DISCOS
Sérgio Godinho
Ligação Directa
· 03 Nov 2006 · 08:00 ·
Sérgio Godinho
Ligação Directa
2006
EMI


Sítios oficiais:
- Sérgio Godinho
Sérgio Godinho
Ligação Directa
2006
EMI


Sítios oficiais:
- Sérgio Godinho
Ligação Directa: como fazer grandes discos com 61 anos e 35 de carreira.
Falsa ideia essa de que Sérgio Godinho esteve parado musicalmente durante seis anos, apenas porque desde Lupa, lançado em 2000, não editava um disco de originais. Durante os anos que passaram entre o último e este novo Ligação Directa, Sérgio Godinho esteve atarefado com a composição de um par de espectáculos, Portugal - uma comédia Musical e UBUs, assim como a gravação de Afinidades, o álbum ao vivo gravado no Rivoli com os Clã, e com o lançamento de O Irmão do Meio, que consistia da regravação de temas próprias com a ajuda de nomes como Camané e Carlos do Carmo, Caetano Veloso, Teresa Salgueiro, Milton Nascimento e Zeca Baleiro (o que obrigou a viagens ao Brasil). Estes são os factos que provam que Sérgio Godinho esteve longe de estar ausente.

Entretanto o cantautor foi também actualizando o seu livro de rimas e apurando a mira apontada para o estado da nação. Não será assim tão óbvio quando se lê pela primeira vez o titulo do disco, Ligação Directa (inspirado numa sessão fotográfica, numa garagem de automóveis, cujos resultados podem ser vistos no booklet do disco), mas quando em “Só neste país” se ouve “Sempre complicamos a coisa mais simples / e simplificamos a mais complicada” ou “São muitos séculos em morna ebulição / a transitar entre o granizo e a combustão” entendemos que Sérgio Godinho tem (ainda e sempre) a pontaria bem afinada. Remata, no refrão: “Portugal / é nosso p’ro bem e p’ro mal / E o mal que está bem / e o bem que está mal / e o bem que está bem”.

Os dez temas que constam em Ligação Directa são todos da autoria de Sérgio Godinho, com a excepção de dois: "O Big One da Verdade", com música de Hélder Gonçalves (dos Clã), e "O Às da Negação", composto por Nuno Rafael, responsável igualmente pela produção e direcção musical do disco. Além da versatilidade e inteligência habitual das palavras de Sérgio Godinho, Ligação Directa revela igualmente uma riqueza instrumental que transforma as dez canções em pequenas e isoladas maravilhas - cada uma delas faz-se valer dos seus próprios atributos. “A Deusa do Amor” começa com vozes, um coro. Começa bem. Por ser o primeiro tema, é, como acontece em todos os discos, o primeiro momento de impacto. Perfeito entendimento entra guitarra e percussão para receber a voz quente de Sérgio Godinho.

“Às vezes o amor”, o single de apresentação, é pop perfeita adocicada por secção de cordas, “Marcha Centopeia” é cortejo popular actualizado em modo de passeio por Lisboa em noite de Santo António, “Não há duas como ela” é o elogio à música tradicional portuguesa, “O Velho Samurai” é história de vivência e sobrevivência, “O Rei do Zum-Zum” é sátira à fama pela fama a todo o custo (e inclui melodias com selo habitual de Sérgio Godinho). Em “No Circo Monteiro nunca chove” Sérgio Godinho sugere banda-sonora para o próximo filme de Emir Kusturica caso este rodasse em Portugal. Desengonçada, flexível, final de apresentação circense.

Se no mundo dos automóveis a “Ligação directa” serve, na maior parte das vezes, para assaltar um veiculo (ou como solução para a perda de chaves), no caso de Sérgio Godinho serve ‘apenas’ para deixar bem claro – e para relembrar a quem o possa ter esquecido – que não é à toa que segura o titulo de um dos melhores escritores de canções em Portugal. Mas não é só. Claro que não. Serve para provar que Sérgio Godinho é incapaz de fazer um disco inferior ou menor, que é espécie de musa para muitos dos que escrevem canções em português hoje em dia e que devia ser fonte de inspiração para outros tantos.
André Gomes
andregomes@bodyspace.net
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