ENTREVISTAS
Throes
Rockuduro
· 05 Jul 2011 · 00:39 ·
© Luísa Cativo
Os Throes são Marco Castro e Igor Domingues, têm base segura na cidade do Porto e abanam as raízes do rock à maneira deles. Nos últimos tempos têm vindo a criar algum burburinho pelas suas actuações poderosas e pelo EP Dirty Glitter (editado pela Lovers & Lollypops em 2010), onde ficou registado aquilo que acham e não acham acerca do rock. Com os The Shine, com quem têm colaborado, cunharam aquilo que se poderá chamar de rockuduro – a conferir no número 30 da Videoteca Bodyspace – e é com eles que se apresentam no Milhões de Festa 2011 para um encontro que promete ser tão surpreendente quanto explosivo. Entretanto, podendo, é aproveitar para conhecer os Throes um pouco melhor nesta entrevista (que até inclui sessão fotográfica em rigorosa estreia) que revela tudo o que é preciso saber deles.
Vamos a um pouco de biografia: como nascem os Throes?

Os Throes nasceram em Janeiro de 2009. Conhecemo-nos no 12º, mas nessa altura eu não tocava, e só descobri que o Igor o fazia quando já andávamos pela faculdade. No fundo, não há grande história por trás do nosso nascimento, é o clássico. Conhecemo-nos na escola, gostámos do mesmo tipo de cenas e decidimos fazer algo com o nosso tempo.

Que bagagem trazem de projectos anteriores?

Throes foi o nosso primeiro projecto sério, aliás, surgiu um pouco por tentativas falhadas de formar algo com outras pessoas. Ou não havia empenho, ou não havia compatibilidade de ideias e objectivos. Isso acabou por fazer com que a coisa se resumisse somente a nós os dois.

© Luísa Cativo

O EP que lançaram há já algum tempo, fala-me um pouco dele. De como foi feito, se correspondeu ao que esperavam de um primeiro lançamento, esse tipo de coisas.

Terminamos o Dirty Glitter há praticamente um ano, por acaso. Foi gravado, misturado e masterizado nos Estúdios Sá da Bandeira pelo João Brandão e pelo Diogo Oliveira, com quem é óptimo trabalhar. Foi feito de uma maneira muito orgânica, gravado live, com poucos overdubs e sem grandes truques de pré ou pós produção. Optamos pelo processo que achámos reflectir melhor a forma como os temas se deviam apresentar: simples e crus, mas sem perderem energia. Tivemos pena de não o conseguir editar fisicamente, adiou-se em demasia e deixou de fazer sentido. Mas a receptividade pela vertente online foi boa, e foi um trabalho que serviu para ganharmos experiência de estúdio e uma maior noção de como abordar as edições.

Quando é que poderemos contar com um álbum dos Throes? É algo que vos preocupe, que vos dê pica?

Um álbum de Throes é algo que gostávamos de fazer. No entanto, estamos a reformular imenso o nosso som. Ainda vamos ponderar se avançamos de imediato para um LP ou se testamos as águas com mais um EP. De qualquer das formas, é algo que se pode esperar de nós, no futuro. Somos dois amantes do conceito de álbum, não há grande volta a dar a essa vontade.

E dar concertos, dá-vos tanta ou mais pica do que gravar discos ou compor? Não sentem falta de tocar mais vezes?

Esta pergunta tem a mesma resposta dos dois, preferimos tocar ao vivo. Apesar de gostarmos imenso de compor e gravar, é um processo moroso e que não reflecte dividendos de forma imediata. Mas são processos necessários, se não íamos acabar por tocar sempre as mesmas músicas e não ter nada de novo para promover. Ia tornar-se aborrecido. E é claro que gostávamos de tocar mais vezes. Demos cerca de vinte concertos em dois anos. É muito pouco, mas é por culpa nossa. A falta de contactos numa fase inicial, assim como algum know how, levou a que só tocássemos com convites de promotoras. Hoje em dia já temos uma visão diferente das coisas e esperamos conseguir tocar mais.

