ENTREVISTAS
Metz
Juventude Sónica
· 05 Fev 2013 · 12:24 ·
Só no ano passado o mundo pôde descobrir a violência escondida nos dedos do trio Canadiano; muita sabedoria hardcore, acordes rápidos e agressivos, e relatos de gente a sangrar em concertos devido a um headbanging mais furioso. Não houve pressa em lançar o disco, dizem, mas nós que o ouvimos ficámos de imediato cheios dela para captar um pouco desta energia ao vivo - algo que teremos oportunidade de fazer quando passarem pelo Plano B, no Porto, e pela Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, antes de regressarem em Junho para o Primavera Sound. Chris Slorach aceitou responder a umas poucas perguntas parvas antes de pisar solo nacional e o resultado é este. O resto, testemunhem-lo depois: os Metz fazem parte do grupo de bandas que não deixará o rock morrer por nada.
Como é que os Metz começaram, enquanto banda? Que vos levou a tocar juntos?

Começámos em Otava, após a antiga banda do Hayden e do Alex ter acabado. Tocaram por alguns meses até que se decidiram mudar para Toronto onde me conheceram, e começámos a tocar juntos. Começámos enquanto trio e funcionou, não pensámos muito no depois.

Ao gravar, fazem algum tipo de planos, isto é, começam por um riff e depois constroem o resto, ou as canções surgem de forma espontânea e improvisada?

Compomos entrando num quarto e começando a tocar. Às vezes acabamos com algo de que gostamos e outras vezes não. É uma forma muito natural de trabalhar. Não compomos para os Metz fora da sala de ensaios ou por nós próprios.



Tal como os Fucked Up ou os Iceage - para nomear algumas das bandas mais conhecidas - vocês tocam punk arraçado do hardcore, mas fazem com que soe a algo de novo e excitante e não a uma cópia barata ou revivalismo dos anos 80/90. Quais eram as vossas principais influências ao começar? Acham que é possível para uma banda hoje em dia, seja qual for o género que toque, olhar para um ponto específico do passado e criar algo de novo a partir daí - se não radicalmente diferente? Ou as pessoas, em última instância, ouvirão a música e fixar-se nos elementos nostálgicos?

Não acho que tenhamos tido alguma vez um som em específico onde nos fixarmos, era apenas a música que estávamos a fazer quando tocámos juntos. Somos influenciados por muitas coisas. Já fomos várias vezes comparados a bandas com as quais crescemos mas não achamos que estejamos a tocar algo que deva necessariamente ser considerado nostálgico. Acho que escrevemos música actual.

...e porque não são uma cópia barata, que acham que deve ser o papel do punk - musicalmente ou não - no século XXI?

Acho que toda a gente terá uma opinião diferente sobre isto. O punk é só algo de que gostamos. Estamos aqui pela música.

Começaram em 2007, mas o vosso disco de estreia só saiu em 2012. Porquê tanto tempo? Como é que acabaram na Sub Pop?

Nunca tivemos qualquer pressa de fazer um disco. O nosso objectivo foi sempre compor música e dar concertos por diversão. Há cerca de ano e meio apercebemos-nos de que tínhamos um grupo de canções que funcionavam bem juntas e então quisemos fazer um álbum. Quando o acabámos, enviámos-lo a uma pessoa que tinha estado a falar com a Sub Pop e eles gostaram. Todo o processo foi muito orgânico, muito simples. Sentimos que as coisas estavam a levar o seu rumo certo, com o disco.

A capa do disco é bastante simples: um puto aborrecido de morte. Quem teve a ideia para a mesma? É suposto representar os miúdos que já foram ou é *apenas* uma fotografia de um miúdo?

Essa foto foi tirada pelo pai do Alex nos anos 70. Quando estávamos a juntar tudo pensámos que a foto tinha semelhanças com os sentimentos presentes no disco. Acho que é uma boa representação do mesmo.



Que podemos esperar dos vossos concertos? É difícil manter a mesma energia que mostraram no vosso disco, considerando que agora andam em tour e a viajar por todo o lado? Eventualmente cansam-se ou há sempre uma faísca que vos motiva? Quão divertida tem sido a tour?

Sempre gostámos muito de tocar ao vivo e dispensamos toda a energia que pudermos nos nossos espectáculos, que costumam ser uma explosão de barulho e suor... esperamos que aquilo que estamos a fazer arrepie as pessoas até à medula, queremos uma resposta física. Estamos muito orgulhosos do disco, de tocar estas canções todas as noites - soa sempre fresco, de alguma forma. Temos vivido tempos incríveis.

Porquê Metz? São fãs de futebol francês como os Saint Etienne?

Soa bem, não soa? Pensámos o mesmo.

Se pudessem rebentar qualquer local no planeta com o poder único do feedback, que seria?

"Rebentar"? Não quero magoar ninguém... queremos conhecer o mundo tanto quanto possível. Não é bem uma resposta a essa questão, mas para já estamos a absorver tudo e a desfrutar cada segundo. Hoje vamos "rebentar" com Amesterdão, e estou à espera que seja uma boa noite, assim como a que teremos amanhã noutra cidade.
Paulo Cecílio
pauloandrececilio@gmail.com

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