DISCOS
Earthen Sea
Ink
· 07 Dez 2015 · 11:50 ·
Earthen Sea
Ink
2015
Lovers Rock


Sítios oficiais:
- Lovers Rock
Earthen Sea
Ink
2015
Lovers Rock


Sítios oficiais:
- Lovers Rock
A sonhar no limbo.
Esculpir um som concisamente é amiúde o que basta para provocar uma boa impressão. E o californiano Jacob Long fá-lo com o seu projecto Earthen Sea. Dispensando artifícios inúteis, as suas ideias escorrem sem obstáculos, nunca ficando a pairar qualquer desconfiança. Isto permite que o melómano se deixe levar pela música, se deixe embalar... Earthen Sea é música produzida na terra dos sonhos. Ela entra na nossa realidade apenas para pegar em nós e nos arrastar para o lugar onde nasceu.

É difícil perceber em que formato Jacob Long espraia a sua música – à semelhança de Mirage, impresso no ano passado, também com Ink ficamos na incerteza: estaremos perante um álbum, um mini-álbum ou um EP? Seja o que for (e por aqui decretamos que este disco é um álbum), é o conteúdo que dá pulso à exposição. Ink – nos seus humildes 35 minutos – não perde qualquer instante em redundâncias. Ouvimos ambient, drone, dub-techno. Tudo revolvido, sem perturbações, sem interferências distractivas; afinal o objectivo é incitar uma jornada levitante que se quer compenetrada.

Earthen Sea iniciou o seu trajecto sonoro em cassete – dessas edições nada é possível dizer. Mas ouvindo Mirage, e agora Ink – ambos creditados pela nova-iorquina Lovers Rock de Ital –, é presumível extrair uma certeza: Jacob Long sente-se cada vez mais seguro no que faz, como faz. Mirage vacilava em ambiências drone nevoeirentas onde espasmos techno soavam ambíguos. Ink envereda substancialmente por um dub-techno que, apesar da neblina nocturna, nunca se perde em abstracções excessivas.

Em vez de um disco em que um produtor se consome a simular os trejeitos dos Basic Channel, ou aqueles sucessivos up-dates (cada vez mais pobres) que o projecto DeepChord vai fazendo ao género, aqui deparamo-nos com alguém que se apropria de partes da doutrina alemã do techno minimal e as assoma à sua misteriosa e melancólica linguagem – aqui e ali há laivos cinematográficos que não embaraçam Eno. Ink é feito de ideias concretas. Foi planeado para ser assim: despachado; competente. E desse plano resulta onirismo. Simples. Das melhores coisas que aconteceu ao dub techno desde Pacifica de Segue.
Rafael Santos
r_b_santos_world@hotmail.com
ÚLTIMOS DISCOS
Moshimoss & Stabilo
FIIEI
· POR Paulo Cecílio ·
Lume brando.
ÚLTIMAS

Parceiros