DISCOS
Orbital
Wonky
· 19 Abr 2012 · 10:31 ·
Orbital
Wonky
2012
ACP


Sítios oficiais:
- Orbital
Orbital
Wonky
2012
ACP


Sítios oficiais:
- Orbital
Regresso da banda britânica mostra-nos o quanto estávamos precisados deles.
Exceptuando uma ou outra excepção muito pontual, é sempre motivo de embaraço ver glórias do passado a tentar apanhar algum bandwagon mais recente como forma de reafirmar o seu papel precursor ou de se imiscuir por entre a tendência da semana. Principalmente, quando isso se dá depois de uma ausência prolongada. Tendo em conta que o rehash daquilo que outrora os tornou grandes também não é uma via respeitável, todas essas manobras com vista a enfatizar o comeback acabam facilmente por cair em terrenos melindrosos. Até porque a suspeição precede tudo isto, com alguma justificação histórica para tal. Tendo em conta tudo isto, os oito anos desde o invisível Blue Album e um nome como Wonky, seriam razões de sobra para olhar para este regresso dos Orbital com desconfiança.

Por outro lado, não deixa de existir uma noção de timing simbólica no facto de Wonky ser editado numa altura em que o legado da banda dos irmãos Hartnoll tem vindo a ser reavivado subliminarmente no seio de todo um pretenso revival rave – não propriamente um regresso às festas no meio do mato e à comunhão multicolorida, mas no reaproveitamento da TB-303 e na euforia apaziguadora que se lhe seguiu após U.F.Orb. Seja pela variante pós-dubstep de um Mosca, das visões enviesadas de editoras como a Moon Glyph ou desse vazio dissimulado que é a hipster house, os ecos perduram de maneira mais ou menos persistente.

Tendo em conta como muitos dos elementos centrais da banda são hoje uma prática comum, o risco dos Orbital soarem demasiado a eles próprios acaba por se equilibrar nesse limbo com relativa segurança. Sem intenções frívolas que passem pelo revisionismo auto-consciente ou por achegas trendy. Wonky não pretende ser qualquer tipo de manifesto de intenções, apoiando-se nas características mais prementes da banda, com o reconhecimento daquilo que se tem passado desde o desaparecimento. A familiaridade latente é para com os momentos relevantes. E rapidamente faz esquecer a existência de The Altogether e Blue Album - Middle of Nowhere só falha lá para o meio, a tempo de recuperar com “Nothing Left I & II”.

“One Big Moment” começa o disco como “Forever” o fazia em Snivillization : vozes em fundo que ecoam sob um melodia de sintetizador que se vai adensando antes da entrada de uma batida funcional enquanto faixa de abertura. Crescendo natural em antecipação a “Straight Sun”. A primeira grande malha do álbum, num acerto indelével entre contenção e euforia, com uma noção de encadeamento precisa e uma daquelas melodias óbvias que eles já há muito aperfeiçoaram. Com uma continuação lógica nos momentos iniciais de “Never” que consegue fazer bem tudo aquilo que os M83 almejam numa lógica pós-rave. “New France” leva essa ideia mais longe, com a voz da Zola Jesus a servir pela primeira vez para algo com interesse – mesmo que longe do brilhantismo da Alison Goldfrapp em In Sides.

“Distractions” é começa num mid-tempo mutante, para acelerar no final, sempre imbuída numa melancolia nascida da tensão subterrânea. A descida perfeita, antes do throwback rave panorâmico de “Stringy Acid”. Algo poderia ser mau, não fosse haver aqui a plena consciência de não ser mais do que isso mesmo – o título é auto-explicativo. E não empalidecia em nada perante os outros temas do Brown Album. “Beelzedub” é o único momento dispensável de Wonky, numa investida pelo dubstep mais bovino que procura a remissão com a entrada de breaks quase jungle, mas poderia muito bem ter ficado de fora. Um acompanhar dos tempos que tem na presença da Lady Leshurr no tema-título uma piscadela de olho muito mais convincente. Com a emergente MC britânica a deixar que as comparações com Azealia Banks comecem a aparecer, “Wonky” consegue fazer da simbiose entre esta e o DJ - que neste caso são os produtores - a melhor via para um banger.

A encerrar, “Where is it Going?” é o momento de euforia colectiva, que peca apenas por ser tão curto dado o potencial de arrebatamento. E está precisamente no modo como condensaram as suas ideias em temas sucintos e como estes foram alinhados, um dos trunfos para que Wonky seja tão bem conseguido numa dimensão já amplamente reconhecida. O bom senso de alguém que já não tem nada a provar – aquele período de 92 a 99 é inultrapassável – mas reúne ainda a capacidade de olhar para si sem se reverenciar continuamente. Não há qualquer necessidade de ser condescendente para com Wonky, ele supera-nos.
Bruno Silva
celasdeathsquad@gmail.com
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