EntrevistaDead Combo

publicado em 07 Jul 2004 - 08:00

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O levantar da poeira

Os Dead Combo são Tó Trips nas “guitarras desajeitadas” e Pedro Gonçalves no “contrabaixo tuga e “guitarra desajeitada”, como eles próprios afirmam. Nasceram no início do século XXI (no ano de 2001, mais precisamente) mas só agora lançaram o seu primeiro disco, Vol. I, pela Transformadores. Pelo meio, gravaram um tema para a compilação de homenagem a Carlos Paredes intitulado “Paredes Ambience“, compuseram a banda sonora de Sudwestern - Un Duelo En El Barrio e Guitarra com Gente Lá Dentro de Edgar Pêra, e deram um número considerável de concertos. Os Dead Combo pegam na essência do fado e cobrem-no com pó vindo do Western, e, nas palavras dos próprios, “tocam Lisboa, a cidade do campo, das chaminés e das cúpulas brancas, cenários de um passado perdido, o fado, o Western vadio, tudo junto num voodoo de emoções, clichés e histórias entre o Tejo, as estradas do sul, os amantes desencontrados, anjos abandonados nas encruzilhadas do destino, vozes de mulheres, flores com cores trocadas, santos, câmaras ardentes, guitarras despidas, cuspidas e deitadas à rua, contrabaixos em fogo, cartolas, galinhas à solta e coisas que rolam na rua”. E é assim que se faz o estranho mundo dos Dead Combo.

Como é que nasceram os Dead Combo?

No fim de um concerto em Lisboa o Tó pediu boleia ao Pedro sem saber que ele não tinha carro, assim foram os dois a pé até ao Bairro Alto e à conversa surgiu a ideia de gravarem os dois a música incluída na homenagem a Carlos Paredes.

Nessa mesma compilação de homenagem a Carlos Paredes, Movimentos Perpétuos, contribuíram com o tema “Paredes Ambience”. Como é que foi a experiência? Como foi tomar contacto directo com a obra de Carlos Paredes?

Já conhecíamos a obra do Paredes, surgiu por um convite do Henrique Amaro.

Compuseram a música para o filme Sudwestern - Un Duelo En El Bairrio de Edgar Pêra. O que é que nos podem contar sobre isso?

Não é um filme mas sim um cine-concerto em que participam os Dead Combo, actores como Miguel Borges, Carla Bolito, Marina Albuquerque, Lavínia Moreira e tem imagens pré-gravadas e Live-Cam. Participámos no World Wide Video Festival em Amsterdão, Holanda. Compusemos também a música para esse sim filme de Edgar Pêra Guitarra com Gente Lá Dentro.

Deram uma série de concertos naquela a que chamaram de “Tournée Dead Combo+Bíblia”. Como é, para vocês, a experiência de tocar ao vivo? Como tem sido a reacção do público?

A reacção é boa, as pessoas ficam um bocado surpreendidas.

Lançaram agora o vosso primeiro disco de originais. Vol. 1 é aquilo que os Dead Combo desejavam que fosse?

Sim, claro que é. Foi gravado por nós num monte alentejano com as pessoas de quem gostamos e estimamos. Achamos que é um bom espelho daquilo que estamos a fazer neste momento como grupo.

E como decorreram as gravações? Como é que o facto de serem vocês próprios a gravar o disco tem influência no rumo e no conceito do disco?

Queríamos estar num sitio em que nos sentíssemos bem e confortáveis acima de tudo. Quanto ao conceito e rumo surgiram naturalmente.



Contaram com alguns convidados especiais como o Zé Pedro, o Gui, o Sérgio Nascimento, o Nuno Rebelo e o Johannes Krieger. Como é que funcionaram essas participações?

São amigos nossos, assim achámos que era natural convidá-los para participarem.

Quando se fala nos Dead Combo, refere-se muitas vezes a mistura do Fado com o Western. Concordam com esta alusão?

Sim, mas achamos que é talvez um bocado redutora.

Nomes como Ennio Morricone ou Ry Cooder são influências directas na música dos Dead Combo? O que é que têm ouvido nestes últimos dois anos?

Não, não são influências directas, quanto ao que ouvimos vai desde Slayer a Cesária Évora, passando por Marc Ribot e Alfredo Marceneiro e Red Hot Chili Peppers.

No vosso site oficial é possível ver a primeira de uma série de animações intituladas "Dead Combo Sound Files", assim como alguns Comics. É uma vertente que procuram aprofundar dentro dos Dead Combo?

Somos fãs de BD logo isso tem influência no que fazemos.

Ultimamente, o Blitz e o Diário de Noticias têm lançado vários discos de bandas portuguesas a um custo bastante reduzido. O que pensam desta iniciativa?

Achamos que devia haver ainda mais iniciativas assim, é uma maneira de evitar o preço excessivo praticado nas lojas e baixar o IVA nos discos.

E o que dizer da “Transformadores”, a editora que lançou o vosso disco?

'Tá-se Bem.

Há uma nova vaga de valores seguros na música portuguesa, entre os quais se incluem os Dead Combo. O que é que se pode esperar dos Dead Combo?

O Vol. 2.

André Gomes
andregomes@bodyspace.net


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