ENTREVISTAS
Julia Holter
Em êxtase
· 25 Dez 2011 · 21:38 ·
De Los Angeles, California... Não, não são os The Doors, mas a conterrânea JuliaHolter. Uns valentes anos mais nova, começa a cantar desde criança e a compor na adolescência, provavelmente influenciada pelo seu pai que tocava guitarra. Graduada pela CalArts, reconhecido instituto educacional artístico da Califórnia onde estudou composição, complementa a componente artística com a solidariedade social ao trabalhar numa organização sem fins lucrativos no sul de Los Angeles. Já colaborou com artistas como Nite Jewel e Linda Perhacs, e lançou os seus dois primeiros álbuns em menos de um ano, Tragedy em Agosto de 2011, e Ekstasis em Março de 2012. Multifacetada, escreve, compõe, canta, toca e grava. Música difusa repleta de reverbs, belos ecos de voz feminina, a cruzar música experimental e pop com electrónica, culminando em canções quase de ordem transcendental. A compositora norte-americana, Julia Holter vai estar no CCVF, em Guimarães, já amanhã e quarta-feira na Igreja de St. George, em Lisboa (com dedo da Galeria Zé dos Bois), para apresentar o último trabalho e, apesar de não conhecer Portugal, está pronta para descobrir.
O que devemos saber sobre Julia Holter e Ekstasis? É o segundo álbum mas como começaste a fazer música? E quando?

Comecei a tocar piano quando tinha oito anos mas não escrevi para música até ter dezasseis, altura em que pensava sobre a universidade e o que fazer da minha vida. Só sabia que queria continuar a fazer música mas não era uma pianista virtuosa e não estava particularmente interessada em engenharia de som. Isso fez-me ver que adorava escrever. [risos] Comecei a escrever para instrumentos mas poucos anos mais tarde descobri um amor por escrever e gravar músicas.

Presumo que este não seja o teu primeiro projecto musical…

Não! Eu fiz um monte de coisas, ainda que o projecto a solo tenha sido sempre mais importante para mim, na minha cabeça. Também toquei com Linda Perhacs, Nite Jewel e outros amigos dos Human Ear, com vários compositores e performers amigos da theWulf em Los Angeles e da CalArts, etc.



Misturas jazz, experimental, pop e outros. Quais são as influências mais directas na tua música? Como te inspiras?

Eu não tenho influências específicas que possa referir. Definitivamente sou inspirada por vários pensamentos, e muitas vezes faço coisas que são inspiradas por qualquer coisa, mas não acabam de todo semelhantes. Fui muito inspirada por filmes recentemente. Para “Marienbad” fui inspirada por Last year at Marienbad, mas no final a minha música não foi de todo ao encontro do filme, penso eu. Foi só inspirado por, mas não influenciado realmente por. É um bocado diferente.

Apenas uns curtos meses separam o primeiro do segundo álbum. Como é o teu processo de criação, escrita e composição? Que diferenças destacarias entre este segundo álbum e Tragedy?

Eu escrevi-os ao mesmo tempo! Mas o processo muda de projecto para projecto. Assim, com Tragedy, eu escrevia o que via quase como um todo, apenas com diferentes partes, enquanto no Ekstasis foi um álbum feito a partir de um monte de canções independentes.

Importas-te com as críticas à tua música, especialmente Ekstasis? É importante para ti?

Reparei que não consigo evitar ler reviews, pelo menos agora, porque estou realmente curiosa. Mas no futuro devo deixar de as ler, porque, apesar de achar o jornalismo musical importante, não penso que seja importante para o artista ler a opinião dos jornalista, porque a única maneira para um artista de crescer é ouvir-se a si mesmo, e talvez também a audiência e amigos em quem confia. Acho que ler críticas do seu próprio trabalho é só uma interrupção para o artista.



Tragedy foi considerado, por alguns, um dos melhores álbuns de 2011. Quais são as expectativas sobre este novo disco?

Não vou ter expectativas acerca de opiniões pessoais! Penso ser o caminho mais seguro a seguir. Não penso pensar nessas coisas quando estou a escrever.

Como tem sido a digressão de Ekstasis?

Divertida!

Pensas acrescentar algo novo às tuas canções cada vez que as tocas ao vivo? É um bom trampolim para novas perspectivas?

Sim, sempre diferente. Sim, é um bom trampolim.

Vais tocar em Portugal este verão. Que esperas? Conheces o nosso país e alguma música portuguesa?

Quero ver se é tão bonito como toda a gente diz. Estou muito entusiasmada. Não sei nada sobre Portugal sinceramente, só posso esperar para descobrir. Obrigada.
Alexandra João Martins
alexandrajoaomartins@gmail.com

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