DISCOS
Wolf + Lamb vs. Soul Clap
Dj Kicks!
· 18 Mai 2011 · 20:20 ·
Wolf + Lamb vs. Soul Clap
Dj Kicks!
2011
Studio K7


Sítios oficiais:
- Studio K7
Wolf + Lamb vs. Soul Clap
Dj Kicks!
2011
Studio K7


Sítios oficiais:
- Studio K7
Free pass para celebrar o hipotético bom gosto. Todos estão convidados.
Pelo menos em Portugal, apesar de toda a sua acepção vaga e tendo em conta uma aceitação generalizada num círculo de classe média diletante e minimamente informado, o hipsterismo continua a ser uma coisa demasiado cabotina. Vazios ideológicos à parte, a noção de festa ainda está a anos-luz de se entregar àquilo que é o verdadeiro hedonismo (devem ser os brandos costumes). Habita numa zona cinzenta discutível que compreende a música de dança como profetizada por James Murphy ao ponto de aceitar um banger ocasional e utiliza o mais-do-que-estupidificante termo guilty pleasure para justificar a “Show me Love”. Ou seja, celebra-se mas com jeito, porque do eixo Global Bass/DFA/coolness até ao suor da Balearic Beat/Freestyle/hotness ainda vai uma distância do caralho e há que demarcar uma linha para não embrutecer.

A última edição da interminável série de DJ Kicks! consegue, sem se barricar, dançar com elegância do mesmo modo que “Coma Cat” conseguiu tornar os “braços no ar” uma cena fixe. Construindo um hype em torno de um estilo de vida que tem na sua celebração a raison d'être, alimentado por festas míticas no Macy Hotel em Brooklyn (where else?), uma comunidade de bloggers e forenses ávidos e a devida atenção mediática em meios “respeitáveis”, o camp Wolf + Lamb e os Soul Clap rasam aquele ponto G intangível de 24 hour party people com "bom gosto". Recorrendo a uma linguagem idiossincrática, que tendo como ponto de partida a nostalgia da House em combustão lenta (herança Disco que sonha com Ibiza ou Miami, mas vive na urbe), alinha-a com o lado mais lúdico do Hip-Hop/R'n'B (amor declarado nos re-edits de Soul Clap) para chegar a uma boa onda comum.

Uma colaboração a oito mãos pelos de duos de Brooklyn (Wolf + Lamb) e Boston (Soul Clap) que nunca propõe o confronto patente no título, mas antes oficializar uma relação duradoura de gente que se sabe tocar nos pontos certos. Contando com colaboradores e amigos como No Regular Play, Deniz Kurtel, Benoit & Sergio ou Nicholas Jaar (quando este ainda se sabia divertir), as 27 malhas de DJ Kicks! actuam como uma espuma de 74 minutos misturada pela sensibilidade dos quatro dj's. Assegurando uma coerência interna notável que apesar do tom ligeiramente low key da cena arranca sem grandes explosões a dinâmica necessária para nunca se deixar adormecer. A disparidade de nomes e trejeitos alinha-se num mesmo fluxo de ar quente.

Esta coexistência acaba por levar a que DJ Kicks! se torne num objecto algo insular para quem o pout-porri de uns Mungolian Jet Set e Hot Toddy ou o catálogo da Crosstown Rebels são ainda estranhos. Apesar do ecletismo que vai da funk 80's de “Goodbye Summer” do Tanner Ross à sensualidade em slow motion de “In the Park” de SECT com o Ben Westbeech, com o Jaar pelo meio a assumir um papel mais austero, acaba por subsistir como um todo facilmente identificável, que poderia resvalar para wallpaper não fossem isoladamente todas as malhas recomendáveis. Num flow irrepreensível repleto de ganchos. Se não for para dançar, que seja o melhor wallpaper de sempre. E os hipsters (no harm feelings) aprovam, desde que alguém dê o primeiro passo na pista.
Bruno Silva
celasdeathsquad@gmail.com
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