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LIVRO
Jazz In Europe
José Dias
· 08 Out 2019 · 15:58 ·
Jazz In Europe
José Dias
2019
Bloombury
Jazz In Europe
José Dias
2019
Bloombury
As conexões e identidades do jazz europeu.
Residente em Manchester, José Dias é um guitarrista, compositor e investigador português. Como músico, Dias editou três discos em contexto jazzístico: “360”, “Magenta” e “What Could Have Been” (edição Sintoma Records). Este ano de 2019 tem sido rico: aventurou-se numa outra vertente, a exploração da guitarra, e apresentou o surpreendente disco “After Silence, Vol. 1” (edição Clean Feed); agora acaba de publicar o disco de estreia do seu quarteto Awareness (gravado ao vivo na SMUP, na Parede), onde está acompanhado por Francisco Andrade (saxofone tenor), Gonçalo Prazeres (saxofones alto e barítono) e Rui Pereira (bateria).

Em paralelo com a actividade musical, Dias tem desenvolvido um interessante trabalho de investigação na Manchester Metropolitan University e realizou o documentário “Those who make it happen”, sobre a cena jazz portuguesa. Agora acaba de editar o livro “Jazz In Europe”, onde reflecte sobre as conexões e identidades do jazz feito no continente europeu. A análise de Dias divide-se em quatro partes principais: a investigação do jazz na Europa na actualidade; os desafios para as conexões do jazz europeu; as estratégias actuais; e a voz dos músicos no terreno.

O livro “Jazz In Europe” é o resultado de um trabalho de investigação, que decorreu entre 2011 e 2016. Dias coloca-se na posição de observador participante, ou seja, alem da investigação tradicional, também fez parte de projectos que promoveram activamente o jazz e as suas redes e conexões: integrou a estrutura da Sintoma Records (entre 2011 e 2013); assumiu a posição de delegado de investigação do festival 12 Points; e promoveu e participou em diversos debates. Não pretendendo ser um documento histórico definitivo – para isso consulte-se o enorme livro “The History of European Jazz”, editado por Francesco Martinelli (Equinox, 2018) – a análise de José Dias faz um retrato possível do quadro do jazz actual, das suas características, ligações e desafios.

Deveremos falar de “jazz europeu” ou “jazz na Europa”? Quais são as redes que efectivam essa ligalção no terreno? Quais os desafios que se enfrentam hoje em dia? O trabalho de Dias dá voz aos músicos, promotores e divulgadores, promovendo uma fluência de ideias, obriga-nos a reflectir sobre o actual panorama europeu, entre as dificuldades e as oportunidades. Partindo da natureza académica, este é globalmente um objecto muito interessante para todos os interessados em analisar e compreender o jazz que se cria no continente europeu neste século XXI.
Nuno Catarino
nunocatarino@gmail.com

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