DISCOS
João Barradas
Directions
· 26 Abr 2017 · 14:51 ·
João Barradas
Directions
2017
Inner Circle / Nischo


Sítios oficiais:
- João Barradas
- Inner Circle
- Nischo
João Barradas
Directions
2017
Inner Circle / Nischo


Sítios oficiais:
- João Barradas
- Inner Circle
- Nischo
Estreia fortíssima.
Conquistou fama de virtuoso, acumulou prémios como instrumentista desde muito jovem, rapidamente conquistou o mundo pela facilidade com que domina o instrumento. Se a tarefa já não era fácil com qualquer outro instrumento mais convencional, o feito ganha maior dimensão uma vez que João Barradas trabalha um instrumento raro, o acordeão. Chegado à vida adulta, Barradas aventura-se no mundo do jazz e estreia-se na condição de líder ao leme de um grupo fortíssimo.

Neste disco de estreia, o jovem Barradas conta com a companhia de um grupo que junta três nomes incontornáveis da cena jazz portuguesa (João Paulo Esteves da Silva no piano, André Fernandes na guitarra e Bruno Pedroso na bateria) e um músico da mesma geração (André Rosinha no contrabaixo). O disco conta ainda com a participação de três convidados especialíssimos: o saxofonista Greg Osby (referência mundial do jazz), a cantora Sara Serpa (a portuguesa que está a conquistar a cena jazz de Nova Iorque) e Gil Goldstein (referência mundial do acordeão no jazz contemporâneo). Por sua vez, o líder Barradas serve-se não só do tradicional acordeão clássico, como usa também o acordeão Midi – com um som próximo de teclados elétricos.

Nesta estreia o jovem João Barradas apresenta um conjunto de temas originais, composições que funcionam como retrospetiva do seu passado (e refletem a sua evolução como músico), como expressam também a sua vontade de se afirmar pela diferença. O primeiro tema abre de forma originalíssima, com o acordeão Midi de Barradas a emular uma conversa entre Wayne Shorter e Joe Lovano. Ao segundo tema - “Letter to Mother’s Immersion” - regressa o acordeão clássico, num longo tema (9 minutos) que é dos mais representativos do álbum, com espaço amplo para solos individuais e, após uma boa entrada da guitarra de Fernandes, é o líder que rouba todos os holofotes com um solo vertiginoso.

Segue-se um tema mais lento, “Varazdin’s Landscape”, que abre espaço para a expressividade do piano de Esteves da Silva. A tensão regressa com “Unknown Identity”, o primeiro de dois temas com a participação de Osby - regressará no tema que encerra no disco, o estonteante “Ignorance”. Há que assinalar a participação da cantora Sara Serpa, com o seu típico canto sem palavras e a habitual elegância. Outro tema marcante é “Tiling the Plane”: duo de acordeão entre Barradas e Goldstein, com a dupla às voltas sobre um arranjo de “Giants Steps” de Coltrane - momento maior do álbum.

Este disco não é apenas um manifesto de virtuosismo. Mostra muitas ideias, versatilidade, energia, alta intensidade. Barradas acaba de chegar à primeira divisão e já conquistou o título, num facto que tem tanto de surpreendente como de notável. Tal não é obra do acaso, é o resultado do trabalho metódico, concentração e foco. Só futuro é que nos vai mostrar o caminho que João Barradas irá seguir, mas por agora este disco fica desde já marcado na história do jazz português.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com
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