DISCOS
Orquestra del Tiempo Perdido
Stille
· 13 Mar 2018 · 07:56 ·
Orquestra del Tiempo Perdido
Stille
2018
Shhpuma


Sítios oficiais:
- Orquestra del Tiempo Perdido
- Shhpuma
Orquestra del Tiempo Perdido
Stille
2018
Shhpuma


Sítios oficiais:
- Orquestra del Tiempo Perdido
- Shhpuma
Isto é o quê, mãe?
A Orquestra del Tiempo Perdido é um projecto de Jeroen Kimman, compositor e multi-instrumentista holandês. Esta falsa orquestra apresenta o seu disco de estreia numa edição da label Shhpuma, a subsidiária da editora portuguesa Clean Feed para projectos fora da caixa. De facto, ao contrário da maior parte dos outros projectos da editora, que têm algum ponto de proximidade com o jazz e a improvisação, este é um objecto atípico no catálogo, aqui há pouco espaço para improvisar.

Não sendo uma verdadeira orquestra no sentido tradicional, este é um projecto onde Kimman compõe e interpreta um sem número de instrumentos musicais - guitarras, teclados, baixo, vibrafone e banjo são só alguns. O disco conta também com a participação de diversos convidados, que participam em algumas faixas pontuais.

Desde logo, o disco conta com duas figuras mais conhecidas: Tristan Renfrow (o baterista que gravou o disco “Vitamina D” de André Santos) e Michael Moore (o versátil saxofonista e clarinetista americano que, entre outros projectos, reinterpretou a música de Dylan com o grupo Jewels & Binoculars). Participam também outros músicos da cena de Amesterdão, como Anna voor de Wind (clarinetes), Koen Kaptijn (trombone), Leo Svirsky (acordeão), Mark Morse (guitarra), Michiel Van Dijk (saxofones), Seamus Carter (harmónica e concertina) e Sjeng Schupp (contrabaixo).

O disco arranca com um tema que soa a música infantil, fica a ideia que poderia acompanhar desenhos animados. Após essa surpresa inicial, percebemos esta música vai estar sempre a surpreender. O disco atravessa diversos registos, por vezes poderia tratar-se de pura música popular, outras vezes é quase música de cabaret, poderia ser banda-sonora para um carrossel (ou montanha russa), noutros momentos soa mais experimental e aproxima-se da vanguarda. Sem se fixar num ponto único, desafia o ouvinte, os seus preconceitos e as suas pré-concepções.

Pela diversidade, criatividade e originalidade estética, esta música foge a catalogações fáceis, dificulta o trabalho ao senhor da loja de discos que distribui os discos atrás das tabuletazinhas dos géneros/estilos. Este projecto poderá eventualmente ser equiparado a um outro projecto musical que desafiou rótulos e convenções, também falsamente designado de “orquestra”: a portuguesa Stealing Orchestra, que gravou alguma da música mais estranha e criativa no início do século XXI (particularmente o disco “Sterogamy”). Há muito tempo que não se ouvia tanta rebeldia estilística.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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