DISCOS
Mercury Rev
Deserter's Songs
· 23 Abr 2002 · 08:00 ·
Mercury Rev
Deserter's Songs
1998
V2


Sítios oficiais:
- Mercury Rev
- V2
Mercury Rev
Deserter's Songs
1998
V2


Sítios oficiais:
- Mercury Rev
- V2
Já perdi a conta às vezes que ponho este álbum na aparelhagem, e é espantoso como continuo a achá-lo maravilhoso. Não é um daqueles álbuns que hoje está na aparelhagem e o ouço o dia todo e no dia seguinte já não me diz absolutamente nada. Por outras palavras, tem a capacidade de persistir, de continuar na minha memória, de percorrer os meus sonhos, de me transformar...

A voz de Donahue é às primeiras audições (não, durante os primeiros minutos) um pouco desengonçada e rugosa, direi mesmo, fora do contexto da música. Mas, à medida que vamos fazendo parte da música, e começamos a achá-la mágica (e como disse, isto acontece apenas poucos minutos depois de a começar a ouvir) apercebemo-nos que não poderia haver uma melhor voz que construisse e edificasse as canções, que lhe desse uma textura, um sentido de estar.

Os norte-americanos Mercury Rev já contam na sua discografia com alguns álbuns, mas foi este Deserter's Songs que deu à banda o estatuto de uma das melhores na linha frente da produção alternativa dos Estados Unidos. As influências estão entre uns Sonic Youth ou The Velvet Underground e um som e "imagem" algo parecidos com os The Flaming Lips, Spiritualized ou mesmo Radiohead.

As composições são belas e celestiais, cheias de energia e fonte de redescoberta interior. Até mesmo os temas instrumentais, como "I Collect Coins" são capazes de tal coisa, provocando uma introspecção tão profunda e sentida que nos fazem pensar os limites da arte, e que como ela é capaz de mudar uma pessoa. No caso dos Mercury Rev, essa ideia de transformação da arte ganha formas que passam além dos limites do imaginável, transbordam fronteiras, fazem novas e estimulantes sensações.

Por vezes, fica a sensação de que as músicas estão sob produzidas, não é necessário nem conveniente a presença de tantos elementos. Por exemplo, no tema Tonite It Shows, os xilofones e as guitarras parecem exageradas, chega a parecer em alguns casos que estão lá apenas pelo motivo de lá estarem, sem qualquer sentido ou razão. Este é um dos poucos aspectos negativos que consigo encontrar neste disco, mas penso que não será significativo para não lhe atribuir a nota máxima. Soberbo.
Tiago Gonçalves
tgoncalves@bodyspace.net
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