DISCOS
Gil Scott-Heron
I`m New Here
· 24 Mai 2010 · 18:51 ·
Gil Scott-Heron
I`m New Here
2010
XL Recordings / Popstock Portugal


Sítios oficiais:
- Gil Scott-Heron
- XL Recordings
Gil Scott-Heron
I`m New Here
2010
XL Recordings / Popstock Portugal


Sítios oficiais:
- Gil Scott-Heron
- XL Recordings
A ressurreição não passará na televisão.
Gil Scott-Heron esteve prestes a morrer. Surge em 2010 feito homem novo - I'm New Here conta em 28 minutos tudo o que quis dizer em dezasseis anos e não pôde, seja porque a droga ou os períodos preso não o permitiram, seja porque a inspiração artística não lhe surgiu. Mas valeu a espera; a cuidada prosa poética e o estilo pungente ao qual rappers de Tupac a Kanye foram buscar inspiração ainda lá se encontram. Não é, contudo, um álbum activista, não se apresentando como um desafio ou como que tendo algum inimigo; antes, uma nova fase do músico, uma nova maturidade, própria de quem aos sessenta anos se cansou fisicamente das batalhas que a vida oferece, contra si próprio, contra os outros, contra o tempo; uma espécie de retrato de quem sente a necessidade de justificar o que passou.

I'm New Here abre em jeito de homenagem às suas origens e à família - "On Coming From A Broken Home" mostra-o resignado/rendido ao sampling, pegando em "Flashing Lights" de Kanye para contar a história de Scott-Heron criança, aos treze anos, vivendo no Tennessee com a avó materna até à morte desta, uma espécie de explicação daquilo que o moldaria anos mais tarde, no Bronx. Daí, arranca para duas versões: uma século XXI de "Me And The Devil", original de uma das suas maiores referências, Robert Johnson (Gil descreve-se mesmo, hoje em dia e entre risos, como Bluesologist), e "I'm New Here", de Bill Callahan, à primeira vista uma colaboração algo improvável, até nos lembrarmos que Callahan é também ele próprio um cantor de Blues.

O seu registo vocal vai alternando entre a spoken word solene, quando cumpre o seu papel de poeta, e o crooning mais áspero, para quem não se esquece que Scott-Heron, é, acima de tudo, músico - em "I'll Take Care Of You" a sua voz sai das entranhas para mostrar que o monstro ainda vive. "Where Did The Night Go" é o seu momento de auto-crítica, após quase duas décadas de obscuridade artística; "don't know how many times I dreamed to write again last night". O círculo fecha com "Running", "The Crutch" e "On Coming From A Broken Home (Pt.2)", a elegia final às mulheres que o criaram e fizeram dele o que ele é, à sua mãe principalmente.

Um homem novo, uma história antiga. I'm New Here não se aprecia como se apreciaram outros álbuns da sua carreira. Mais que um disco, é uma autobiografia, para ser ouvida, lida, reconhecida. E se algum desapontamento surge porque a violência primordial dos seus textos mais políticos desapareceu, é difícil não sentir empatia e admiração por alguém que chora à frente do mundo, não como se se lamentasse, mas como agradecimento pela vida e pela segunda oportunidade que esta lhe proporcionou; é um novo ponto de partida, tal como mencionou em "Better Days Ahead": "And now it's time/To gather all the things we need to fly". Esta é a ressurreição de Scott-Heron. Os seus acólitos agradecem.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com
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