Temem comparações com outros power duos?

Isso é algo que não nos preocupa muito. Nós não começamos a compor com ideias prévias. Não vamos tocar a pensar “Vamos fazer isto como x ou y faz”, limitamo-nos a tocar coisas que gostámos e nos dão pica. Mas é claro que temos influências. Até podem acabar por ser muito distantes da música que fazemos, mas vão sempre delinear o que compomos, de certa forma.

© Luísa Cativo

Alguma vez vos passou pela cabeça tornar os Throes num trio ou num quarteto? Ou outra coisa assim maluca?

Nunca nos passou isso pela cabeça, depois de iniciar o projecto com este conceito. Ia quebrar completamente a dinâmica que temos. Como já disse, andámos a reformular imenso o nosso som. Estamos a compor músicas à volta de sintetizadores, samplers, drum machine, guitarra, bateria e voz, neste momento. Apesar de parecer mais simples adicionar pessoas para lidarem com estes aspectos novos, achámos que isso ia quebrar o sentido composicional que temos para este projecto. Já é demasiado tempo a tocarmos só os dois juntos para modificar isso. No entanto, somos abertos a colaborações esporádicas. Actualmente, andámos a preparar uma colaboração com os The Shine, por exemplo. Ambos achamos imensa piada à junção de géneros dispares, nunca se sabe bem o que vai sair dali e isso é óptimo.

Que música é que dá tesão aos Throes? O que é que vos leva imediatamente para o estúdio ou para os ensaios numa tentativa de superação?

Isso é uma daquelas perguntas complicadas. Gostámos de coisas muito dispares, mas acabámos por sentir isso sempre que ouvimos algo novo (ou novo para nós) que nos inspira. Nesta ultima semana andámos os dois a bater mal com Gang Gang Dance, por exemplo. Na semana a seguir pode ser uma cena completamente diferente. Acho que manter um horizonte descomprometido é algo vital para quem quer que faça música, basicamente.

Fazer parte da Lovers & Lollypops é uma inevitabilidade ou uma missão?

É um motivo de orgulho. Ambos gostámos da maioria dos concertos que são organizados pela Lovers, assim como a maioria das edições da mesma. O primeiro concerto que demos foi pelas mãos do Fua. É sempre algo marcante e que não se pode esquecer. Sem as primeiras oportunidades é complicado avançar. E além de termos editado o EP, também tivemos a oportunidade de tocar com bandas que adoramos, como Fucked Up ou Japanther. É algo que tem sido produtivo para nós. Não se trata nem de uma missão (para nós), nem de uma inevitabilidade, mas tem sido extremamente positivo.

© Luísa Cativo

No outro dia falávamos em off da tua opinião acerca do Porto e do que artisticamente se vai passando na cidade nos últimos tempos. Queres resumir um pouco essa conversa?

Ora, é daquelas coisas. As opiniões são como os rabos, todos temos um. No que toca à nossa, achamos que existe muito pouco empenho e uma grande falta de abertura mental. Existem bons projectos, mas não existe a mesma vontade de os divulgar ou de os levar a sério como noutros pontos do país. Isto pode vir um bocado das nossas más experiências e podemos estar redondamente enganados, mas é notória a disparidade da quantidade de bandas que saem de meios mais pequenos como Barcelos, Braga ou Coimbra em relação ao Porto. É uma pena. Achamos incrível como isto é possível com a existência de algo como o C.C. Stop na nossa cidade. Juntar centenas e centenas de músicos a ensaiar debaixo do mesmo tecto é um feito complicado, mas acontece por aqui. No entanto, não se sente muito espirito colaborativo, pelo contrário. É um ponto que a mudar, viria ajudar imenso todas as bandas. Os burburinhos tem de começar por algum lado, e encontra-se ali um catalisador um tanto neutralizado, infelizmente.

O que precisa o Porto para mostrar mais os seus projectos? Ou esta é uma daquelas perguntas com resposta incluída?

A resposta anterior já vale para esta!
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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