single, mas não foi propriamente essa razão para termos editado vários ao longo do ano passado. Principalmente, foi por causa das ofertas que tivemos da parte de amigos e pequenas editoras que decidimos editar esses 7”. Tínhamos já tantas canções gravadas que nos pareceu um óptimo meio. Os 7” são muito divertidos, de qualquer das formas. Acabámos de gravar o nosso álbum, por isso não vão ser apenas singles para sempre. (risos)
Pegando neste ponto, quais serão os vossos próximos lançamentos?
Temos um 7” para sair na PPM nas próximas semanas, e um outro 7” também já planeado para sair em parceria com uma empresa de headphones chamada Eskuche. O 7” na PPM tem canções mais antigas, enquanto o da Eskuche tem material mais recente que gravámos no Black Iris. São como lados b do When I'm With You. Canções que gravámos na mesma altura, mas não chegaram ao disco. Depois disso será o álbum. Sweeeeet.
Ultimamente tem aparecido um número considerável de bandas na Costa Oeste próximas desta estética lo-fi de canções pop. Qual é a vossa relação com bandas como Dunes ou Pearl Harbor? Acham que se está a criar uma “cena” em torno disso?
Acho que estamos todos a fazer as nossas próprias coisas. Creio que sejam tempos inspiradores, e estamos todos numa idade em que nos é permitido fazer aquilo que queremos. A Costa Oeste é um sítio inspirador. Quando estão 20 graus a uma Quinta-feira de Janeiro, ficamos todos entusiasmados e só queremos fazer coisas espectaculares. (risos)
O que andas a ouvir, neste momento?
Muito Fleetwood Mac (especialmente o Tusk), também o On the Beach e o After the Gold Rush do Neil Young e o Greatest Hits de Peter & Gordon.
Com tudo isto, depreendo que a Costa Oeste seja decididamente a Best Coast (melhor costa).
A Costa Oeste é a melhor costa. Para sempre.
celasdeathsquad@gmail.com
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