ENTREVISTAS
Japanther
Missão: rock ‘n’ roll
· 17 Jan 2011 · 20:28 ·
Eles dizem que começaram os Japanther para viajar e fazer amigos mas sabemos que, verdade verdadinha, o rock ‘n’ roll é o que move Ian Vanek e Matt Reilly. E os gelados? Rock 'N' Roll Ice Cream , o último tratado de rock ‘n’ roll dos Japanther, prova mais uma vez que estes putos são irrequietos que não gostam de estar muito tempo no mesmo sítio. Sofrem de hiperactividade. Partem do rock ‘n’ roll como estilo de vida e som base mas deitam mãos e dentes a tudo o que podem agarrar. Agora com Anita Sparrows (The Soviettes) nas fileiras, os Japanther, formados no longínquo ano de 2001, são, de uma forma cada vez mais notória, grandes responsáveis por um certo som vindo de Nova Iorque e pelo nascimento de uma data de bandas que partilham os seus genes, o seu som, a sua atitude. É isso mesmo que eles convidam a testemunhar no dia 19 de Janeiro no Café au Lait e no dia seguinte na Galeria Zé dos Bois. Com um bónus extra: Shellshag em ambas as datas. E ainda outro extra no caso do Porto: Hill. A entrevista com os Japanther ajuda apenas a abrir o apetite para esses concertos, para apagar a fome de rock 'n' roll.
O Pratt Institute, onde estudaram, era um sítio aborrecido onde estar? Ou foi um sentimento diferente aquele que vos levou a começar com os Japanther e chegar onde chegaram hoje? O que é que se lembram desses tempos?

Ian Vanek: Passamos ambos excelentes tempos no Pratt. Eles deixavam-nos tocar música no centro de cópias e tratavam-nos mesmo bem enquanto artistas. Começamos os Japanther em 2001 como uma desculpa para viajar e fazer novos amigos. Muitos dos amigos que fizemos no Pratt e no RISD estão envolvidos ainda nas nossas vidas em 2011.

Fizeram parte de uma ópera rock de marionetas, fizeram equipa com os Aquadoom, um grupo de natação sincronizada na Universidade de Nova Iorque, entre outras coisas. O que é que falta fazer neste momento aos Japanther?

I.V.: Actuamos recentemente durante 84 horas seguidas sem comer ou dormir em Viena. A peça chamava-se "It Never Seems to End" cuja propriedade é detida pela T-B A21 [Thyssen-Bornemisza Art Contemporary]. Esperamos tocar de cabeça para os pés com uma multidão furiosa debaixo de nós. O céu é o limite.

Como é que sentem este novo disco, Rock 'n' Roll Ice Cream? Sentiram que esta era a altura de mudar um bocado as coisas, dar uma volta com o vosso som?

Matt Reilly: Foi uma partida, uma mudança, demoramos o nosso tempo a construir as harmonias e colaboramos com a Anita Sparrows da banda The Soviettes e a Eileen Myles, reputada poeta.


Li, estando em Portugal e com as devidas distâncias, que este novo disco criou algum descontentamento entre os vossos fãs mais hardcore. Acham que isto é verdade? Como é que se sentem em relação a isso?

I.V.: "What you eat don't make me shit". Eu acho que as pessoas que comentam negativamente na internet já tinham isso planeado desde sempre… As pessoas dizem-me que adoram o disco, vende muito bem e aparece no programa televisivo da ABC Huge.

Falavam há pouco na Anita Sparrows. O que é que ela mudou nos Japanther para além de ter tornado um duo num trio? Alguma vez quiseram ser um trio?

I.V.: A Sra. Sparrows ensinou-nos muito acerca do ofício, da arte e da beleza. A banda dela, The Soviettes, é um dos meus grupos favoritos de todos os tempos.

Como é que foi trabalhar neste álbum com o Michael Blum, o homem responsável pelo clássico "Like a Prayer"? Quais eram as possibilidades de os Japanther alguma vez virem a trabalhar com ele?

I.V.: O nosso amigo Steve Scharf é manager do Michael e sugeriu-o a nós. Nós adoramos os Beach Boys e escrevemos muitas das canções enquanto vivíamos em Los Angeles. O Michael Blum foi por isso uma escolha natural e um produtor excelente com quem trabalhar. Existe uma razão para o Michael Jackson, a Madonna e os Suicidal Tendencies o terem procurado vezes sem conta.


Acreditam que existe um “som de Brooklyn” ou algo que, pelo menos, une todas estas novas bandas que por lá nascem?

I.V.: Existe imensa e fantástica arte, música e dança vindas de Nova Iorque neste momento. Todos nós comemos, bebemos e fazemos festa nos mesmos sítios. Dormimos nas casas uns dos outros e fazemos mix tapes uns aos outros. Os nossos backgrounds são super variados mas fazemos todos parte da mesma crew.

Como é que é Brooklyn para os Japanther? É uma cidade que vos trata como deve ser? Sentem-se bem a viver nela?

I.V.: Viajamos durante nove meses no ano passado. O Verão e um bocado da Primavera foi tudo o que vimos de Nova Iorque e todos os dias foram divertidos. Museus, telhados e praias!

Já têm respostas para a vossa própria pergunta “What The Fuck Is The Internet”? Sentem-se de alguma forma parte desta geração da internet, têm esse sentimento de pertença?

I.V.: É uma teia que vai estrangular o mundo. Houve quem o previsse e agora estamos a ter grandes ecos disso. Eu sou completamente old school, ainda mando cartas e postais.

Para as pessoas que vão assistir aos vossos concertos no Porto e em Lisboa o que é que recomendariam? Que a malta beba até cair, joelheiras, algum tipo especial de protecção?

I.V.: Ouvi dizer que marcham pelas ruas com capuzes e fazem procissões a toda a hora. Sugerimos que se divirtam muito, que se deixem libertar e que dancem todos juntos. Muito crowd surf e stage dive.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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