DISCOS
Hildur Gudnadóttir
Without Sinking
· 27 Mai 2009 · 16:10 ·
Hildur Gudnadóttir
Without Sinking
2009
Touch


Sítios oficiais:
- Hildur Gudnadóttir
- Touch
Hildur Gudnadóttir
Without Sinking
2009
Touch


Sítios oficiais:
- Hildur Gudnadóttir
- Touch
Violoncelista islandesa condensa qualidades e deixa a sua marca num disco de paisagens mantidas em aberto.
Com uma regularidade exaustiva, “Lux Aeterna” tem servido, na última década, como acompanhamento musical para toda a variedade de trailers e spots televisivos. Começou por ser o mais sonante tema da banda-sonora de A Vida Não é um Sonho, composta por Clint Mansell e interpretada pelo Kronos Quartet, e chegou a acompanhar o trailer do segundo capítulo da saga O Senhor dos Anéis. Na prática, isso significa que “Lux Aeterna” conheceu propósito num filme de junkies e num outro de criaturas atraídas por um símbolo de forma suspeita. Não tenho a certeza, mas o Marinho Pinto em mim diz-me que a TVI terá também abusado de “Lux Aeterna” para promover reportagens de terceiro mundo.

Todo este paleio, em torno do tema que passou a ser pop pelo uso, serve para introduzir outro com potencial para sofrer uma transformação semelhante: embora mais discreto, “Into Warmer Air” é prenúncio dramático do fim que silencia o impressionante Without Sinking, disco centrado no violoncelo que confirma a instrumentista Hildur Gudnadóttir como figura a manter em quarentena de estima. Tal como “Lux Aeterna”, “Into Warmer Air” fura sensibilidades por ser determinado e eloquente no fatalismo que colhe ao violoncelo (eram vários os instrumentos de cordas, no caso do Kronos Quartet).

Apesar de merecer todo o destaque, “Into Warner Air” nem sequer desequilibra Without Sinking: quando entra, na nona posição, polvilhado pelos órgãos do conterrâneo Jóhann Jóhannsson, era já firme a certeza de que estamos perante um álbum categoricamente personalizado, carregado de subtilezas, e tudo isto sem recorrer à automatização dos loops (o que lhe confere uma maior profundidade humana). Hildur Gudnadóttir é muito mais autónoma do que autómata.

Por acidente, o sotaque islandês muito facilmente transformaria as palavras Without Thinking em Without Sinking. Até por aí se pode perspectivar o disco. Without Sinking exige a rendição acima da razão, garante forma às paisagens mas resiste a povoá-las, desvia-se do óbvio sem nunca se afundar num mar de experimentalismo indecifrável. É uma das surpresas do ano que nos devolve à Islândia mais apreciável.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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