ENTREVISTAS
Momo
A música é alimento para a alma
26 Jun 2015 11:27
Momo passa por Portugal num ponto de transição da carreira. O último álbum lançado pelo cantautor, Cadafalso (2013), recolheu elogios um pouco por todo o lado, incluindo de Patti Smith, no Facebook. O brasileiro de 36 anos actua este domingo no Porto, num concerto com selo Bodyspace no Maus Hábitos, “despido, só, sem banda”, só com a voz e o violão, para repassar o reportório musical e, talvez, mostrar algo novo. Em entrevista ao Bodyspace, detalha o que tem sido a carreira musical até agora, ligando isso à vida pessoal. Pelo meio, recomendações de artistas portugueses e brasileiros, um retrato do nosso país e do público musical que o povoa, além dos concertos no World Music Festival, em Chicago, Estados Unidos da América, actuações que lhe valeram “críticas muito boas na imprensa”.
© Nina Gaul
O que esperas encontrar no concerto no Maus Hábitos?
 
Espero encontrar uma plateia disposta a compartilhar e celebrar esse momento único e mágico do show. Esse espetáculo no formato voz e violão é muita entrega, estou despido, só, sem banda. Por isso essa troca intensa se dá com o público.
 
Como tem sido esta tour por Portugal?
 
Posso dizer que já conheci um pouco do país, de Norte e Sul. A música para mim sempre foi um meio pelo qual eu tenho a oportunidade de conhecer pessoas, suas vidas, ouvir suas estórias, conhecer um pouco de cada cidade, cada região. Nesse sentido tenho conhecido muita gente bacana, cidades bonitas, aprendido bastante. E levando minha música aos seus ouvidos. É isso que eu carrego comigo, é alimento para a alma.
 
O público português é muito diferente?
 
O público aqui é muito gentil. Não posso te dizer se é diferente de outros públicos. Tenho sempre tocado pra uma plateia interessada em ouvir com atenção minha música.
 
Podemos esperar um próximo trabalho de estúdio? Para quando?
 
Sim, acho que esse ano, início do ano que vem tem material novo lançado.

© Nina Gaul

Encontraste a Patti Smith no Primavera Sound, este ano. Voltou a elogiar Cadafalso?
 
Foi tudo muito rápido, trocámos poucas palavras. Eu contei-lhe a minha felicidade ao ler o post dela [no Facebook, a elogiar “Cadafalso”]. Ela respondeu: “como é bom fazer as pessoas felizes”.
 
És frequentemente apontado como membro da nova geração de músicos brasileiros. É bom ser um nome de proa da nova música brasileira?
 
Para ser sincero, não sei se me considero parte de uma "nova geração". Tenho 36 anos, alguns discos já lançados, uma estrada percorrida. Acho que estou construindo um trabalho, uma carreira assim como meus colegas de geração.
 
Quais as maiores inspirações no teu trabalho?
 
Voltando ao que disse na outra resposta, minha maior inspiração são as pessoas, suas estórias, suas vidas, a labuta diária, a luta para ressignificar a vida, a aprendizagem, o amor, a poesia que ainda existe no mundo, o bem.
 
Como vês o panorama actual da música brasileira?
 
É um momento muito fértil e rico, um volume grande de coisas sendo lançadas, artistas de géneros variados, de diferentes regiões do país.


 
Que novos artistas brasileiros recomendas neste momento?
 
Não sei se os considero novos. Mas cá vai: Wado, Boogarins, MãeAna, Supercordas, um trio experimental Insone, Marcio Biaso e a Banda do Mar.
 
Que artistas portugueses ouves?
 
Carlos Paredes, Camané, António Zambujo, Rita Redshoes, Márcia, Carlão e Francis Dale.
 
Actuar no World Music Festival, em Chicago, foi um ponto alto da carreira?
 
Me apresentei duas vezes nesse festival, 2009 e 2013. Sim, foram momentos importantes, tive boas críticas que saíram em veículos renomeados de Chicago nessas duas ocasiões. Acredito muito no dia a dia, no ofício dessa profissão que me escolheu. Ponto alto agora é estar fazendo essa tour por Portugal e preparando o disco novo.
 
O que se segue à tour por Portugal?
 
No fim do ano, volto aos Estados Unidos para lançar o vinil do Cadafalso, que tem a participação da Laetitia Sadier em uma das faixas bónus que o disco terá.
Simão Freitas
spfreitas25@gmail.com

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