ENTREVISTAS
Midori Hirano
A corrida do ouro
· 12 Nov 2007 · 08:00 ·
Como tantas vezes acontece na música, Midori Hirano começou a dar os primeiros sinais de que iria acabar na música durante tenra idade. A japonesa estabeleceu bem cedo a relação com o piano, mas hoje caminha de braço dado com a electrónica, que tem como forte aliado. O disco de estreia Lush Rush, editado na Noble, é espelho da evolução de Midori Hirano ao longo dos anos, mesmo que não a tenha mostrado ao mundo antes. Do Japão continua a chegar muita música, e Midori Hirano é um dos nomes a ter em atenção. Em entrevista, Midori Hirano, honesta e disponível, abre um pouco o jogo acerca da sua personalidade artística e pessoal.
Pareces ter uma relação muito próxima com o piano. Como é que isso aconteceu e se desenvolveu até aos dias de hoje?

Comecei a ter aulas de piano com cinco anos de idade desde que vi uma rapariga do meu bairro a tocar. Tocar o piano faz-me sempre imaginar e criar o novo mundo meu. Especializei-me em piano na universidade para continuar os estudos musicais por isso desenvolvi essa relação lá.

A música electrónica faz também parte da tua vida de uma forma significativa. Como é que começaste a explorar esses territórios? Tens algum herói da música electrónica, alguém que admires especialmente?

Estava ansiosa por conhecer quaisquer outros tipos de músicas excepto a música clássica, da qual me tinha fartado um pouco nessa altura. Por essa altura, aprendi muitas coisas acerca da música electrónica com os meus amigos, o que fez com que me interessasse por ela. Por isso arranjei um computador, sintetizadores baratos e um sequenciador no início para tentar fazer alguma coisa. Esse foi o começo para mim. Eu conhecia muita música techno como Underworld, Aphex Twin ou os Boards of Canada, etc., mas mais tarde o meu interesse mudou para coisas mais experimentais como Ryoji Ikeda, Matmos, Aki Onda e mais coisas. Por isso tenho muitos heróis musicais agora. Mas eu gosto especialmente dos primeiros trabalhos de Tujiko Noriko.

Começaste a compor música em 2003. Como é que foi para ti procurar uma aproximação pessoal e encontrar a tua personalidade musical?

Na verdade já vinha a compor música desde miúda, mas fazia peças ao piano só para me divertir nessa altura. Estava mesmo contente por encontrar a minha personalidade musical, e ainda estou hoje.

Lush Rush é o teu disco de estreia. Como é que sentes este disco, e o resultado final? Como é que foi o processo da sua concepção?

Estou tão contente com o meu disco de estreia. Este álbum inclui canções antigas e também canções novas dos últimos três anos, por isso mostra que o álbum é como uma marca para que eu possa entrar numa nova fase. Queria dar a imagem do mundo que se coloca entre a realidades e o fantasma se existisse um conceito.


Poderias ter feito este disco sem o Toshiko Kageyama e o Atsuko Hatano? Eles foram importantes para agravação deste disco?

Não tenho a certeza se poderia ou não ter feito o disco sem eles. Mas posso dizer que eles me ajudaram a faze-lo mais sólido e melhor.

Como é que é fazer parte da Noble, a editora do teu disco de estreia?

É bom. A Noble apoia-me sempre e bem, e tem sido óptimo trabalhar com eles.

Pareces gostar de lançar música em várias compilações diferentes. O que é que nos podes dizer acerca disso? Gostas de fazer experiências e usar essas compilações para ir ao encontro de novos territórios?

Sim, gosto. Gosto sempre das pessoas que se interessam pela minha música e em trabalhar comigo. E essas experiências fazem sempre com que eu tenha uma boa motivação, quando as pessoas com quem eu trabalho têm boas ideias.

Gostas de mostrar a tua música ao vivo? Como é que te preparas para eles? Quanta improvisação existe nos teus concertos?

Gosto de actuar de ambas as formas, com bandas e a solo. Quando estou em palco com uma banda, usualmente toco piano, com guitarristas, acordeão e bateria. Escrevo a música para uma acordeonista para que ela toque muitas das frases das minhas canções, mas também lhe peço para improvisar noutras canções também. E deixo um guitarrista e um baterista improvisarem a maior parte do tempo. É sempre muito excitante. O meu set a solo é bastante diferente, porque improviso maioritariamente utilizando a minha voz e piano. É muito diferente das canções do meu disco, gosto sempre muito. Espero poder lançar alguma música destas performances algures no futuro.

Como é viver em Kyoto? Quais são as coisas que mais gostas na cidade?

Gosto do facto da cidade ser pequena – todas as coisas porreiras da cidade como salas de concertos, muitos cafés bonitos com estilo japonês, templos, santuários, espaços confortáveis cabem no tamanho desta cidade. E eu posso manter o meu próprio ritmo na sua quietude. Isso é muito importante para mim neste momento.

Quais são as banda sou artistas mais interessantes no Japão nos dias que correm? O que é que recomendas?

Existem muitas para listar aqui… mas se eu tivesse que mencionar um artista cuja performance eu aprecio bastante hoje em dias, esse artista seria Ytamo, de Osaka. Podem visitar o site, http://www.ytamo.com/. Na performance ela utiliza alguns sintetizadores e a voz impressionante dela, muito bom. Tem muito a ver com a música electrónica oriental.

Estás já a pensar ou a planear um novo disco? Compões música regularmente? É um vício para ti?

Sim, estou a trabalhar no meu novo disco que deverá sair no início de 2008. Tem vindo a fazer esboços sonoros diariamente, e por vezes junto-as para fazer algumas faixas. Ou então componho instantaneamente quando tenho algumas ideias.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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