ENTREVISTAS
Lululemon
Do vilão e do limão, o que tiver
· 30 Jun 2012 · 14:51 ·
Dos recônditos montes e vales que sobejam na paisagem idílica e verdejante que acompanha o norte ao centro de Portugal, eis que surgem os Lululemon. Mais propriamente de Vale de Cambra, são mais um grupo de amigos, anteriormente dois mas agora três, que se juntaram a fim de fazer música rock. Todos provenientes de umas dessas tantas bandas de covers, num meio tão pequeno, acabam por se conhecer. No entanto Luís Matos, Pedro Ledo e Tiago Sales dizem não ter sentido dificuldades em dar o salto para o resto do país. Com dois trabalhos editados, Thee Ol´ Reliables Side A/Side B (2010) e Flying Fortress (2012), já tocaram ao vivo em várias localidades e em alguns festivais, inclusive no Milhões de Festa e no Optimus Alive. “Blonde Weather”, uma das músicas do último álbum, é já merecedora de um videoclip realizado pelo jovem promissor Vasco Mendes. Os Lululemon, que figuram no elenco dos Novos Talentos FNAC 2012, arriscam o blues como gente grande, pondo-o à prova de divagações psicadélicas e de riffs que tanto roçam o stoner como antepõem o surf rock. Partem do tradicional mas apostam na irreverência. São os convidados do mês da Bodyspace e no sábado vão andar pelo Au Lait.
A última vez que vos entrevistámos ainda eram só dois. São todos de Vale de Cambra? Como se conhecem e se juntam para tocar?

Tiago Sales: Sim crescemos todos em Vale de Cambra, já éramos amigos muito antes de formar a banda, até porque numa terra pequena o pessoal acaba todo por se conhecer. Começamos por ser dois, agora somos três e se calhar no futuro ainda vamos ser mais.

Já tocavam antes de Lululemon? Tinham ou têm outros projectos a par?

Luís Matos: Tínhamos todos tocado em bandas de covers anteriormente, mas por agora estamos a dedicar-nos inteiramente a Lululemon.


Dividem-se entre Vale de Cambra e o Porto. Como se dá o processo de saltar dessa pequena cidade do Entre Douro e Vouga para o resto do país?

Pedro Ledo: Foi um processo natural, a partir do momento que tínhamos compostos as primeiras músicas seguimos directamente para o estúdio para as gravar, a partir daí os concertos foram surgindo um pouco por todo o lado. Não sinto que tenhamos tido nenhuma dificuldade para "exportar" o nosso projecto de Vale de Cambra para o resto do país.

Em dois anos, dois discos, sendo que um é duplo. Como descreveriam o vosso trajecto até aqui?

Luís Matos: O segundo é duplo mas inclui o primeiro, ainda assim são dois trabalhos. O nosso trajecto baseou-se apenas em compormos o que nos apetece ouvir e tocar no momento, independentemente do estilo ou do formato. Temos a noção que não estamos a criar propriamente uma banda homogénea, a nossa prioridade, antes de tudo, é realmente gostarmos do que estamos a fazer e divertirmo-nos com isso.

Em termos de sonoridades e de produção, o que muda essencialmente do primeiro para o segundo EP?

Pedro Ledo: A nível de produção e mesmo na sonoridade não há grande diferença entre os EP´s, foram captados e produzidos no mesmo estúdio e com aproximações semelhantes.

Tiago Sales: Ambos tomam o blues rock como base e depois levam em cima o que nos apetecer no momento.

Os primeiros segundos de Blonde Weather remetem-me de imediato para os primeiros instantes de The Good, The Bad and The Ugly de Sergio Leone, cuja banda sonora é do enorme Morricone. Há alguma ligação entre os westerns e a vossa música ao nível da criação?

Luís Matos: Não tem que haver uma ligação directa, nem foi feita a pensar nisso. Claro que gostamos de spaghetti westerns e apreciamos bastante o trabalho do Ennio Morricone. E acabamos claramente por ser influenciados por ambos.


Esse processo é metódico? Como surgem as canções que aparecem no disco e por que obras ou artistas se sentem influenciados?

Luís Matos: Pode ser metódico ou não, e pode surgir por acaso ou não. Existem músicas que surgiram de jams, outras que foram sendo pensadas fase a fase, não há um processo específico. Ouvimos coisas muito diferentes entre si e além disso cada um de nós tem também as suas preferências. É uma mistura de tudo, por vezes de opostos, somos influenciados por tudo o que ouvimos e por tudo o que nos acontece.

Como se traduz o psicadelismo e o imaginário musical nas vossas actuações ao vivo?

Tiago Sales: Através da música, tentamos despertar algumas sensações, se quiserem paisagens mentais, mas cada um terá a sua própria maneira de interpretar o nosso concerto.

Tocam blues sem medo de o mudar, sem uma voz por trás e com outras influências. Não acham que a ideia de tocar blues convencional, à moda antiga, está um pouco entranhada?

Pedro Ledo: Acho que as pessoas associam-nos demasiado ao blues. Começamos a banda com alguma influência do blues dos anos 40 mas mesmo nos primeiros EPs nunca quisemos fazer uma réplica disso, muito antes pelo contrário, quisemos sempre dar-lhe algo extra e tentar que soasse "a nós" e não apenas ás nossas influências.


O que esperam ou gostavam de fazer a médio prazo? Partilhar o palco com alguém em especial? Um festival específico?

Pedro Ledo: Pessoalmente, o meu objectivo nesta banda é compor sempre e mais músicas e se tiver feedback positivo por parte das pessoas para mim já é mais que o suficiente. Tudo o resto vem por acréscimo.
Alexandra João Martins
alexandrajoaomartins@gmail.com

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