DISCOS
Nuova Camerata / STAUB Quartet
Chant / House Full of Colors
· 03 Mai 2017 · 09:32 ·
Nuova Camerata / STAUB Quartet
Chant / House Full of Colors
2016/2017
Improvising Beings / JACC Records


Sítios oficiais:
- Improvising Beings
- JACC Records
Nuova Camerata / STAUB Quartet
Chant / House Full of Colors
2016/2017
Improvising Beings / JACC Records


Sítios oficiais:
- Improvising Beings
- JACC Records
Improvisação de câmara.
O grupo Nuova Camerata é um quinteto de improvisação livre que reúne a típica instrumentação de música de câmara: quatro cordofones e uma marimba. O principal destaque deste grupo é Pedro Carneiro, figura maior no mundo de música clássica – maestro da Orquestra de Câmara Portuguesa, percussionista de exceção – que também pontualmente se aventura pelos caminhos da música mais livre (e aqui aplica-se exclusivamente à marimba).

Outro nome incontornável que integra este quinteto é o violinista Carlos Zíngaro, figura de referência internacional. O grupo completa-se com o violoncelo de Ulrich Mitzlaff (improvisador alemão radicado em Portugal há largos anos), o contrabaixo de Miguel Leiria Pereira (músico de vastos universos sonoros) e a viola de João Camões (um dos mais diretos herdeiros de Zíngaro).

O quinteto Nuova Camerata, apresentado ao mundo no Jazz em Agosto 2012, desenvolve neste disco uma música permanentemente desafiante. A música do grupo parte das sugestões individuais para enformar um caminho coletivo, com o contributo dos vários instrumentos que vão alimentando um monstro que vai tranquilamente vai crescendo.

As quatro cordas - violino, viola, violoncelo e contrabaixo – vão alternando entre pizzicato e arco, num imparável fluxo de ideias e comunicação. A marimba funciona como joker, ora assumindo a liderança com expressividade melódica, ora dialogando no mesmo patamar, ora funcionando na retaguarda fornecendo apenas uma percussão subtil. Apesar da aparente natureza camarística formal, ao longo dos seus sete cantos esta música foge dos classicismos, está viva, exibe uma pujança contemporânea.

O STAUB Quartet tem características diferentes, mas partilha algumas ideias e princípios com o projecto anterior. Esta música é também livremente improvisada e assente numa base de cordofones: violino, violoncelo, contrabaixo e guitarra acústica. Este grupo integra também o veterano Carlos Zíngaro, que neste contexto se faz acompanhar por improvisadores que têm feito carreira com outros grupos: Miguel Mira (Motion Trio), Hernâni Faustino (RED Trio) e Marcelo dos Reis (Open Field, Fail Better!, Chamber 4, entre outros).

Também aqui, muito por culpa da instrumentação de base, a música assume uma certa natureza de câmara, mas não se fica por aí. Cada um dos instrumentistas contribui e intervém com veemência, há diálogo e confronto, as ideias fluem com rapidez. Por vezes o grupo deixa-se levar em crescendos enérgicos até explodir. Mas também se sabe deixar ficar num ambiente de tensão controlada, sem ceder ao impulso de rebentar (ouça-se a terceira faixa). Independentemente dos ambientes, o quarteto Zíngaro/Mira/Faustino/Reis desenvolve uma música continuamente trepidante e desafiadora.

É ótimo ver que a improvisação portuguesa já não se limita ao contexto puramente jazzístico, que está agora aberta à instrumentação que tradicionalmente se associa a outros contextos, numa saudável mescla de géneros – concretizando algo que Zíngaro (principal instigador de ambos os discos) vem propondo há várias décadas. A qualidade e originalidade de discos como estes é reflexo direto deste tempo de riqueza musical em que vivemos.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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