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Liturgy
Aesthethica
· 04 Mai 2011 · 11:16 ·
Liturgy
Aesthethica
2011
Thrill Jockey


Sítios oficiais:
- Liturgy
- Thrill Jockey
Liturgy
Aesthethica
2011
Thrill Jockey


Sítios oficiais:
- Liturgy
- Thrill Jockey
Quarteto nova-iorquino deixa-se deslumbrar pela sua própria ambição.
Ainda pululam por aí demasiados parolos, que fazem do trve kvlt um manifesto de intenções vazio, incapazes de aceitar o facto de que todos os dias alguém descobre que o Filosofem é um dos melhores discos do Mundo; avidos de proclamar o sell out generalizado depois de toda a gente já se ter apercebido que criticar algo tão paródico como os Cradle of Filth ou Dimmu Borgir é o mesmo que bater em mortos. Se até a Annie caracterizou estes últimos como uma espécie de Marylin Manson, é altura de procurar alvos menos óbvios que acarretem um mínimo de indie-cred. Uma banda que se auto-proclama de “Transcendental Black Metal” está-se a pôr mesmo a jeito para o backlash das hordas metaleiras.

Poderá também ser pelas entrevistas algo pretensiosas, pelo visual de poster boy de Hunter Hunt-Hendrix (nome do caralho), pela passagem para a Thrill Jockey ou, simplesmente, por serem de Brooklyn. Por cada gajo que se estreou, maravilhado, com a “High Gold” no Stereogum, outro vocifera sobre a irrelevância de Aesthethica (com hype escrito nas entrelinhas) num panorama que tem dado inúmeras mostras de vitalidade/reinvenção. Não só dos deadheads agarrados aos bootlegs de Mayhem, mas de uma generalidade metaleira que acha inconcebível o crossover pela via da pitchforkização (como já tinha acontecido, de modo menos incisivo com Two Hunters dos Wolves in the Throne Room). O medo dos óculos de massa ou o simples facto de que existem por aí alternativas bem mais credíveis do que os Liturgy?

Deixando de lado a primeira opção pelo ridículo, é incontestável que existe um burburinho exagerado em torno de Aesthethica. Compreensível, até certo ponto, tendo em conta como Rehinilation se tratou, efectivamente de um disco estrondoso, capaz de novas conjecturas para premissas base do género (blast beats, tremolo picking e vozes aflitivas) sem as refutar sobremaneira. Na senda de uns Krallice, aprofundavam o factor trance de Dead As Dreams dos Weakling (talvez o disco mais importante para a identidade do USBM) com recurso a um ataque de bateria avassalador e riffs em direcção à luz, descartando o lado mais progressivo dos seus congéneres nova iorquinos pela força bruta.

A propalada transcendência era, então, apenas uma fuga ao factor nekro que permeia muitos dos seus pares, como meio para a desejada elevação consonante com uma banda com o nome de Liturgy. Hoje, é também uma transversalidade que, face à comparação inevitável com o predecessor, perde pontos por se forçar em demasia. As mesmas coordenadas dispostas por alguns caminhos bem idiotas, a dispersar um disco que ao longo de uns exagerados 66 minutos faz da repetição algo simplesmente repetitivo. Se, individualmente se torna fácil encontrar boas malhas, o todo acaba por soar demasiado maçudo e impenetrável na sua profusão de riffs e lógica de pára-arranca.

Novamente, é sobre a bateria de Greg Fox que recaem as maiores virtudes desta banda. Entre o poder de fogo de Weasel Walter e o mimetismo de Thomas Haake, faz de um reduzido kit a força motriz para toda a dinâmica que Aesthethica almeja. A ambição de encontrar o minimalismo do Glenn Branca num contínuo com o metal mais esotérico é, teoricamente, uma ideia tão parva quanto fascinante (quem diria que um disco tão monstruoso como OV poderia mesmo existir?), mas acaba por se deixar cair na matemática obreira de “Generation” ou no bocejo de merdas como os Pelican em “Veins of God”. Momentos tão irrisórios quanto dois interlúdios que nem merecem comentário.

Ignorando também algumas tendências pós-hardcore em “Returner” e os cânticos iniciais de “True Will” (que eventualmente dá origem ao beat mais furioso de todo o disco), e resta pouco mais de metade de um disco que apesar de malhas incríveis como a já citada “High Gold” e “Sun of Light” chega já cansado a “Harmonia”, sem que as escaladas pela guitarra que a precederam tenham subsistido no cérebro mais do que o seu tempo de duração. O triunfo da estética (o título é auto-explicativo) em detrimento de uma escrita de canções um pouco mais indulgente. Não que isso seja uma necessidade, mas não estamos aqui para virar a cara ao torpor por uma razão de ser.

Nem a coolness do Drew Daniel com uma t-shirt de Burzum, nem esse zénite do hipsterismo poseur que é vê-la num dos gajos dos Klaxons (e mesmo não sendo, é indiferente porque os Klaxons continuarão a ser uma estopada), Aesthethica é aquela semi-desilusão vinda de uma banda incapaz de sustentar as suas pretensões. Apenas. Até porque não está aqui nenhuma epifania (mesmo que muitos possam abrir os olhos para um género com um passado demasiado caricatural para que seja devidamente reverenciado), e já ardeu demasiada lenha (no pun intended) com guerrinhas inúteis. Haters gonna hate.
Bruno Silva
celasdeathsquad@gmail.com
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