DISCOS
Cem Güney
Praxis
· 08 Mai 2009 · 15:29 ·
Cem Güney
Praxis
2008
Crónica


Sítios oficiais:
- Cem Güney
- Crónica
Cem Güney
Praxis
2008
Crónica


Sítios oficiais:
- Cem Güney
- Crónica
Terrorista turco sobrevive a overdose de conceitos para dar a conhecer composições de laptop situadas entre o intrigante e o aborrecido.
Não é criminoso passar ao lado das relações que Cem Güney estabelece entre conceitos diversos e as composições que acabaram por figurar em Praxis, depois de dois anos de gestação. A explanação das relações ocupa toda a porção do press-release, que acompanha o disco lançado há algum tempo pela Crónica (que aposta frequentemente em aventureiros como o turco Cem Güney).

Ficamos então a saber que os fonemas Africanos e o som da vibração respiratória traduzem-se numa salada turca de retalhos e num mantra tingindo de negro, não necessariamente por essa ordem. Mistério… Com tempo, lá chegaríamos (na manhã de um dia iluminado). É contudo inútil perseguir as pistas que possam decifrar Praxis, antes de resolvermos os enigmas propostos por anteriores discos da Crónica ou pelos Excepter, em Debt Dept. (livremente inspirado num esquema de pirâmide que comporta respostas para tudo excepto para si).

Em pouco tempo, torna-se óbvia a malvadez no pacto desigual que deixa Cem Güney de chave na mão e a outra parte à nora. Na prática, Praxis é uma masmorra dividida em vários cativeiros de ruído (ora rotativo, ora torrencial) com uma janela aberta para a entrada da luz gerada por alguns loops. É de luz que se faz o ponto de partida da romântica e progressiva “Undulations”, dedicada e conduzida à grande escala de Janek Schaefer, que, no campeonato dos estetas inquietos, deixa Cem Güney na obrigação de ainda comer muita papinha. Onde “Undulations” é intrigante, outras peças chegam a ser bem mais chatas: “Adaptations” virtualiza um cenário de uma cirurgia que chega ao seu ponto crítico, mas não oferece nada de novo no horizonte dos delírios laptop.

Quem já viu Hannibal, sabe como é patética a cena em que o canibal interpretado por Anthony Hopkins cozinha o cérebro de Paul Krendler (Ray Liotta) como se fosse carne para fondue. Também Praxis obriga quem escuta a confiar o seu cérebro a um arquivista ligeiramente psicótico, alguém que estimula a faceta mais obsessiva do som tantas vezes enciumado com o espaço ocupado pelo outro. Recomenda-se alguma moderação. Praxis não é prato para todos os dias.
Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
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