ENTREVISTAS
Mayra Andrade
Cidadã do Mundo
· 11 Jun 2007 · 08:00 ·
Cuba, Senegal, Angola, Alemanha, Cabo Verde, França, Portugal. São nomes de países comuns a um nome: ao de Mayra Andrade, autora de um disco que reúne pelo menos sons e tradição de alguns das pátrias que Mayra Andrade adoptou por um período maior ou menor da sua vida. Mas é a Cabo Verde que Mayra Andrade sempre volta no final e afinal de contas. Navega tem o cheiro e as cores do país africano; tem a marca das experiências de Mayra Andrade. Navega tem inclusive um prémio recente: um dos galardões da German Record Critics. Mayra Andrade, que actua no primeiro dia do Festival Sudoeste 2007 (o dia 2 de Agosto), acedeu a responder a algumas perguntas que interessavam colocar neste momento da sua carreira.
Nasceu em Cuba, cresceu entre o Senegal, Angola, Alemanha e o Cabo Verde. Em que fica o seu coração? Qual é o país mais especial? Presumo que Cabo-verde…

Cabo-Verde é a minha terra, são as minhas raízes, mas guardei em mim coisas belas que vivi em cada um deles!

A sua relação com a música é de longa data. O que é que nos pode contar acerca da forma como começou a cantar?

Não me recordo de nada em especial que me tenha dado vontade de
cantar. Foi algo espontâneo e que foi crescendo comigo.

Em Junho de 2001, com apenas 16 anos, ganhava a Medalha de Ouro nos jogos da Francofonia no Canadá. Acha que esse foi um momento determinante para ser quem é hoje?

A medalha de ouro despertou muita curiosidade pois até aí pouca gente tinha ouvido falar de mim. Quanto a mim, permitiu-me acreditar que o meu sonho era realizável.

Como é que surge Paris na sua vida e no seu caminho musical?

Depois de ter ganho este concurso recebi uma bolsa do Parlamento da Francofonia para aperfeiçoar o canto. Isso ajudou-me muito apesar de continuar a ter os mesmos “ defeitos” de quem começou a cantar sozinho. Frequentei o ensino francês e belga durante os anos em que estive fora de Cabo-Verde, já falava francês, Paris pareceu-me como uma evidência.


Qual é a sensação de receber um convite de Charles Aznavour para um dos seus discos, num duo em francês?

Realizo que cantar com o Charles foi um enorme privilégio e um momento muito especial para mim. Tem 83 anos, uma voz e uma energia intacta!

A certa altura teve a hipótese de conhecer Cesária Évora. O que é que ela lhe transmitiu? Ela é, como parece, uma pessoa de imensa sabedoria?

Conheci-a aos doze anos de idade, na Alemanha a seguir a um concerto que deu. Disse-lhe que queria ser cantora e ela logo respondeu-me “o publico é quem decide se nos põe lá cima ou cá em baixo”. Foi muito gentil e ofereceu-me o seu bouquet de rosas. A Cesária tem a sabedoria da vida e da experiência, que para mim são as mais interessantes.


Navega é o disco que trazia na cabeça há muito tempo? Como sente este disco?

Durante 6 anos cantei e aprendi muito, mas não tentei imaginar o meu disco. Navega é o registo de um momento, de uma fase no meu percurso e estou muito feliz e orgulhosa da contribuição que todos deram para esse resultado. O processo de gravação foi um momento único, inesquecível!

Fez questão que este disco tivesse o cheiro de cada país em que viveu até hoje?

Não fiz questão pois o que é fabuloso nas misturas é que no final obtemos algo novo.

Fez-se rodear de uma quantidade assinalável de músicos, músicos de diversas nacionalidades. Como é que foi recrutando esses músicos para o seu disco de estreia?

Foram em grande parte músicos com quem trabalhei ou com quem simplesmente me cruzei há uns anos e disse “ gostaria que gravasses comigo o meu primeiro disco”. Outros foram-me apresentados pelo Jacques Ehrhart que foi o produtor do Navega.

Foi recentemente galardoada, pelo seu disco Navega, com um dos prémios da German Record Critics. Não é certamente a primeira vez, mas como se sente ao ver o seu trabalho tão bem recebido?

E o primeiro prémio para o Navega e isso faz-me muito feliz... Que seja a janela aberta para muitos mais!
André Gomes
andregomes@bodyspace.net

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