ENTREVISTAS
Roger Plexico
Misterioso e conversador
· 04 Jan 2016 · 12:38 ·
Roger Plexico é um ser misterioso e recheado de vida e experiências (leia-se influências) passadas. O resultado da colaboração de dois integrantes do coletivo Monster Jinx, Slimcutz e Taseh, a surpresa na cara de muitos ao conhecerem o projeto parece ser pelo convidado: Ace, dos Mind da Gap, uma das figuras mais incontornáveis do hip hop nacional. Junte-se a isso o lançamento do álbum através da Baboom, plataforma nacional que pretende revolucionar o mercado de streaming, e temos a receita perfeita para um projeto pouco convencional. Ao Bodyspace, Slimcutz traçou um mapa nada astral desta personagem que é “um óptimo conversador” e “um apaixonado pela música”. Figura de proa na revolução do hip hop nacional, o fictício Roger Plexico é um impulso criador para os elementos da banda, que já vai andar na estrada em Janeiro para apresentar ao vivo e com Ace a acompanhar o primeiro trabalho. Os concertos acontecem a 22 de Janeiro no Maus Hábitos (Porto) e a 28 Janeiro no Musicbox (Lisboa).
© André Henriques
Quem é Roger Plexico? De onde surge, quem o influencia, qual a sua personalidade?

Ele nunca nos contou a sua história desde o princípio, mas sabemos que é um cidadão do mundo, um viajante que absorveu o máximo de experiências que lhe foi possível. É um apaixonado pela música, um senhor misterioso mas em quem podemos confiar.

Se o encontrarmos na rua, é melhor atravessar para o outro passeio ou é alguém com quem podemos conversar?

Se tiveres a sorte de o encontrar na rua podes até convidá-lo para um café. É um óptimo conversador.

© André Henriques

De onde surge o aspecto mais visual da personagem?

Precisávamos de um conselheiro, alguém com experiência, que soubesse exatamente o que nos dizer quando não conseguíssemos acabar uma música, que nos influenciasse sempre no caminho certo e que gostasse das mesmas coisas que nós. Basicamente, criamos essa pessoa, personificamos aquilo que irá sempre definir Roger Plexico, ele próprio.

Como surge a parceria com o Ace?

O Slimcutz já fazia parte de Mind da Gap quando o Ace começou a acompanhar o Slim em alguns DJ sets. A partir daí foi tudo natural, partilhávamos sempre o que andávamos a produzir, o Ace começou a dar uso ao caderno nas viagens de carro e de repente tínhamos um álbum.

O Roger Plexico vai continuar por aí a fazer música depois deste álbum?

Claro que sim! Estamos constantemente a criar coisas novas.

O hip hop consegue hoje chegar a uma audiência mais vasta do que há dez anos atrás?

Sim e isso é perfeitamente notório. O conceito de hip hop está cada vez mais vasto e, à semelhança do que está a acontecer com a música em geral, o acesso a ele está cada vez mais fácil. Está mais variado e mais maduro musicalmente.

O trabalho no lado instrumental e o surgimento de novos estilos contribui para a criação de um novo público?

Contribui. Há cada vez mais produtores e cada vez mais diversidade, o público acaba por ter mais com o que se identificar.

Qual a reacção que esperam das pessoas a este álbum?

Esperamos sempre o pior, mas não é o que desejamos.

© André Henriques

E do mundo mais próximo da música? Desde promotores, jornalistas, críticos...

Por acaso, a critica sempre foi muito positiva em relação ao nosso trabalho. É bom de ler e só nos ajuda a estabelecer níveis de exigência cada vez maiores perante a nossa música.

O que podemos encontrar neste álbum que não se encontra em mais nada no mundo da música nacional?

Seria arrogante dizer que exista algo que não se encontre em mais nada no mundo da música nacional. Podemos é dizer que nos esforçamos para ser genuínos e trazer algo diferente à música Portuguesa.

E que tipo de influências, nacionais e internacionais, marcam este álbum?

As influências surgem um pouco de todo o lado e de várias formas. Nascem do que vemos e ouvimos, surgem do próprio Roger Plexico que só por si é inspirador.

O que podemos esperar de Roger Plexico no palco? Quando é que o podemos ver?

Estamos a preparar, para Janeiro, dois concertos de apresentação deste Roger Plexico & Ace, no Porto e em Lisboa.

O primeiro single, “Aqui e Agora”, foi muito bem recebido aquando do lançamento do videoclip. Como foi ver essa reação positiva a algo que surgiu quase de rompante?

Foi recompensador. Deu-nos confiança e foi quase como se “validassem” o trabalho que estamos a desenvolver. Antes de lançar qualquer coisa, paira sempre esta dúvida sobre como as pessoas irão reagir. Era um primeiro single arriscado, em que o Ace saiu completamente das zonas em que o estávamos habituados a ouvir, mas o resultado superou as nossas expectativas.
Simão Freitas
spfreitas25@gmail.com

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