DiscoTerror Danjah Gremlinz (The Instrumentals 2003-2009)

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2009
Planet Mu

Sítios oficiais:
Terror Danjah
Planet Mu

A sua marca registrada é um riso maléfico. A partir daqui pode também ser uma habilidade extraordinária para manipular batidas até níveis que dificultam a respiração, e obrigariam qualquer médico a exigir internamento imediato por arritmias.


No booklet de Gremlinz, Simon Reynolds descreve o trabalho de Terror Danjah como “artcore”. Ou seja, a combinação entre a dureza da música que pretende representar o ambiente das ruas, e altos níveis de inteligência e subtileza na construção das texturas e batidas. Deixando a concordância ou não para todos os que ouvirem este disco, saliente-se que Gremlinz é um disco que fornece adrenalina e excitação como poucos outros que tenham aparecido em 2009. Danjah viaja entre os modernos géneros urbanos ingleses (garage, 2-step, drum n’bass, grime, IDM), e outros como o techno ou o hiphop, tirando a respiração a cada passo, graças a uma série de beats refractários, expansivos e fragmentados, que nunca se tornam previsíveis.

Em todas as faixas encontra-se a marca registada de Terror Danjah: o riso maléfico do Gremlin. O bicho está como que a troçar da nossa incapacidade de antever o que o produtor, na quantidade de instrumentais e remixes criadas desde 2003, vai trazer a seguir. Pode parecer um universo pouco expansivo, mas a sua capacidade de manipular e desagregar a estrutura molecular das batidas desmente-o categoricamente. Desde logo a sua Creepy Crawler Mix de “Frontline” de Big E-D traz um ambiente sinistro perfeito, aquilo a que os anglo-saxónicos chamam “ominous”. Não falha o impacto das batidas, permanentemente a jogar ping-pong com a nossa cabeça contra a parede. “Zumpi Hunter” é grime que ataca e recua, onde se ouve o que parece ser um vibrafone. “Stiff” usa uma guitarra para dar ar de drama. “Green Street” é dancehall metálico subaquático. “Splash” pede um electrocardiograma às batidas retirando-nos completamente o fôlego. “Planet Shock” recupera “Trans-Europe Express” dos Kraftwerk via “Planet Rock” de Afrika Bambataa. E por aí poderíamos continuar.

O hiphop futurista de “Code Morse”, os sintetizadores de eco metálico do grime da remix de “Fibre” de DJ Marsta, e o drum n’bass de velocidade variável de “Reloadz” concluem uma maratona que parece uma simples estafeta de 4x100 metros. Como há quem não ouça todo e qualquer lançamento de grime que sai, é caso para perguntar por onde tem andado este bacano. Gremlinz é tudo o que se poderia desejar de um disco de um amante de batidas vindo de Inglaterra. Quem procura música para uma montagem rápida de clips que demonstrem perigo, aventura e emoções fortes não procure mais. Terror Danjah tem motivos para rir.

Nuno Proença
nunoproenca@gmail.com


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